<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094</id><updated>2011-10-03T09:35:18.028-03:00</updated><category term='huffpost'/><category term='engajamento'/><category term='Saul Galvão'/><category term='arianna huffington'/><category term='disney'/><category term='ratatouille'/><category term='liberdade de expressao'/><category term='jornalismo online'/><category term='bloomberg'/><category term='aol'/><category term='lula'/><category term='apple'/><category term='democratizacao dos meios de comunicação'/><category term='muylaert'/><category term='comunicacao corporativa'/><category term='edmar pereira'/><category term='pixar'/><category term='Brasil 2010'/><category term='Estadão'/><category term='meios de comunicacao'/><category term='renato delmanto'/><category term='controle da midia'/><category term='ruy mesquita'/><category term='huffington post'/><category term='steve jobs'/><category term='estrategia'/><category term='Paris'/><category term='PT'/><category term='Perseu Abramo'/><category term='JT'/><category term='zuenir ventura'/><category term='vox populi'/><category term='censura'/><category term='obituário'/><category term='conteudo online'/><title type='text'>Na mídia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-2023974005691785269</id><published>2011-10-03T09:35:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T09:35:18.056-03:00</updated><title type='text'>Ainda sobre a ministra e a propaganda da Gisele</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Já foi falado na semana passada, mas a foto lado a lado da ministra Irany Lopes e do cartunista Laerte é realmente impressionante. Parecem gêmeos separados na maternidade. Realmente está explicada a razão de ser contra a campanha da Hope.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-HOHUUw2Hd9s/TomrOoBG8cI/AAAAAAAAAGU/j7tq8Oh3gfM/s1600/Irany_Laerte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-HOHUUw2Hd9s/TomrOoBG8cI/AAAAAAAAAGU/j7tq8Oh3gfM/s1600/Irany_Laerte.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-2023974005691785269?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/2023974005691785269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=2023974005691785269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/2023974005691785269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/2023974005691785269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2011/10/ainda-sobre-ministra-e-propaganda-da.html' title='Ainda sobre a ministra e a propaganda da Gisele'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-HOHUUw2Hd9s/TomrOoBG8cI/AAAAAAAAAGU/j7tq8Oh3gfM/s72-c/Irany_Laerte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-646375154891585807</id><published>2011-09-15T17:04:00.001-03:00</published><updated>2011-09-15T17:04:45.283-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arianna huffington'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo online'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conteudo online'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='huffington post'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='huffpost'/><title type='text'>Huffington Post no Brasil?</title><content type='html'>Compartilho abaixo&amp;nbsp;entrevista publicada pela revista Meio&amp;amp;Mensagem, com a presidente do Huffington Post, o portal de notícias que ajudou a AOL americana a virar notícia novamente - de forma positiva, desta vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Delmanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Arianna prepara a entrada do Huffington Post no Brasil &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;A presidente e editora-chefe do maior agregador de notícias do mundo negocia parceria de mídia e anuncia operação local em novembro &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por SÉRGIO DAMASCENO (&lt;a href="mailto:sdamasceno@grupomm.com.br"&gt;sdamasceno@grupomm.com.br&lt;/a&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arianna Huffington acredita na desconexão. Bem, ao menos por um curto período, idealmente de oito horas, nas quais, diz, há que se conectar com o próprio “eu”. Para uma mulher que vive obcecada com política (seu tema predileto) e acordava e dormia com os dois BlackBerry ligados, é uma mudança e tanto. E isso aconteceu apenas depois que sofreu um acidente doméstico por pura exaustão e pelo fato de não conseguir se desligar. Agora, prega moderação. Bem, ao menos por um curto período também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presidente e editora-chefe do mais bem-sucedido agregador de notícias do mundo, o Huffington Post, criado em 2005 e vendido neste ano para a AOL por US$ 315 milhões, e eleita uma das cem personalidades mais influentes do mundo pela revista Time, está em plena campanha para negociar uma parceria no Brasil, “necessariamente com uma empresa de mídia, e não com investidores” e anunciar, ainda no final deste mês, o acordo com o parceiro. Até novembro, afirma, a operação brasileira começa a funcionar. Enquanto isso, a mulher que ajudou a criar um modelo que atrai mais tráfego e visitantes do que os portais noticiosos internacionais (o HuffPost é mais visitado do que o site do The New York Times) não revela nem mais uma pista sobre o futuro Huffington Post Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site deve ser equivalente ao norte-americano e ao francês (que entra em operação em outubro), com seções como Política, Negócios, Tecnologia, Entretenimento, Celebridades, Música e outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Arianna, a sede do HuffPost local deve ser em São Paulo (SP). O tamanho da equipe editorial, as sucursais, as parcerias para reprodução de notícias na home principal do Huffington Post Brasil e os blogueiros que publicarão textos na versão local dependem do parceiro com o qual o Huffington Post se associar, conta Arianna. “As conversas, por enquanto, são confidenciais. O modelo de negócios é o mesmo dos Estados Unidos: acesso gratuito, bancado pela publicidade”, resume a editora. Embora a publicidade digital no Brasil esteja na casa dos 10%, ante os quase 20% dos Estados Unidos, Arianna diz que serão usadas as mesmas ferramentas que consolidaram o modelo do HuffPost: ad networks (inclusive os presentes na AOL.com, já que a AOL é a controladora), anunciantes de tecnologia e patrocinadores de comentários e de blogs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante palestra no lnfo@trends, evento anual da revista Info, da Abril, Arianna discorreu sobre o modelo do HuffPost e fez comentários sobre alguns cases digitais brasileiros: citou o perfil de Rafinha Bastos no Twitter e o equiparou a Lady GaGa; elogiou a popularidade das redes sociais entre os brasileiros; falou sobre a importância dessas redes em casos extremos como o perfil do Twitter do jornal Voz da Comunidade quando da invasão da polícia do Rio de Janeiro no Morro do Alemão e consequente expulsão dos traficantes da região; e, ainda, da prestação de serviços por meio de redes sociais para identificar as vítimas desaparecidas na tragédia das enchentes da região serrana do Rio de Janeiro, que deixaram mais de 900 mortos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fascínio pelo Brasil &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o fato de o Brasil ser o segundo país a receber uma versão local do Huffington Post, Arianna não poupa elogios: “O Brasil exerce fascínio no mundo todo e todos querem saber o que acontece aqui, como o País lida com os problemas de infraestrutura e desigualdade. Queremos capturar o Brasil e compartilhar com o resto do mundo o que acontece por aqui. Há muito que se aprender com o País, afirma. A editora recorda que, na visita anterior ao Brasil, em dezembro do ano passado, ficou encantada com o discurso político dos vários partidos ser praticamente o mesmo, de haver uma agenda nacional quase única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, o Huffington Post é trabalhado como marca independente dentro da AOL. Emprega 1,3 mil jornalistas (pagos) e mais dezenas de blogueiros (que não recebem para publicar). Arianna diz que o site já alcança quase 250 milhões de visitantes mensais. Os comentários, grande base de sustentação do modelo único no mundo (a editora diz que não tem &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;concorrentes no formato), são pré-moderados antes de irem ao ar, o que garante um debate limpo de ofensas e palavrões, por exemplo. O site tem 30 moderadores especialmente voltados para essa tarefa. Sobre a gratuidade, Arianna é taxativa: “As pessoas pagam apenas para ter acesso a informações financeiras exclusivas ou a pornografia”, diz, sem ironia. Sobre os colaboradores que reclamaram o direito de receber parte do Huffington Post quando da aquisição pela AOL, Arianna afirma que essas pessoas ganham em visibilidade e, da mesma forma que não são pagas para aparecer na TV não o seriam por publicarem no site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas mídias sociais, o papel do editor é ser curador, pontua Arianna. A editora defende que se contem histórias em vez de reportar apenas dados e estatísticas. “Não vamos falar dos 25 milhões de desempregados dos Estados Unidos, e sim contar a história que está detrás desses números, de como essas pessoas reagem.” Cabe ao editor do HuffPost, diz Arianna, fazer a curadoria do “caos de tanta informação existente”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presidente do site recorre ao conceito do Zeitgeist (espírito da época ou do tempo), que significa o conjunto intelectual e cultural do mundo numa determinada época, para explicar sua filosofia: “O Zeitgeist requer que todos nós façamos algo mais, que nos envolvamos, nós e as marcas, que tenhamos comprometimento com as causas e que façamos do mundo um lugar melhor com autenticidade.” Para tanto, defende a livre expressão por meio das redes sociais, com todas as falhas (e virtudes) que nós, seres humanos, temos também na vida real. E é com esse Zeitgeist que Arianna encara o desafio de abrir uma frente do Hufflngton Post no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto publicado originalmente pela revista Meio &amp;amp; Mensagem (05/09/2011)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-646375154891585807?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/646375154891585807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=646375154891585807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/646375154891585807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/646375154891585807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2011/09/huffington-post-no-brasil.html' title='Huffington Post no Brasil?'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-6521755869219631401</id><published>2011-09-09T16:52:00.000-03:00</published><updated>2011-09-09T16:52:34.817-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='engajamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicacao corporativa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estrategia'/><title type='text'>Nossa missão é evangelizar</title><content type='html'>Falar sobre comunicação dentro de uma empresa é como falar de futebol: todo mundo tem uma opinião a dar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que todo mundo entende mesmo de comunicação? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos até entendem um pouco, mas isso não os faz especialistas. Não o suficiente, pelo menos, para fazer com que o trabalho de comunicação seja eficaz. Para ser bem-sucedida, a comunicação requer conhecimento, habilidades específicas e, principalmente, engajamento dos altos executivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos principais desafios do profissional de comunicação é justamente engajar o CEO, os acionistas ou os altos executivos no processo de comunicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes eles enxergam o “fazer comunicação” como um verdadeiro fardo. Quantas vezes não ouvimos frases como “Por que eu tenho de falar isso?”, “Por que temos de fazer aquilo?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo: fazer comunicação dá trabalho – e muito trabalho, principalmente para o CEO. Ele é o principal porta-voz, o exemplo de atitude e comportamentos, o disseminador de valores e crenças da empresa. Seja perante o público externo, seja junto aos funcionários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma empresa cuja liderança pensa apenas na operação, sem considerar as pessoas e a sociedade como peças fundamentais para o sucesso nos negócios, corre o risco de ser superada pela concorrência, ser “engolida” pelo processo evolutivo dos relacionamentos. Executivos que pensam e agem assim não consideram o trabalho de comunicação relevante para o desenvolvimento dos negócios, para a construção de reputação, tampouco para o engajamento de funcionários e parceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Mano Menezes”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à analogia esportiva, muitos são os “entendidos” em futebol, mas Mano Menezes é um só. (Ok, ok. Mesmo que ele esteja longe de ser uma unanimidade, ainda é técnico da Seleção.) Numa organização, o profissional de comunicação pode se sentir como o técnico do time. Como todo mundo tem alguma sugestão a dar, sempre haverá ideias “criativas” envolvendo as estratégias de comunicação – partindo de colegas de outras áreas e dos mais diversos níveis. O problema é que, se essas ideias forem implementadas e acabarem sendo malsucedidas, a culpa será da comunicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer comunicação requer inteligência, profundo entendimento do negócio e total alinhamento com a estratégia da organização. Por isso exige competência, dedicação e credibilidade do profissional responsável pela área. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas atenção: credibilidade junto ao CEO e à liderança não se adquire fazendo comunicação pela comunicação. Fazendo comunicação para ganhar prêmios. Essa é uma armadilha que se deve evitar. É como uma agência de publicidade que cria uma campanha para ganhar vários leões em Cannes, mas que não gera nenhum recall de marca para o cliente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que vale um prêmio se, internamente, a comunicação for mal vista? Se o líder da área for considerado apenas um “garoto de recados” do CEO? Ou pior, se for considerado incompetente pelo conjunto dos funcionários? Pesquisas de clima sinalizam com clareza a percepção que o público interno tem a respeito da comunicação. Fornecem ricos subsídios para corrigir posturas, trabalhar melhor o engajamento, batalhar para que haja um maior envolvimento da alta liderança em todos os processos de comunicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para provocar uma mudança de atitude na organização, o foco do profissional da área deve ser um incansável trabalho para mudar a visão de todos os funcionários (e especialmente da alta liderança) sobre a comunicação. É um trabalho de evangelização sobre a importância de se comunicar bem e claramente. Sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa “catequese” é um projeto de longo prazo, baseado principalmente na reputação do próprio profissional de comunicação perante a alta gestão. Ele deve ser visto e percebido como alguém que tem uma visão diferente do negócio, que tem a capacidade de analisar os impactos que as decisões empresariais irão causar na sociedade como um todo – aqui incluídos os tradicionais stakeholders (funcionários, clientes, fornecedores, mídia, poder público, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comunicador deve atuar como um advisor. Da mesma forma que um contrato nunca é fechado sem a análise e aprovação da área jurídica, qualquer movimento relevante da empresa nunca deveria ser planejado sem o envolvimento, desde o início, da área de comunicação. É ela que tem expertise para apontar os riscos de imagem e reputação envolvidos em um novo negócio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planejando a comunicação com foco nos objetivos empresariais, o profissional da área pode sugerir a melhor estratégia para que a divulgação contribua para o objetivo que a empresa espera daquele negócio. Nem sempre uma solução mais cômoda para a alta liderança é a melhor – e muitas vezes os altos executivos preferem ficar na “zona de conforto” e decidir, da cabeça deles, como fazer a comunicação. Cabe à área de comunicação argumentar e conquistar espaço – e, portanto, ter o poder de convencimento de que o caminho mais fácil nem sempre é o mais seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse trabalho de convencimento da liderança é de longo prazo, e se fortalece conforme a área consegue sucessivas provas de que o planejamento em comunicação contribui para o sucesso nos negócios. Por isso é um trabalho de evangelização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A credibilidade da área de comunicação é o principal ingrediente desse processo. Um CEO precisa ser convencido de que falar, principalmente a respeito de temas polêmicos, olhando nos olhos das pessoas, interagindo com outros públicos, com transparência, é tão importante quanto produzir e gerar EBITDA para a companhia. E o CEO só será convencido disso se confiar nas recomendações do profissional de comunicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mudança de mentalidade dos altos executivos em relação ao papel da comunicação é o maior prêmio que um profissional da área pode ganhar. Mas que nunca poderá ser exposto como um troféu numa prateleira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------- &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Artigo publicado originalmente no site da Aberje: &lt;br /&gt;&lt;a href="http://migre.me/5EV4u"&gt;http://migre.me/5EV4u&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-6521755869219631401?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/6521755869219631401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=6521755869219631401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/6521755869219631401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/6521755869219631401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2011/09/nossa-missao-e-evangelizar.html' title='Nossa missão é evangelizar'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-8964117309589388947</id><published>2011-09-09T16:15:00.018-03:00</published><updated>2011-09-09T16:30:59.311-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='controle da midia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='censura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PT'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='liberdade de expressao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='democratizacao dos meios de comunicação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meios de comunicacao'/><title type='text'>A proposta de regulamentação da mídia do PT</title><content type='html'>Em vez de entrar no debate acalorado sobre a tão noticiada proposta&amp;nbsp;de "controle da mídia" do PT, achei mais produtivo compartilhar a íntegra do texto da moção&amp;nbsp;aprovada pelo partido em seu 4º Congresso, no dia 4/9/2011, em Brasília. &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A moção se chama "PT: Compromisso com uma agenda estratégica para as comunicações no Brasil".&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Um breve comentário se faz necessário: o texto é bem escrito e traz boas ideias, principalmente no que se refere&amp;nbsp;a uma visão mais ampla do assunto, que abrange radiodifusão, telecomunicações e cultura sob um mesmo espectro. No entanto&amp;nbsp;incorpora alguns conceitos um tanto vagos, como repetidas vezes pregar o "controle social" sobre a mídia,&amp;nbsp;sem contudo deixar claro como de fato isso se daria - o que pode ter provocado as reações contrárias à proposta nos próprios meios de comunicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;O texto é bastante longo, mas também muito interessante, por trazer um histórico das posições adotadas pelo partido ao longo de seus programas de governo, campanhas eleitorais (desde 1989) e documentos&amp;nbsp;(a começar pela posição da bancada petista no Congresso Constituinte de 1986). É, portanto, um bom documento histórico - independentemente do juízo de valor que se faça a respeito de seu conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Segue abaixo, para apreciação de todos aqueles interessados (de fato) no debate aprofundado sobre liberdade de expressão,&amp;nbsp;censura e democratização&amp;nbsp;do acesso&amp;nbsp;à informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto está republicado a seguir exatamente como consta do Documento do partido, inclusive com alguns pequenos erros que "escaparam"&amp;nbsp;à revisão, a começar pelo título "compomisso" (sic). Mas a compreensão do conteúdo não será de forma alguma afetada por esses pequenos erros de finalização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa leitura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;===============================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PT: COMPOMISSO COM UMA AGENDA ESTRATÉGICA PARA AS COMUNICAÇÕES NO BRASIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas décadas, o Brasil experimentou uma transformação sem precedentes na área das comunicações. Junto a alterações estruturais nos mercados e no mundo do trabalho e mudanças substanciais nos campos da política e da cultura, passamos a conviver com modificações profundas na forma de produzir, difundir e acessar a informação e o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novas possibilidades tecnológicas e econômicas terminaram por desenvolver a prática do compartilhamento como centro organizador do processo de comunicação no mundo, de tal forma que o acesso às redes de comunicação e em especial à internet passa a ser percebido como algo que está no âmbito dos novos direitos coletivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testemunhamos de forma simultânea a introdução das novas mídias, a reestruturação dos setores de telecomunicações e radiodifusão, a crise de endividamento das empresas de comunicação social, o duelo econômico e político entre operadoras de telefonia e emissoras de televisão, a convergência tecnológica e a participação dos cidadãos no processo de discussão dessas mudanças. O desafio que esse novo ambiente nos traz, é reformular o arranjo institucional que deverá sustentar esse cenário de maneira a garantir direitos e promover o protagonismo dos cidadãos no processo de produção de conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A comunicação na história do PT&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As resoluções definidas pela PT no encontro de fundação não falavam dos meios de comunicação. Mas posteriormente passaram a compor os documentos políticos e as ações do partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Congresso Constituinte, a bancada do partido somou-se a outros poucos defensores de comunicação democrática. Mesmo sendo derrotados pela força do “centrão”, conseguiram conquistas que se mostram importantes avanços, como os expressos nos artigos 222 (nunca regulamentado) e 223 (que possibilitou a criação da EBC).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democratização dos meios de comunicação foi apresentada nas proposições eleitorais partidárias, entre 1989 até 2010, sendo concebida a partir de vários eixos, entre eles: [a] passível de regulação da sociedade civil; [b] pela ampliação do acesso da população com a socialização das informações; e [c] com função social tanto na articulação com a cultura e a educação quanto no combate ao preconceito e ao racismo. Em 2010, apresentou a proposição foi apresentada mais condensadamente como a defesa da “ampliação do acesso aos meios de informação e de comunicação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1989, na proposição da primeira campanha presidência do partido, a democratização dos meios de comunicação de massa era a diretriz de número quatro, propondo fazer valer “o direito de o público ser informado de maneira objetiva e sem distorções”. Este direito poderia ser garantido com a “introdução de novas tecnologias de comunicação para emissoras de pequenas potências (regionais e comunitárias)”. Em 1990, o PT estabeleceu Governo Paralelo, no qual Cristina Tavares coordenava a área das Comunicações. Este núcleo do Governo Paralelo apresentou importantes estudos e formulações sobre a democratização das comunicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1994, o PT considerou os meios de comunicação como parte das instituições culturais e afirmou taxativamente que “não há democracia se os cidadãos não têm acesso livre às informações”. Nesta perspectiva, o Governo Democrático e Popular deveria garantir “por todos os meios possíveis, o acesso à informação e à gestão da coisa pública” e promover a “socialização dessa informação, através do rádio, da televisão, de redes informatizadas e do desenvolvimento de uma política de comunicação e ação cultural”. Neste programa a democratização dos meios de comunicação de massas era parte da construção de uma política de comunicação e ação cultural, visando à participação popular e a construção da hegemonia do bloco social interessado nas reformas democráticas e populares. Era também considerada instrumento importante no combate aos preconceitos e estereótipos de gênero, contras negros, gays e lésbicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT reclamava da falta de instituições “mediadoras entre o Estado, o setor privado e a sociedade na formação de políticas sobre a área de comunicações” e denunciava que os temas das mídias eram “conduzidos por práticas permeadas pelo patrimonialismo, corporativismo e cartorialismo, com predominância dos interesses privados sobre os públicos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As políticas de comunicação do Governo Democrático e Popular estariam centradas em (a) assegurar aos cidadãos o exercício do direito de informação e expressão, (b) instituir formas de controle social sobre os meios de comunicação, (c) aperfeiçoar os serviços estatais; (d) regular a esfera privada “de forma a impedir a existência de oligopólios.” (e) integrar as telecomunicações, informática, educação e cultura. Propunha, também, a criação de Fundo Nacional de Comunicação e Conselhos de Comunicação, o direito de antena aos movimentos sociais e populares e na regulamentação das diversas plataformas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o PT defendia a criação de “condições favoráveis para a concorrência, para o fortalecimento da capacidade de produção e de ampliação do mercado”, afirmava a garantia de que toda a legislação deveria ser aprovada pelo Congresso Nacional e que os órgãos do sistema público deveria corresponder ao “espectro amplo e pluralista, dos pontos-de-vista ideológico, político, partidário, social, religioso, cultural; [e que] respeitará a preservação de realidades regionais e locais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1998, o PT, no mais sucinto dos programas eleitorais, declarou que entre os “Direito ao direito” estavam “os meios de comunicação [que] devem ser instrumentos de educação, difusão da cultura, valorização do ser humano e a serviço da paz social e da vida civil solidária” e propunha o estabelecimento de conselhos sociais de acompanhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, o PT defendia a radicalização do processo democrático no Brasil como “um grande movimento cultural que vai além da adoção de medidas de democracia econômica e social e da realização de reformas políticas”. Afirmava que as “iniciativas no plano da cultura permitirão ao povo brasileiro expressar e valorizar suas identidades e experiências regionais, sociais, étnicas e apropriar-se dos frutos da civilização em toda a sua diversidade.” Esta política requeria a democratização cultural da sociedade combinada à democratização dos meios de comunicação com a garantia da mais irrestrita liberdade de expressão. Propunha reativar mecanismos de política científica, tecnológica e industrial diante da disseminação da internet e do avanço da comunicação móvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2006, na campanha para a reeleição de Lula, a comunicação, ao lado da cultura, da ciência e da tecnologia foi apresentada como instrumento de desenvolvimento e de democracia. O PT assegurou que “será garantida a democratização dos meios de comunicação, permitindo a todos o mais amplo acesso à informação, que deve ser entendida como um direito cidadão.” E garantiu que o Governo continuaria a se relacionar de forma democrática com os meios de comunicação. Apresentou a proposta de um novo modelo institucional para as comunicações (com ênfase no caráter democratizante e no processo de convergência tecnológica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em 2006, o partido formulou um Caderno Setorial de Comunicação e Democracia, apresentado à coordenação de campanha em que defendia: a democratização dos meios de comunicação no contexto do aprofundamento da democratização da sociedade brasileira e da promoção das justiças sociais e econômicas. Mas também apontava a importância econômica do setor e seu potencial de induzir a redução de disparidades regionais e sociais com a convergência tecnológica, a proliferação dos meios digitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este documento se pautou pelo conceito constitucional de comunicação centrada em três sistemas: o estatal, o público e o privado. Defendia um marco regulatório com uma Lei Geral de Comunicação Eletrônica e a criação de uma rede de rádios e TVs institucionais que possibilitasse a municipalização da produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT já defendia uma Política Pública de Inclusão Digital “reconhecida como estratégia de desenvolvimento e aprofundamento da democracia o que pressupõe incorporar o uso das tecnologias no cotidiano, desenvolvendo habilidades, conteúdos, interação social em rede e garantia de direitos para a população de baixa renda”. A PPID também visava o aprofundamento da democracia possibilitando o acesso à informação e à comunicação são direitos essenciais de cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, no 3º Congresso do PT a democratização das comunicações foi reafirmada como um dos seis eixos básicos da do programa partidário. A Tarefa fundamental do PT seria a de garantir a existência dos sistemas estatal e público de comunicação e no campo da radiodifusão comunitária, defender a adoção de uma política clara, criando condições para que um número cada vez maior de localidades possam contar com essas emissoras, multiplicando os canais de expressão, potencializando a circulação das informações e fornecendo conteúdos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentava como tarefas para o período na área da comunicação (a) a convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação Social e (b) a articulação das ações governamentais em educação, cultura e comunicação. O PT deveria trazer para o projeto nacional de desenvolvimento uma “forte política nacional de inclusão digital, como necessidade contemporânea do seu compromisso com uma revolução na educação, bem como para a democratização dos meios de comunicação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios de comunicação alternativos foram reconhecidos como instrumento necessário ao lado da participação dos movimentos sociais na construção de um bloco histórico que defenda na sociedade o projeto democrático popular para sustentar o “projeto de mudanças, de rompimento com a dominação conservadora”. Apontou também que a democratização da sociedade requeria tanto uma luta contra os monopólios da comunicação como a reforma do sistema político, eleitoral e partidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reafirmava a necessidade que os meios de comunicação estivessem afinados com as políticas de educação para incentivar “sedimentação de uma cultura de igualdade, com respeito às mulheres e sua diversidade”, na política de direitos humanos e na superação da opressão de raça, gênero e classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2008, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação do PT defendeu a convocação de uma Conferência Nacional de Comunicação, democrática e participativa, para discutir um novo marco regulatório, os processos de convergência tecnológica e a democratização do setor. Apresentou a defesa de diversas iniciativas para o fortalecimento da Radiodifusão Comunitária e para a democratização e transparência dos processos de concessão de canais de rádio e TV. Propôs a criação de um órgão autônomo com poder de regular e fiscalizar as concessões de radiodifusão. Defendeu a articulação e ampliação dos programas governamentais relativos à inclusão digital, com universalização do acesso e construção de uma infra-estrutura pública de telecomunicações, inclusive com a regulamentação do mercado de banda larga, de maneira a garantir caráter público ao serviço, com acesso gratuito ou a baixo custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, o PT apresentou a resolução sobre a estratégia petista na CONFECOM propondo a construção de um marco regulatório democrático como centro da estratégia, tratando a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social e considerando a mudança de cenário provocada pelas tecnologias digitais. O PT declarou que lutaria para que as demais ações estatais nessa área promovessem a pluralidade e a diversidade, o controle público e social dos meios e o fortalecimento da comunicação púbica, estatal, comunitária e sem finalidade lucrativa e combateria os monopólios e todos os desvios do sistema atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT defendeu quanto ao Marco Regulatório, o Controle público e social, a manutenção de arquitetura aberta e não proprietária para Internet; ampliação da potência para universalizar o acesso; criação de fundo público de apoio às rádios; a paridade racial de gênero na publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010, o Programa de Dilma propunha transformar o Brasil em potência científica e tecnológica sendo que a inclusão digital “ocupará um lugar importante, com a extensão da banda larga para todo o País, em especial para as escolas” e a “valorizar a cultura nacional, dialogar com outras culturas, democratizar os bens culturais e favorecer a democratização da comunicação.” Que entre outras medidas garante “o favorecimento da comunicação, livre e plural, capaz de refletir as distintas expressões da sociedade brasileira.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Análise de Conjuntura&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em duas décadas e meia de redemocratização, o Brasil aboliu a censura, aprovou um capítulo inédito para a Comunicação Social na Constituição Federal, escreveu, com participação popular, uma das legislações de televisão a cabo mais avançadas do mundo, construiu um novo marco regulatório para as telecomunicações, instituiu oficialmente o serviço de radiodifusão comunitária, implantou um modelo democrático de governança na internet e incorporou velozmente as novas mídias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse cenário histórico recebeu um aporte importante durante os dois mandatos do ex-presidente Lula, que debateu de forma pública o processo de introdução da tecnologia de televisão digital, a regulação do conteúdo audiovisual, a classificação indicativa e a criação de uma rede de emissoras públicas. Realizou a 1ª Conferência Nacional de Comunicação e discutiu com a sociedade o Marco Civil da Internet e a reforma da legislação do direito autoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a Presidenta Dilma, é fundamental agora aprofundar e dar continuidade ao processo democrático de revisão do arcabouço regulatório da área das comunicações e de políticas públicas que promovam a inclusão social dos brasileiros, a diversidade cultural e o desenvolvimento econômico dos setores envolvidos no processo de convergência tecnológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento e o diálogo estão alcançando um número maior de pessoas, mas a tarefa de levar estas novas tecnologias de informação e comunicação a toda sociedade ainda está por ser feita, sob pena de o ambiente digital ampliar – ao invés de reduzir – as desigualdades entre aqueles que têm cada vez mais conhecimento, cada vez mais participação, e aqueles que ficam alijados do processo de desenvolvimento. Nosso País precisa urgentemente saltar sobre esse fosso da exclusão e ter como Norte a universalização do acesso aos serviços e conteúdos das comunicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de garantir a produção e circulação de conteúdo nacional e o acesso às novas redes, o PT precisa contribuir para que estes instrumentos cumpram sua função social: aproximar culturas e mediar o diálogo nacional. A homogeneidade da comunicação de massa está cedendo lugar à diversidade cultural das trocas simbólicas. Se até então éramos ligados apenas por uma maneira de ver e ouvir, agora temos também a oportunidade de falar, de comunicar, de interagir. Essa é a grande complexidade do desafio que se coloca ao novo arranjo institucional das Comunicações, que precisa contemplar uma dupla responsabilidade: induzir o desenvolvimento sustentável e desconcentrado dos setores econômicos, enquanto promove e protege a diversidade cultural e a liberdade de expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O panorama atual da área das comunicações no Brasil revela que temos muito trabalho a ser feito. Ao olharmos para os rincões do Brasil ainda conseguimos enxergar claramente essa divisão sócio-cultural do País. A Nação dos 17 milhões de domicílios com acesso à internet com banda larga e dos 11,3 milhões de assinantes de TV paga convive com habitantes que estão submetidos a um regime de informação do século passado. É sempre bom lembrar que menos de 3% dos municípios brasileiros recebem o sinal de mais de uma emissora de televisão local. Somente metade das localidades possui acesso à rede mundial de computadores e metade dos brasileiros afirma que nunca acessou a internet. Na maior parte de nossas cidades, sem cinema e sem livraria, o rádio e o jornal são as principais fontes de informação dos cidadãos sobre sua realidade. E a televisão é, praticamente, a única fonte de entretenimento e lazer. O que faz com que seja ainda mais importante que a televisão brasileira se atualize para operar fora do paradigma da integração vertical em um mercado globalizado e diversificado no qual a Comunicação é percebida como um direito social tão importante quanto qualquer outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere ao mercado, é essencial que o PT apóie o reordenamento econômico da área das comunicações diante dos novos modelos de negócios e de práticas concorrenciais sintonizadas com esta alteração do modo como consumimos conteúdo de informação e comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A convergência tecnológica, as mudanças nos modelos de negócio e a crescente importância dos conteúdos digitais criativos não garantem, por si só, que o setor das comunicações deixará de tender para a concentração e o oligopólio. Muito pelo contrário: o cenário mundial mostra uma crescente concentração de propriedade entre grupos transnacionais, o que inclui a fusão entre grupos tradicionalmente ligados à produção de conteúdos e grupos tradicionalmente ligados às telecomunicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que o PT afirma seu compromisso com a cultura como bem comum, o que impõe a nós a tarefa de mobilizarmos a sociedade por uma nova legislação dos direitos de autor e propriedade intelectual que corrija essa tendência de concentração de poder sobre os bens simbólicos distribuídos por esses conglomerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale saber que pequenas células de desenvolvimento de inovação, abertas ao experimentalismo e ao compartilhamento de técnicas e ideais, geram produtos novos, que escapam à lógica do lucro e à capacidade de replicação dos grandes conglomerados de comunicação. O Partido dos Trabalhadores precisa ajudar nosso governo a inserir esses milhares de realizadores de conteúdo audiovisual e digital, sejam eles indivíduos, empresas ou agentes organizados em coletivos, dentro de um mercado que é cada vez mais global e multiplataforma, e no qual se desenvolvem diversos modelos de negócio além dos tradicionalmente engendrados pelas indústrias culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de regular os oligopólios com o objetivo de criar condições de entrada de novos atores no mercado, precisamos pensar formas de induzir as empresas já instaladas no Brasil a aproveitar sua capacidade para projetar internacionalmente organizações, produtores e desenvolvedores independentes de conteúdo nacional, estimulando também as práticas solidárias e novos modelos de negócio que surgem a cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terreno da distribuição e da livre circulação dos conteúdos, a hora é de incorporar uma nova visão sobre a democracia e a esfera pública. Se no início do século passado governar era abrir estradas, agora é o momento de construir o sistema viário da informação, que são as “estradas” digitais, combinando tal tarefa com o fomento à produção de conteúdos brasileiros que naveguem por essas “estradas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acesso às redes de telecomunicações é o grande trunfo estratégico do Estado para inserir nossa economia e nossos cidadãos na era da sociedade do conhecimento, mas precisamos pavimentar de forma coordenada as cidades digitais que teremos amanhã e garantir que brasileiros de todas as origens e classes sociais habitem e utilizem essas cidades em igualdade de condições. Se nos últimos 100 anos a democracia lutou pela garantia de liberdade de expressão e manifestação do pensamento, teremos que adicionar a esta demanda permanente o direito à comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Compromissos do PT com a Comunicação&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Partido dos Trabalhadores entende que deve contribuir na elaboração e na implantação de políticas de universalização do acesso aos diferentes serviços de comunicação – em especial à internet em banda larga, que deve ser entendida como um serviço essencial, ao qual todo cidadão tem direito, independentemente das disparidades sociais e regionais. Para tanto, é necessário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Fortalecer o papel regulador do Estado no setor de telecomunicações, de modo a promover e proteger a diversidade cultural brasileira, ampliar o intercâmbio cultural com todos os povos do planeta, possibilitar maior competição entre agentes de mercado, redução do preço ao usuário, aumento da qualidade e multiplicação dos investimentos privados na infraestrutura que dará suporte às demandas de um Brasil efetivamente conectado.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Aprofundar políticas públicas que garantam o acesso das populações de baixo poder aquisitivo ou de regiões distantes das grandes cidades aos serviços de comunicações. Para tanto, o Estado deverá garantir recursos para equipamentos públicos de acesso, provimento do serviço e terminais. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Ampliar o investimento em grandes redes radiodifusão pública e de telecomunicações, a exemplo da EBC e da Telebrás, que fujam da lógica imediatista de mercado, podendo assim voltar a sua atuação a regiões e públicos de menor potencial econômico; atender aos órgãos da administração pública, o que, além de gerar impactos econômicos positivos, potencializa os resultados dos mais diferentes serviços básicos, da educação à segurança e à saúde, e tornarem-se alternativas às redes privadas, gerando competição e pluralidade.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Garantir que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital, em parte desenvolvido em nossos laboratórios e já adotado por diversos países, realize todo o seu potencial inovador por meio do middleware Ginga – ou seja, que ele de fato utilize recursos interativos que demandem produção local e induzam à inclusão digital.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Afirmar a radiodifusão como um serviço público, de caráter universal, aberto e de alta relevância social.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Criar um ambiente normativo para o mundo digital que, por um lado, garanta os direitos individuais do cidadão, bem como possibilite o acesso isonômico aos conteúdos e aplicações.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Mobilizar o PT no debate e na aprovação do Marco Civil da Internet que se encontra no Congresso Nacional e na elaboração de um novo projeto para tipificar crimes e delitos cometidos no ciberespaço.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Defender a revisão da legislação referente ao Direito Autoral e Propriedade intelectual, considerando a cultura como bem comum e o nosso compromisso com a democratização da produção, fruição e acesso aos bens e serviços culturais.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Consolidar um sistema público de rádio e televisão, apoiar e descriminalizar a radiodifusão comunitária e dotar os processos de outorga de radiodifusão de mecanismos de transparência e de critérios objetivos.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Vedar a concessão e permissão de outorgas de radiodifusão a políticos e ocupantes de cargos públicos em exercício da função bem como formas de concentração empresarial, a exemplo da propriedade cruzada, que levem ao abuso de poder econômico.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Democratizar a distribuição das verbas públicas de publicidade visando o estímulo à pluralidade de fontes de informação nas diferentes esferas da federação.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Participar do diálogo da sociedade com os governos na elaboração das políticas de comunicações por meio da criação de conselhos de comunicação em todos os estados da federação e no Distrito Federal, fortalecimento do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e dos processos participativos nacionais que envolvam todos os entes federados realizando a II Conferência Nacional de Comunicação.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Afirmar um novo paradigma de políticas públicas de estímulo ao desenvolvimento cultural, que alie o fortalecimento das empresas brasileiras ao desenvolvimento regional, que encontre espaço para a produção destinada ao mercado de massas, sobretudo internacional, aos processos criativos que operam segundo os princípios da Economia Solidária e fortalecem os laços de pertencimento comunitário.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;As grandes mudanças necessárias para a implantação de uma agenda estratégica para as comunicações no Brasil, contudo, ainda são barradas pelo anacronismo de nosso atual marco regulatório. No que se refere ao rádio e à televisão, nossa legislação atual data dos anos 1960 e não foi atualizada a ponto de regulamentar os artigos da Constituição Federal que tratam, por exemplo, da produção regional e independente e da vedação ao monopólio e aos oligopólios. No que se refere a telecomunicações, a legislação foi construída a partir de um modelo gestado antes da revolução digital, que aboliu as fronteiras entre os diferentes serviços e as diferentes redes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, é necessário criar um novo marco regulatório para as comunicações no Brasil que venha a substituir as atuais normas sobre telecomunicações e sobre radiodifusão. Este novo marco deverá ter entre seus princípios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) A liberdade de expressão e de imprensa e a vedação à censura;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) A garantia dos direitos do cidadão, da infância e da adolescência;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) A pluralidade de fontes de informação;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) O fortalecimento da cultura brasileira;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) O fortalecimento da indústria nacional criativa, especialmente a produção audiovisual independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;f) O direito de acesso às redes de comunicação;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;g) O apoio às redes públicas e comunitárias de comunicações;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;h) A participação social na elaboração de políticas de comunicação, por meio de instâncias democráticas e representativas do conjunto da sociedade; e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i) O desenvolvimento econômico regional e a desconcentração de oportunidades de negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunicação que temos hoje está longe da que precisamos para enfrentar os novos desafios. É urgente provocar a ampliação do debate sobre esse Marco Regulatório. Isso foi iniciado com a I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, mas precisa continuar envolvendo o Partido, os Movimentos Sociais, o Congresso Nacional e o Poder Executivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos do debate público para sedimentar consensos na área das comunicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de um novo marco legal para acordar as regras da transição que está em curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos da democracia para regionalizar a cultura e garantir a diversidade e a pluralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos dos cidadãos e das organizações sociais para injetar nas instituições brasileiras, seja na mídia, na sociedade ou nos governos, a idéia de que compartilhar é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, precisamos retomar a mobilização histórica do PT em torno da pauta da comunicação para que os meios não se tornem fins em si mesmos, mas pontes que ligarão a informação ao conhecimento, a democracia à diversidade, a cidadania à cultura. Mais do que a mera convergência tecnológica, é preciso forjar as bases de uma verdadeira convergência de anseios sociais por um Brasil soberano e socialmente justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===============================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto extraído do documento “Conjunto de Moções" do 4º Congresso Extraordinário do PT – 04/09/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O original pode ser acessado em:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://migre.me/5EUdO"&gt;http://migre.me/5EUdO&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-8964117309589388947?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/8964117309589388947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=8964117309589388947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/8964117309589388947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/8964117309589388947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2011/09/proposta-de-regulamentacao-da-midia-do.html' title='A proposta de regulamentação da mídia do PT'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-5191288381864884290</id><published>2011-05-18T18:23:00.000-03:00</published><updated>2011-05-18T18:23:04.912-03:00</updated><title type='text'>Minicrônica - Aniversário de Casamento</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-V1R9wu7HpsA/TdQ3tIoIEzI/AAAAAAAAAGQ/Ew0ZBXE2QX0/s1600/mariachi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-V1R9wu7HpsA/TdQ3tIoIEzI/AAAAAAAAAGQ/Ew0ZBXE2QX0/s1600/mariachi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O casal foi a um restaurante para celebrar uma data importante, de cunho pessoal - o aniversário de casamento. Quando um mariachi chega até a mesa, pedem a ele que toque toque a música “deles”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Apesar do clima agradável, e da visível felicidade dos dois, em poucos minutos haverá uma discussão entre eles a respeito do fato dela ser fumante – vício que ele não aprova.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Durante a discussão, ela dirá que ele também possui defeitos – como por exemplo a mania de beber cerveja, mesmo que socialmente, mas cm uma frequencia que a incomoda. Tanto que ele insistiu para que os dois bebessem juntos durante&amp;nbsp;esse jantar comemorativo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ao final da noite, apesar das diferenças e das discussões, ambos chegarão à conclusão de que o que os motivos que os mantêm unidos (o carinho, o respeito e o amor) são mais fortes e mais importantes do que alguns detalhes comportamentais de cada um deles. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;E que, portanto, nada disso os separará.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-5191288381864884290?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/5191288381864884290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=5191288381864884290' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/5191288381864884290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/5191288381864884290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2011/05/minicronica-aniversario-de-casamento.html' title='Minicrônica - Aniversário de Casamento'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-V1R9wu7HpsA/TdQ3tIoIEzI/AAAAAAAAAGQ/Ew0ZBXE2QX0/s72-c/mariachi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-4903127807727838669</id><published>2010-11-18T17:41:00.000-02:00</published><updated>2010-11-18T17:41:55.987-02:00</updated><title type='text'>Memória empresarial: é preciso coragem para resgatar o passado</title><content type='html'>No mundo empresarial, ganha cada vez mais relevância o trabalho de resgate da memória. Livros, exposições e eventos comemorativos de efemérides já têm sido produzidos há vários anos pelas organizações. Mas uma parcela relevante das empresas ainda não possui um trabalho estruturado de resgate da memória, que seja utilizado como efetiva ferramenta de comunicação. Essa “história oral”, baseada em narrativas daqueles que foram ou são diretamente envolvidos com a empresa, enriquece muito o trabalho de resgate da memória empresarial. Sem esses relatos “verdadeiros”, que suscitam análises dos processos sociais do presente e do passado, o resgate da trajetória de uma companhia corre o risco de tornar-se burocrático (como de fato o são algumas publicações comemorativas). Essas percepções e interpretações pessoais dão vida aos episódios que marcaram a evolução de uma organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relato baseado em contadores de histórias remonta aos tempos imemoriais. A tradição oral das religiões é um exemplo. Em nenhuma passagem da Bíblia está escrito que os Reis Magos se chamavam Baltazar, Melchior e Gaspar. Porém, a tradição oral assim os denomina e assim nos ensinou. Durante o chamado “Exílio babilônico”, no século 500 a.C., o povo judeu lamentava a destruição do Templo e começou a reconhecer os alertas feitos a seus antepassados pelos profetas. Foi quando alguns judeus começaram a reunir e transcrever as tradições orais, e foram elaborados os primeiros livros proféticos do Antigo Testamento. Já no Novo Testamento, Lucas explica, logo na introdução de seu Evangelho, que seu relato foi feito depois de ter “diligentemente” investigado os fatos narrados por “testemunhas oculares” dos episódios, para que as gerações futuras conhecessem “a solidez daqueles ensinamentos” e se perpetuasse uma doutrina cristã. Passados mais de 2 mil anos, o intuito do evangelista foi bem-sucedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma empresa resgata sua memória institucional com o objetivo de criar ou formar sua reputação. Ao recontar sua história, a empresa reforça sua cultura, suas crenças e seus valores, desperta o desejo de pertencer nos funcionários, e gera credibilidade e confiança na sociedade como um todo. Busca, indiretamente, uma perenidade empresarial. Claro que essa “perenidade” depende também – e muito – do sucesso nos negócios, da capacidade da empresa de inovar e de se reinventar. Depende ainda de uma “licença social” para operar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar no retrovisor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma empresa que ignora o seu passado não inspira confiança no presente, nem atrai talentos que irão garantir o seu futuro. Olhar no retrovisor e enxergar lá atrás os pilares que sustentam o presente é um exercício aparentemente simples. Mas exige vontade política e coragem de rever momentos que, ainda hoje, alguns executivos prefeririam deixar esquecidos. Nesse sentido, o papel do comunicador equivale ao de um catequista: os executivos precisam ser convencidos de que esse trabalho é necessário – mais do que simplesmente “relevante” – para que se atinjam os objetivos de negócio da companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as organizações que se dedicam com verdadeiro empenho ao resgate de sua memória, sem medo, irão colher frutos muito positivos no médio e no longo prazo. Seus funcionários – principalmente os jovens entrantes na empresa – irão vivenciar um sentimento de identificação, num primeiro momento, depois de pertencimento e, por fim, de assenhoreamento. Com o tempo, eles “serão” a empresa e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que o resgate da história tem mesmo esse poder? A memória pode fazer com que as pessoas percebam de forma diferente o mundo, seu país, sua cidade, seu bairro, sua escola ou a empresa em que trabalham?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proust definiu como memória involuntária aquela capaz de fazer as pessoas reviverem as sensações de momentos específicos do passado, que estavam esquecidos. Cada um de nós vivencia momentos proustianos com maior ou menor frequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, as redes sociais possibilitam que esse resgate da memória seja mais presente. A cada dia é possível reencontrar amigos e colegas que há anos estavam perdidos e, graças ao ambiente virtual, retomar o relacionamento. O simples fato de você, de uma hora para outra, estar diante de fotos de pessoas com quem conviveu há 10 ou 20 anos revive essa memória involuntária adormecida. Seja a quadra da escola primária, um piquenique, uma excursão, uma festa junina, um show, a faculdade, o primeiro emprego. De repente, sensações, aromas, sabores e outros sentimentos tomam conta de nós, apenas ao olhar no computador uma imagem que estava adormecida no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicóloga Patricia Geribello Cabral, mestre em gerontologia pela PUC-SP e que há anos se dedica ao resgate da memória como tratamento terapêutico de idosos, diz que “as lembranças têm o passado como conteúdo e podem ser compartilhadas no presente por intermédio da comunicação”. Quando feito de forma elaborada, esse compartilhamento (ou esse processo) gera “a possibilidade de novos arranjos sobre o conteúdo e de continuidade no presente”. Portanto, o resgate de histórias pode contribuir não só para o entendimento de atitudes no presente, como também ajuda na formulação de novos conteúdos para se escrever a história no futuro. É, portanto, um trabalho eminentemente de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letra viva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse “trabalho” de comunicação ressalta outra característica da memória resgatada: ela não é nem nunca poderá ser letra morta. Quem assim a enxerga tem uma percepção míope. A empresa que desdenha o resgate de sua memória perde vínculos com seus funcionários, com seus clientes e com a sociedade. Fazer parte da história e, principalmente, sentir-se agente dessa história é uma das mais eficazes formas de engajamento de pessoas em torno de objetivos comuns. Se os funcionários não tiverem esse sentimento, não há ação de comunicação interna que proporcione esse engajamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história – de uma empresa, de uma escola, de um bairro – só é legítima se for contada a partir da história das pessoas que fizeram e que fazem essa empresa, escola ou bairro. A memória é viva porque é baseada em experiências de vida, não em prédios, máquinas ou escritórios. É a memória não de um tempo “kronos”, mas de um tempo “kairós”, como os gregos distinguiam o tempo medido pelo relógio do tempo vivido pelo ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empresa que acredita no resgate de sua memória e que efetivamente se dedica a esse trabalho, sem medo, está à frente de seu tempo. Sem trocadilhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TGRsKk1wKiI/AAAAAAAAAE8/jmqhHeHq1CU/s320/caetano_anos80.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TGRsKk1wKiI/AAAAAAAAAE8/jmqhHeHq1CU/s320/caetano_anos80.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Turma de alunos do Colégio Caetano de Campos, nos anos 80﻿&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado originalmente no site da Aberje (&lt;a href="http://migre.me/2j7uu"&gt;http://migre.me/2j7uu&lt;/a&gt;). OBS: sem a foto acima. &lt;br /&gt;Renato Delmanto é ex-aluno do Colégio Caetano de Campos, em São Paulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-4903127807727838669?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/4903127807727838669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=4903127807727838669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4903127807727838669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4903127807727838669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/11/memoria-empresarial-e-preciso-coragem.html' title='Memória empresarial: é preciso coragem para resgatar o passado'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TGRsKk1wKiI/AAAAAAAAAE8/jmqhHeHq1CU/s72-c/caetano_anos80.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-4516172704699908448</id><published>2010-10-29T18:35:00.011-02:00</published><updated>2010-10-30T01:12:18.480-02:00</updated><title type='text'>Que espetáculo Augusto Boal montaria após as eleições de 2010?</title><content type='html'>Não se via uma campanha presidencial com debates tão mornos e com ânimos dos correligionários tão acirrados desde 1989, quando Collor e Lula disputaram o segundo turno na primeira eleição direta para o Planalto depois de 25 anos de ditadura. Essa história já foi contada sob diversas óticas – por exemplo a da cobertura da grande imprensa, majoritariamente favorável a Collor, está muito bem retratada no livro “Notícias do Planalto”, de Mario Sergio Conti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poucos dias daquela eleição, tudo indicava que Lula ganharia. Àquela época, Lula aglutinava em torno de si o que melhor havia representando a esquerda e a social-democracia de centro-esquerda da política da época. Nomes como Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas, Miguel Arraes, entre tantos outros, subiram no palanque de Lula para apoiar a candidatura que simbolizava a opção mais democrática e progressista ao modelo conservador e elitista representado por Collor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Collor tinha a seu lado alguns representantes do que de pior existia na política de então, entre eles Renan Calheiros e Antônio Carlos Magalhães. Eles representavam a velha política, a política dos favores, dos coronéis nordestinos, que “ganhavam” votos do povo graças pequenas benesses sociais, sem o menor interesse em efetivamente resolver os problemas mais graves do país. O paliativo oficial visava tão-somente aliviar o problema, e jamais tentar solucioná-lo, pois a perpetuação dos males garantia aos barões um novo capital político nas eleições seguintes. Possibilitava a manutenção de seus currais eleitorais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Collor representava tudo isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Lula era o ex-sindicalista, que simbolizava o pensamento de esquerda, a busca da justiça social, a renovação da política, a derrota dos coronéis retrógrados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Collor venceu, com 4 milhões de votos a mais que Lula. Afora o lamentável episódio da ex-namorada de Lula que apareceu na campanha do adversário, a reta final da campanha em São Paulo foi marcada por uma inesperada adesão voluntária de setores da classe média à candidatura de Collor. Os adesivos nos carros proliferaram, pessoas saíram às ruas com bandeiras, e a boca-de-urna collorida ganhou um auxílio luxuoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula recebeu 31 milhões de votos. Brancos e nulos somaram 4 milhões. E as abstenções chegaram a 11,8 milhões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A proposta de Boal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, o dramaturgo e diretor Augusto Boal, principal expoente do chamado “teatro do oprimido”, resolveu traduzir a sua indignação com a derrota de Lula, de forma tão apertada e para um oponente tão conservador, que criou o espetáculo “Somos 31 milhões... e agora?”. Na peça, um militante tentava convencer os “companheiros” de campanha a transformar os comitês em centros culturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados 20 anos, a peça torna-se ainda simbólica de uma realidade que vivemos hoje na política brasileira. Trata-se quase de uma caricatura do cenário político de 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula elegeu-se presidente duas vezes, termina seu segundo mandato como o mandatário mais bem avaliado pela população e o Brasil vive um momento de prosperidade econômica nunca antes visto em sua história. Mas aquele sonho de democracia, de justiça social, de visão política esquerdista, tudo foi deixado de lado em nome da “governabilidade”, da “estabilidade” ou de um simples projeto de perpetuação no poder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro do oprimido de Boal pretendia a democratização dos meios de produção artística, que permitisse o acesso das camadas mais pobres à cultura. Defendia também a transformação da sociedade, por meio da conscientização e do diálogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os avanços sociais do governo Lula, tão alardeados durante a campanha, estão longe de corresponder ao sonho de Augusto Boal. O próprio Bolsa Família, proclamado pelo governo como o maior programa do mundo de distribuição de renda, em vez de ser instrumento de transformação da sociedade, tornou-se uma versão muito mais inteligente da velha “chantagem” eleitoral que os coronéis da velha política faziam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi pensado, o “Fome Zero” era uma proposta de transformação da sociedade, de construção da cidadania. Ao optar pelo modelo assistencialista do Bolsa Família, o governo petista escolheu o caminho mais cômodo. O próprio Frei Betto, em entrevista ao Estadão no início de 2009, definiu o programa original pensado por ele e por Betinho como uma proposta mais abrangente e que possuía caráter “emancipatório”. Já o Bolsa-Família tem “caráter compensatório”. “Até hoje não se descobriu a porta de saída das famílias que dele dependem”, disse Frei Betto. &lt;em&gt;(Leia a entrevista em &lt;a href="http://migre.me/1Ro9k"&gt;http://migre.me/1Ro9k&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;.&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o Brasil sonhado por Betinho e por Augusto Boal é muito diferente do Brasil mostrado nas propagandas do governo. Vivemos hoje, segundo elas, no país da prosperidade, do número recorde de empregos com carteira assinada, das grandes obras de infra-estrutura, credor do FMI, que fala de igual para igual com qualquer outro país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse governo tem como aliados figuras que representavam, em 1989, tudo de pior que havia na política – como Collor, Sarney, Renan Calheiros... Eles mudaram ou nosso conceito mudou? Nada disso. A situação é que piorou: a esquerda virou direita, o centro esquerda virou centro, e tudo parece igual. E desanimador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A máquina estatal nunca esteve tão aparelhada como nos últimos oito anos, os casos de corrupção e tráfico de influência pululam, os órgãos responsáveis pela gestão da ética pública se curvam às vontades dos governantes acusados, as agências reguladoras são apenas peças figurativas. As empresas públicas são usadas para fazer negócios escusos com empresas de parentes dos governantes, dos companheiros de partido e dos amigos. Como nunca antes na história desse país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo 31/10 é dia de reflexão sobre qual país nós queremos que o Brasil seja a partir de 2011. Se uma republiqueta de companheiros com um discurso populista, ou se um país, se não de esquerda, pelo menos que tenha um pouco mais de cuidado com a coisa pública. E&amp;nbsp;com um governo que trabalhe para o bem de todos, não apenas de um partido ou dos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Betinho morreu em 1997. Boal, em 2009. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fica a pergunta: se Boal estivesse vivo, que espetáculo ele faria após essas eleições, em que o projeto de Brasil de mais de 40 milhões de brasileiros sairá derrotado das urnas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-4516172704699908448?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/4516172704699908448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=4516172704699908448' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4516172704699908448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4516172704699908448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/10/que-espetaculo-augusto-boal-montaria.html' title='Que espetáculo Augusto Boal montaria após as eleições de 2010?'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-6649443201458148838</id><published>2010-10-29T08:07:00.000-02:00</published><updated>2010-10-29T08:07:37.286-02:00</updated><title type='text'>Declaração de voto</title><content type='html'>&lt;span class="messageBody"&gt;Do amigo jornalista Glauco Lucena, sempre sensato, e agora indignado com o rumo&amp;nbsp;que a política está tomando: &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="messageBody"&gt;DECLARAÇÃO DE VOTO: Quem me conhece, sabe que sou liberal, daqueles quase anarquistas, que defendem o Estado mínimo (quanto menos tetas, melhor). Logo, estou longe dos ideais tucanos. Mas domingo vou votar contra essa republiqueta de sindicalistas mamateiros chapa-branca (aliados ao pior da direita coronelista) em que se transformou o Brasil... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="messageBody"&gt;Vou votar contra essa ideologia getulista-stalinista-positivista-desenvo&lt;wbr&gt;&lt;span class="word_break"&gt;&lt;/span&gt;lvimentista que remonta aos tempos de nossas duas ditaduras (a de Getúlio e a militar). Vou votar contra desejos latentes de controle de mídia. VOU VOTAR 45!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="messageBody"&gt;(Postado no Facebook - &lt;a href="http://www.facebook.com/home.php?#!/profile.php?id=1816946468&amp;amp;v=wall"&gt;http://www.facebook.com/home.php?#!/profile.php?id=1816946468&amp;amp;v=wall&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-6649443201458148838?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/6649443201458148838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=6649443201458148838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/6649443201458148838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/6649443201458148838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/10/declaracao-de-voto.html' title='Declaração de voto'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-1043176765790925513</id><published>2010-10-23T01:44:00.004-02:00</published><updated>2010-10-24T15:54:37.751-02:00</updated><title type='text'>Por que não se deve levar tão a sério as pesquisas eleitorais?</title><content type='html'>&amp;nbsp; &lt;br /&gt;A resposta é extremamente simples: porque basta conhecer alguém que já tenha respondido a uma pesquisa para se detectar a fragilidade metodológica de qualquer uma delas – independentemente do instituto responsável por ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode questionar o critério de equivalência da amostra em relação aos extratos sociais da população – classe, faixa etária, renda, escolaridade, religião, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrevistam cerca de 2 mil ou 3 mil pessoas em uma pesquisa de intenção de voto para presidente, os institutos pretendem que esta seja uma “amostra” o mais fiel possível do que são os 135 milhões de eleitores brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bem: para conseguir uma “amostra” equivalente à divisão do eleitorado, os pesquisadores saem a campo – alguns tocando as campainhas das casas, outros abordando as pessoas em trânsito nas ruas. (Há também a pesquisa chamada tracking, feita por telefone, mas que não é considerada tão “fidedigna” quanto as outras.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas qual é o problema dessas pesquisas? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos partir do pressuposto que os institutos são sérios e que jamais se prestariam a “maquiar” resultados com o objetivo de favorecer ou prejudicar este ou aquele partido ou candidato(a). Portanto, essa premissa afasta qualquer a suspeita de que algum instituto esteja deliberadamente escolhendo uma “amostra” que possa resultar num resultado da pesquisa que atenda a algum interesse escuso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema poderia também estar no questionário. A estrutura dos questionários usados pelos institutos já foram alvos de muitas críticas, logo no início da campanha, após denúncias de que a ministra Dilma figurava numa pergunta de determinado instituto como “candidata do presidente Lula”. Mesmo corrigida a pergunta, os questionários ainda podem dar margem a distorções. Vejamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ibope&amp;nbsp;x Datafolha&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor coisa das eleições da era da internet é que quase tudo pode ser checado via web. Os questionários das pesquisas que ainda serão feitas, por exemplo, estão disponíveis para download para qualquer cidadão interessado. Ao analisá-los, pode-se apurar se há ou não alguma “distorção”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue uma breve comparação dos questionários das próximas pesquisas do Ibope (37596/2010) e do Datafolha (37404/2010), a primeira a ser realizada entre os dias 25 e 28/10 e a segunda, no dia 26/10 (dia seguinte ao debate da TV Record).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma diferença facilmente notada é a elaboração das perguntas: enquanto o questionário do Datafolha segue uma lógica&amp;nbsp;exclusivamente ligada à eleição, a do Ibope mescla perguntas conjunturais às questões sobre a eleição e os candidatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Datafolha, pela ordem, são perguntados a intenção de voto estimulada (não há opção espontânea), se o eleitor sabe o número do seu candidato, se sua opção&amp;nbsp;pode mudar, se viu a propaganda na TV e que nota dá a cada campanha, se assistiu ao debate da Record na véspera e se algum dos dois foi “vencedor”, se votou no 1º turno e em quem votou, se acha a religião do candidato importante na hora do voto, se um problema de saúde de um dos candidatos importa para a eleição, como avalia o governo Lula, se costuma viajar em feriados prolongados, se pretende viajar no feriado de Finados (quando acontece o 2º turno), qual o partido de sua preferência, qual sua religião, além dos dados sociodemográficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no questionário do Datafolha nota-se a ausência do tema aborto, no Ibope aparentemente tem-se um questionário mais completo (são sete perguntas a mais) que permite uma análise mais aprofundada do eleitor pesquisado. Por exemplo, o Ibope pergunta se o eleitor ou alguém de sua casa é beneficiário de algum dos programas sociais do governo federal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O fator Lula&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um lado as perguntas deixam a pesquisa mais completa, por outro podem&amp;nbsp;“contaminar” outras respostas a respeito dos candidatos e da campanha. O questionário começa perguntando “Como o(a) sr(a) diria que se sente com relação à vida que vem levando hoje?”, para em seguida perguntar em quem o eleitor pretende votar no 2º turno (resposta espontânea).&amp;nbsp;O questionário segue com perguntas na mesma linha do Datafolha – intenção de voto (estimulada), número do candidato, se mudaria a opção, a campanha na TV, os debates, o voto para presidente no 1º turno, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas perguntas não aparecem no Datafolha: se rejeita algum dos candidatos, o voto para deputado federal, quem o eleitor acha que, independente do seu voto, vai ganhar a eleição. Há uma pergunta, também, sobre os confrontos verificados entre partidários dos candidatos, e qual dos candidatos o eleitor acha que foi mais prejudicado com a repercussão destes episódios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chama a atenção é que as três perguntas de avaliação do governo Lula aparecem em meio às questões acima. Não que a sequência das perguntas possa induzir a alguma resposta, mas não dá para entender por que perguntar sobre o governo Lula antes de perguntar sobre o episódio da agressão a Serra no Rio de Janeiro, nesta semana (o episódio da bolinha de papel / bobina de fita adesiva),&amp;nbsp;e&amp;nbsp;o balão de água etirado contra Dilma em Curitiba? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome da isonomia o Ibope poderia ter deixado as perguntas sobre Lula para o final do questionário. (A oposição poderia questionar, ainda, por que a desastrosa fala de Lula a respeito do incidente contra Serra não foi incluída no questionário.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como já disse, não pretendo aqui questionar a ética dos institutos de pesquisa. Muito menos do Ibope, empresa na qual trabalhei e que jamais colocaria em risco sua credibilidade conquistada em quase 70 anos de existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pesquisa de campo sob suspeita&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois mesmo que algum candidato ou partido possa questionar o critério de elaboração do questionário da pesquisa, a maior fragilidade se encontra no "campo". Isso porque alguns dados demográficos do entrevistado (renda, escolaridade, etc.) só são perguntados ao final do questionário. Dependendo da resposta, alguns dos respondentes serão retirados da amostra, por conta desse perfil já ter sido completado.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema está em “como” é feito esse descarte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o respondente será retirado após ter respondido a todo o questionário&amp;nbsp;– ou seja, após ter declarado em quem pretende votar. Inevitavelmente a metodologia leva ao questionamento de que alguns podem ter sido descartados em razão de sua intenção de voto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a amostragem estatística prever que sejam entrevistados em determinada cidade, por exemplo, 30 eleitores na faixa de 25 a 29 anos, com nível superior e renda de 5 a 10 salários mínimos, mas acabarem sendo entrevistados 40 eleitores neste target, como será decidido o “descarte” dos 10 que sobraram da amostra? Qualquer que seja o critério, poderá gerar desconfiança ou acusações de manipulação de resultados – por parte dos candidatos em desvantagem na pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente, vale a ressalva: não dá para acreditar que um instituto como o Ibope se prestaria a um papel desses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que alguns desses institutos “sérios” (o próprio Ibope incluído) foram contratados pelo PT, para fazer outras pesquisas específicas sobre a eleição. Nesse caso, a defesa do instituto começa a ficar mais difícil, pois as&amp;nbsp;desconfianças&amp;nbsp;que são&amp;nbsp;"naturais" em qualquer processo de pesquisa ganham corpo com a hipótese de conflito de interesses envolvendo o órgão de pesquisa que deveria ser independente mas que tem vínculos comerciais com determinado partido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível fiscalizar os institutos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se somarmos&amp;nbsp;a essa "dúvida" a barbeiragem quase generalizada dos institutos de pesquisa no&amp;nbsp;1º&amp;nbsp;turno, resta-nos as teses de que a solução seria a existência de algum órgão regulador dos institutos. O próprio TSE, talvez&amp;nbsp;pudesse investigar e coibir tentativas de abuso e punir os responsáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém que seja defensor da democracia apoia iniciativas de restrição à liberdade de expressão – e as pesquisas são uma espécie de exercício da liberdade de expressão. Qualquer limitação na sua divulgação é uma forma de censura, portanto condenável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que algo precisa ser feito para aprimorar essa metodologia de pesquisa, precisa. Não-estatísticos como eu tem pouca contribuição a dar – a não ser percepções leigas como as apontadas neste texto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, bem que os institutos de pesquisa poderiam zelar um pouco mais pela sua reputação – e evitar dar munição aos seus críticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal de contas, como diz o ditado, à mulher de César não basta ser honesta... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.renatodelmanto.com.br/rdelmanto/Questionario_Datafolha_BR.pdf"&gt;Clique para acessar o formulário pesquisa Datafolha&lt;/a&gt; (em PDF)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.renatodelmanto.com.br/rdelmanto/Questionario_Ibope_BR.pdf"&gt;Clique para acessar o formulário pesquisa Ibope&lt;/a&gt; (em PDF)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-1043176765790925513?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/1043176765790925513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=1043176765790925513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/1043176765790925513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/1043176765790925513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/10/por-que-nao-se-deve-levar-tao-serio-as.html' title='Por que não se deve levar tão a sério as pesquisas eleitorais?'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-7348272708405693131</id><published>2010-10-01T11:07:00.001-03:00</published><updated>2010-10-01T11:08:53.128-03:00</updated><title type='text'>O que leva um intelectual a votar em Netinho?</title><content type='html'>Há um certo consenso entre analistas e cientistas políticos de que as eleições 2010 provavelmente sejam as de pior nível já vistas, desde o início do processo de redemocratização do país. E não se trata de apelação por parte dos candidatos, de baixarias de campanha ou de golpes baixos de marqueteiros. Trata-se da quase absoluta falta de debate político durante a campanha eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da eleição majoritária, de um lado temos o governo soberano em sua popularidade que se julga acima do bem e do mal, não admitindo (ou, no mínimo, desaprovando) a existência de críticos, seja no Parlamento, seja na imprensa. De outro lado, uma oposição que deixou de cumprir seu papel nos últimos anos (principalmente durante o segundo mandato do presidente Lula) e que agora está sendo penalizada pelos eleitores, por conta dessa omissão. Há ainda a terceira via verde, que se apresenta como a proposta mais estruturada de um governo moderno, mas que aparentemente demorou, durante a campanha, a empolgar uma parcela mais significativa do eleitorado. A quarta opção, socialista, foi uma das que mais sofreu com a falta de debate político: suas propostas de reformas radicais no sistema político e econômico caíram na vala comum do folclórico; o candidato soou, principalmente nos debates da TV, onde tinha mais tempo para se expor, como uma  espécie de “Tiririca” da esquerda legítima. Marcou mais como anedota do que como alternativa ao modelo capitalista existente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é de eleições majoritárias que se quer tratar aqui. Pois a falta de um debate político prejudica principalmente o Legislativo. Qualquer cidadão consciente sabe da importância do Parlamento para a consolidação da democracia. As gerações mais novas, nascidas após o fim da ditadura, não sabem o que é viver sob um regime de exceção. A oposição no Congresso foi um dos primeiros alvos da ditadura militar, assim como a prerrogativa presidencial de fechar o Congresso, Assembleias e Câmaras Municipais foi a primeira medida do AI-5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a tribuna do Parlamento incomoda tanto aos poderosos? Porque, no equilíbrio dos poderes de uma democracia, aquele microfone é um espaço onde a liberdade de expressão e opinião está garantida para os legítimos representantes da sociedade.  Qualquer tentativa de impedi-los de falar e de denunciar será um atentado à democracia. É função dos parlamentares cobrar dos mandatários e dos responsáveis pelas instituições o cumprimento da Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num regime democrático, quando o Congresso deixa de cumprir essa função, o cidadão perde um importante ponto de referência. Quando, além disso, o debate político simplesmente inexiste na campanha eleitoral estamos diante de um risco enorme para a democracia. Porque, sem o debate de ideias políticas, o eleitor vai ás urnas para votar sem elementos para discernir o trigo do joio, e o país corre o risco de serem eleitos representantes no Congresso sem a mínima condição de zelar por seus interesses e defender seus direitos. E o joio pode acabar prevalecendo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Senado, a situação piora ainda mais, pois os dois representantes eleitos terão mandato de oito anos. No caso de São Paulo, o pagodeiro e apresentador de TV Netinho de Paula desponta como forte candidato. Nada contra a figura dele em si, mas me questiono o ele pode agregar ao debate legislativo na Câmara Alta. Não consigo imaginar Netinho integrando uma Comissão como a de Constituição e Justiça ou de Meio Ambiente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem interessa senador despreparado ocupando uma cadeira no plenário em Brasília?  A resposta é simples: interessa aos donos do poder. Pois são esses parlamentares sem opinião que garantem a perpetuação no poder e garantem a maioria para inviabilizar qualquer movimento da oposição contrário aos interesses do governo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na crise surgida no Senado a partir da descoberta dos atos secretos, muito se falou sobre a necessidade de reformulação da Casa. Questionou-se também a legitimidade dos “suplentes”, pessoas sem qualquer representação política que ocupam as vagas de políticos eleitos (e nomeados para cargos no Executivo). Na prática do senado, esses suplentes funcionam como tropa de choque dos donos do poder. Tanto que a crise dos atos secretos acabou em pizza. &lt;br /&gt;Netinho é um exemplo dessa espécie de inocente útil ao governo no Congresso. Claro que sua votação se deve ao seu prestígio como artista e ao apoio incondicional do presidente da República à sua candidatura. Mas é difícil crer que o cantor-apresentador contribua para aprimorar o debate político. Imagine Netinho de Paula na tribuna debatendo com um Pedro Simon ou um Tasso Jereissati. Não dá para imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presença de alguém como Netinho no Congresso interessa especificamente ao seu principal cabo eleitoral, o presidente da República, o atual dono do poder no auge de seu pedestal de popularidade. Importa ao governo ter a maior bancada, que não seja para “eliminar” a oposição, como o presidente deixou escapar recentemente em um ato falho, mas pelo menos sufocá-la ao máximo. Durante os oito anos em que o pagodeiro poderá ficar no Congresso, será peça importante no projeto governista de perpetuação no poder. Será escalado para comparecer ao Senado sempre que houver sessões de votação importantes para o governo, para dar quórum. Por gratidão, deve comparecer sempre que chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, o que mais surpreende é que alguns dos petistas históricos, da chamada ala intelectual do partido, estejam convencidos de que devem votar em Netinho para o Senado. O que leva um intelectual a ter essa convicção? Será que ele realmente acredita que isso seja o melhor para a democracia do país? Será que não seria melhor até para o governo que houvesse um representante paulista no Senado de melhor nível, que possibilitasse um debate de ideias mais consistente? Esse intelectual petista, que em algum momento lutou ou defendeu a democracia, realmente acredita que isso seja o melhor para o Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que esse intelectual acredita, como o presidente, que quem não está a favor do governo faz parte da turma do contra que fica “inventando” crise o tempo todo? E que, diante disso, é melhor atender ao pedido do presidente (ou seria uma ordem?) e votar no “melhor candidato” para o projeto partidário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se compreender que essa postura a favor da perpetuação no poder e de certo desdém à democracia e às liberdades individuais parta de alguns políticos de formação “pragmática” de esquerda, que simpatizam com a ditadura do proletariado. Mas não combina com qualquer pessoa que compartilhe minimamente o ideário democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que um intelectual fica em paz com sua consciência democrática ao defender para São Paulo um senador como Netinho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-7348272708405693131?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/7348272708405693131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=7348272708405693131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/7348272708405693131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/7348272708405693131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/10/o-que-leva-um-intelectual-votar-em.html' title='O que leva um intelectual a votar em Netinho?'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-8478792530067094906</id><published>2010-05-24T10:14:00.003-03:00</published><updated>2010-05-24T10:39:51.573-03:00</updated><title type='text'>Estresse, felicidade e longevidade</title><content type='html'>Uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup perguntou a 355 mil americanos entre 18 e 84 anos seu nível geral de bem-estar, e especificamente os índices de felicidade, alegria, estresse, preocupação, tristeza e raiva que tinham sentido no dia anterior. Resultado: para os homens, a felicidade e o prazer registraram seu ponto mais baixo na faixa dos 40 anos, enquanto para as mulheres o menor índice de felicidade ficou entre 50 e 53 anos. A partir desses momentos de vida, começa uma virada significativa para cima, com a felicidade superando a raiva e o estresse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pico de estresse encontra-se na faixa dos 20 anos, mas continua alto entre aqueles de 30 e 40. Entre os homens, a capacidade de relaxar começa entre 46 e 49 anos, e entre as mulheres na faixa de 50 a 53 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estatísticas oficiais mostram que as mulheres vivem mais que os homens, mas este estudo revela que elas também sofrem mais que os homens durante a vida. Segundo o estudo, em todas as idades, os níveis de alegria das mulheres são inferiores aos dos homens. Também os índices de estresse e preocupação são significativamente superiores aos dos homens. E o grau de tristeza também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a incapacidade masculina de raciocinar sobre dois ou mais assuntos ao mesmo tempo ou o singelo prazer de sentar diante da TV e assistir a uma partida de futebol, deixando de lado um caminhão de preocupações – o que tanto irrita às mulheres em geral – expliquem em parte essa característica masculina revelada na pesquisa.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há outro dado na pesquisa que explica, também, por que a guerra dos sexos tem tanta força. Apesar de níveis distintos de alegria, tristeza, preocupação e estresse entre mulheres e homens, ao longo de toda a vida, ambos os sexos se igualam quando se avalia a raiva que cada um sente – em todas as idades.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora está explicado por que tantas brigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último sábado, o Dr. Drauzio Varella escreveu um artigo na Folha apontando as diferenças entre os sexos, desde a tenra idade, quando as meninas de dois anos já articulam frases inteiras enquanto os meninos mal conseguem "balbuciar meia dúzia de palavras que só a mamãe compreende".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Na puberdade, elas viram mocinhas de formas e gestos graciosos. Nós nos transformamos em quimeras desengonçadas, metade criança, metade homem com penugem no bigode, espinhas em vez de barba, voz em falsete e loucura por futebol."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o Dr. Drauzio que se pode alegar que os homens são mais saudáveis, enquanto as mulheres vivem cheias de achaques. "De fato, nas mulheres a cabeça dói, o útero incomoda e o intestino não funciona, mas as desvantagens acabam aí." Dr. Drauzio completa: a cada três pessoas que perdem a vida, duas são do sexo masculino. E as mulheres vivem, em média, 7,6 anos a mais que os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha conclusão: pra que brigar? Melhor não seria vivermos bem, enquanto vivemos? Já que a vida é tão curta e o estresse nos ronda durante boa parte dela? Fica a sugestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: o título do artigo do Dr. Drauzio é &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2205201029.htm"&gt;Sexo Frágil&lt;/a&gt; e a matéria original sobre a pesquisa Gallup saiu publicada no &lt;a href="http://latimesblogs.latimes.com/booster_shots/2010/05/stress-and-worry-ebb-happiness-grows-after-50.html"&gt;LA Times&lt;/a&gt;, em 17/05/2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-8478792530067094906?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/8478792530067094906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=8478792530067094906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/8478792530067094906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/8478792530067094906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/05/estresse-felicidade-e-longevidade.html' title='Estresse, felicidade e longevidade'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-4728202463391260505</id><published>2010-03-24T17:42:00.005-03:00</published><updated>2010-03-24T17:50:47.613-03:00</updated><title type='text'>Uma ode ao bom jornalismo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/S6p5VARSdVI/AAAAAAAAAEs/CBVpqgL1kBg/s1600/ex-libris2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 132px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/S6p5VARSdVI/AAAAAAAAAEs/CBVpqgL1kBg/s320/ex-libris2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452303700642133330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Para quem é jornalista, não há nada melhor do que ouvir o depoimento de um alto executivo de uma empresa de comunicação defender, com entusiasmo, o investimento das empresas no bom jornalismo. Foi o que Ricardo Gandour fez em encontro promovido pela MegaBrasil, nesta quarta-feira (24), em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diretor de Informação do Grupo Estado, comandante-mor da reforma editorial e gráfica implementada no dia 14 de março no Estadão, Gandour brindou uma audiência de pouco mais de 70 profissionais da área (em sua maioria da área de comunicação corporativa) com uma ode ao bom jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sou como o diretor de um hospital, que não consegue ficar sem fazer cirurgiais”, brincou Gandour, em relação à sua atuação como executivo da empresa e como “executor” de tarefas jornalísticas. Explicou que não consegue deixar de opinar nas pautas, de fazer sugestões e de ajudar os editores a melhorar a cobertura feita pelos veículos da casa (como diretor de Informação, é responsável pelo Estadão, JT, Rádio Eldorado, Agência Estado, Portal Estadão, Curso Estado de Jornalismo e o Arquivo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais impressiona é o entusiasmo com que o executivo fala do projeto que vem sendo desenvolvido pelo Estadão nos últimos anos. Defensor ferrenho das novas tecnologias, desenvolveu para o novo projeto um modelo de integração das várias mídias em que grupo atua. O portal Estadão, por exemplo, também foi reformulado e ganhou uma nova “marca”, semelhante à do jornal impresso, inclusive com o ícone do entregador de jornais a cavalo “Ex-Libris”, marca registrada do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o jornalismo online defendido por Gandour leva em conta os valores jornalísticos construídos ao longo de 130 anos de tradição do jornal impresso. “Antes do pontocom, vem o Estadão”, define. Um desses valores é a credibilidade, que se sobrepõe à informação que não é apurada corretamente, e acaba sendo publicada irresponsavelmente em nome da “velocidade” da web. Gandour lembrou um dos dogmas do Estadão, sempre defendido pelo patriarca da família Mesquita, Dr. Ruy: “Eu prefiro perder um furo a perder a credibilidade.” O furo faz parte do fazer jornalístico e da concorrência entre veículos, e todo jornal rapidamente se recupera do trauma de ter levado um furo. Já a credibilidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande ensinamento passado por Gandour em relação às mudanças adotadas pelo Estadão é justamente a aposta no bom jornalismo. Ele explica que não se quis reinventar a roda, ou buscar soluções mirabolantes visando a convergência de mídias. O que se buscou foi uma valorização das características intrínsecas de cada meio, de forma a retratar as histórias de interesse do leitor/internauta com a maior eficácia possível. “Cada veículo tem a sua singularidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma medida simples adotada foi a presença obrigatória do editor do portal na reunião de pauta da manhã. Ele traz as notícias que foram veiculadas ao longo da madrugada na web (“como se fosse uma janela para o mundo”) e também apresenta a repercussão que as matérias do jornal do dia estão gerando na internet. Nessa reunião é que se articulam as cooperações possíveis entre os veículos – incluídos aí o JT e a rádio – visando uma otimização de recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para definir esse modelo de sinergia, Gandour diz que “os veículos estão se tangenciando em relação às coberturas”, num processo de planejamento de pauta integrado. Ou no português claro, estão trabalhando em sintonia para evitar “baterem cabeça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O furo do Enem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A defesa de um jornalismo de qualidade foi exemplificada com o furo dado pelo Estadão em outubro do ano passado, em relação ao vazamento da prova do Enem. Ao receber a primeira proposta para “venda” da prova, a repórter Renata Cafardo conversou com o editor, ambos consultaram os editores executivos e a direção, e decidiu-se que o jornal não pagaria pelo documento. Mas ficou acertado que, se fosse verdadeira a prova à venda, haveria uma boa matéria a ser desenvolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jornalista marcou um encontro com o rapaz que oferecia a prova, num espaço público: uma filial do Frans Café na Avenida Sumaré, na Zona Oeste da Capital, que possuía mesas numa espécie de varanda, onde a conversa pudesse ser monitorada de longe (para segurança da repórter) e que ainda permitisse que um fotógrafo registrasse o encontro do outro lado da avenida. O encontro ocorreu no início da noite e a repórter pediu para ver a prova, para ter certeza de que era verdadeira. Ela pôde fazer isso por cerca de apenas 1 minuto e meio – tempo suficiente para memorizar algumas poucas perguntas. Em seguida, disse ao “vendedor” que o jornal não fazia esse tipo de negócio e cada um tomou seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à redação, decidiu-se que o jornal iria informar sobre a proposta recebida ao próprio Ministro da Educação, por e-mail. A mensagem indicaria os temas tratados na primeira pergunta de algumas páginas – que a repórter conseguiu memorizar. A redação aguardou a confirmação, por parte do Ministério (se as perguntas constavam da prova), antes de seguir adiante com a matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, o ministro reuniu-se com os 4 assessores que possuíam, cada um deles, um pedaço da senha que abria o cofre onde estavam guardadas as provas. A confirmação do Ministério de que a prova era verdadeira chegou à redação por volta de 0h15, junto com a informação de que o ministro convocaria uma coletiva para o dia seguinte, anunciando o cancelamento da prova do Enem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi um caso típico de ‘parem as máquinas’,” lembra Gandour. O editor Marcos Gutterman tomou essa decisão e mudou a manchete do jornal. A edição com o furo atingiu apenas 90 mil assinantes da capital, mas foi um marco da história recente do jornal. Gandour confidenciou que, internamente, discutiu-se muito se, caso a confirmação tivesse chegado uma hora mais tarde, e o furo tivesse sido dado apenas pelo portal Estadão, a repercussão teria valorizado tanto a exclusividade do veículo, como ocorreu de forma generalizada no restante da imprensa. Fica no ar a dúvida. Mas seguramente a credibilidade do impresso pesou na repercussão do furo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, a lição que fica é a de que o bom jornalismo predominou na reforma do Estadão. Nas palavras de Ricardo Gandour, a criação de uma “fonte” gráfica exclusiva para o jornal é uma prova de que o jornal ainda acredita no impresso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A gente acredita na convergência das mídias. A gente acredita no poder da mídia digital. Mas a gente acredita muito no papel. Acreditamos muito no prazer da leitura em papel. Enquanto ela existir, faremos o melhor jornal possível.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-4728202463391260505?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/4728202463391260505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=4728202463391260505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4728202463391260505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4728202463391260505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/03/uma-ode-ao-bom-jornalismo.html' title='Uma ode ao bom jornalismo'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/S6p5VARSdVI/AAAAAAAAAEs/CBVpqgL1kBg/s72-c/ex-libris2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-4113073879542070423</id><published>2010-01-11T12:16:00.009-02:00</published><updated>2010-06-23T11:22:30.304-03:00</updated><title type='text'>O ser corporativo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TCIYXZvHO3I/AAAAAAAAAE0/lS01_MZzCKs/s1600/ser-corporativo.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 425px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TCIYXZvHO3I/AAAAAAAAAE0/lS01_MZzCKs/s320/ser-corporativo.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485974086415235954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um artigo recente de Leonardo Soares Grapeia reflete sobre o quanto a resiliência faz determinados profissionais destacarem-se no mundo corporativo. Essa competição no ambiente de trabalho – e, ainda mais do que ela, o estresse na busca por resultados e cumprimento de metas – pode causar as mais variadas reações no ser humano. Elas podem ir do mau humor às doenças psicossomáticas. A resiliência – conceito emprestado da Física, que é a capacidade de acumular energia quando exigido ou submetido a grande pressão, voltando em seguida ao seu estado original, sem deformação – é a sugestão de Grapeia para encarar a pressão do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “ser corporativo” é alguém acostumado a conviver a maior parte do tempo de sua vida num ambiente em que as relações se dão em torno de uma organização, não das pessoas. Ele está ali porque possui um “sobrenome” corporativo, que justifica seu posto, seu status, e determina a forma como os demais profissionais se relacionam com ele. É ali que ele passa, tranquilamente, mais de 70% de seu dia “útil”, já subtraídas dessa conta as horas de sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações no ambiente corporativo, sejam elas via e-mail, telefone ou face a face, não são exatamente relações “pessoais”. Certa vez, um colega que trabalhava há mais de 20 anos na empresa, ao saber que tinha havido uma festa, na qual havia comparecido a maior parte das pessoas daquele departamento, lavrou uma frase emblemática, que traduz essa relação: “Depois de tantos anos trabalhando aqui, descobri que não tenho amigos; tenho vizinhos de mesa.” Tinha razão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ambiente corporativo, o convívio permite que você entenda claramente os perfis comportamentais de seus colegas, e esse conhecimento permite o desenvolvimento da capacidade de saber co-habitar com esses comportamentos – de forma a manter ameno o clima organizacional e preservar o seu próprio equilíbrio emocional. Qualquer bom profissional que pretenda ter uma carreira bem-sucedida precisa desenvolver essa habilidade. Do contrário, será tachado como intempestivo, impaciente, pouco flexível, refratário, rabugento e outros adjetivos pouco ou nada abonadores. Enfim, seu potencial profissional estará comprometido, por melhor que seja seu desempenho do ponto de vista técnico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber conviver com esses diferentes perfis comportamentais é uma arte. Principalmente quando alguns desses “atores” têm transtorno bipolar, em qualquer grau de intensidade. Falar a frase errada no momento errado é a pior coisa que pode acontecer diante de um colega com essas características. O “ser corporativo” sabe distinguir esses momentos de altos e baixos dos outros, e tem agilidade de raciocínio suficiente para adequar seu discurso ao estado de espírito do interlocutor. É uma arte mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cena corporativa, o profissional jamais pode esquecer que as relações baseiam-se em papéis que estão sendo interpretados, naquele momento, por cada um dos atores de uma organização. Você é o que seu cargo e a empresa representam. A maior ilusão que um profissional pode alimentar é a de que o seu papel corporativo baseia-se apenas na sua trajetória, competência, credibilidade, reserva ética, enfim, no seu histórico pessoal e no seu profissionalismo. Esses fatores são essenciais para a construção de uma reputação profissional, mas o papel corporativo que você desempenha é mais do que isso: está intrinsecamente ligado à organização para a qual trabalha. Sem essa corporação como suporte, seu papel será outro, e algumas das credenciais a que tinha direito deixarão de existir naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser corporativo deve ter consciência dessa finitude que permeia a relação entre o profissional e a organização. Tem de saber identificar os momentos em que pode ascender, o momento certo de se posicionar, de se arriscar, e principalmente o momento em que deve se calar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui voltamos à questão da resiliência. É uma habilidade que se conquista com a experiência, com o tempo, com a maturidade. E adquiri-la não significa humilhar-se ou diminuir-se. Significa saber a hora certa de colocar seu ponto de vista. Em seu artigo, Leonardo Grapeia sugere algumas dicas para desenvolver de maneira saudável a resiliência. Duas delas, especialmente, valem a pena ser destacadas:&lt;br /&gt;• Procure manter o lar em harmonia, pois este é o “ponto de apoio” para recuperar-se;&lt;br /&gt;• Separe bem quem você é do que você faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: para que o ser corporativo não se deixe engolir pelo universo da corporação, é importante se lembrar que há vida além da empresa. Lembrar que seus laços familiares e de amizade são a ossatura de sua personalidade e de seu caráter (que, afinal, são características de um profissional mais prestigiadas que a competência técnica); que ele não é a empresa e que a empresa não é ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se conseguir entender as coisas de forma separada, terá sucesso no mundo corporativo, e será feliz na vida pessoal. Afinal de contas, é isso o que é que mais importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Para ler o artigo que inspirou este aqui, clique &lt;a href="http://br.hsmglobal.com/notas/55438-destaque-se-seja-resiliente"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;(Publicado originalmente em 22/12/2009 no portal &lt;a href="http://www.resultson.com.br/site/blog/artigo-o-ser-corporativo/"&gt;ResultsOn&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-4113073879542070423?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/4113073879542070423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=4113073879542070423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4113073879542070423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4113073879542070423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/01/o-ser-corporativo.html' title='O ser corporativo'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TCIYXZvHO3I/AAAAAAAAAE0/lS01_MZzCKs/s72-c/ser-corporativo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-4365232076121342075</id><published>2010-01-11T10:59:00.013-02:00</published><updated>2010-01-11T12:59:58.247-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil 2010'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perseu Abramo'/><title type='text'>Mensagem de ano novo: Ânimo</title><content type='html'>Reproduzo um texto escrito em 1988 pelo jornalista &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Perseu Abramo&lt;/span&gt; (1929-1996), que ilustra bem o espírito deste primeiro ano da nova década - apesar de ter sido escrito em um mundo e num contexto completamente distinto do atual. O texto se chama &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"Ânimo"&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Desânimo agita a alma do povo. De norte a sul, de leste a oeste. Ou do Oiapoque ao Chuí, como se dizia antigamente. Não pode ser por escassez de problemas. Talvez por excesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que há vários tipos de desânimo. Há o desânimo-indiferença, mal de que sofrem muitos cidadãos. Variante tanto-faz-como-tanto-fez. Tudo se passa como se cada um estivesse isolado dos outros. Como se o que acontece ao redor não afetasse todos, um a um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o desânimo-ceticismo. Muita gente percebe os males do mundo, e também percebe parte desse mundo. Mas acha que não pode mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o desânimo-indiferença. O cidadão até que gostaria de apostar nisso ou naquilo, nesse ou naquele. Mas já foi traído tantas vezes… Não quer arriscar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há o desânimo-descrédito. O cara já participou, já votou, já elegeu, fez passeata, comício, abaixo-assinado, passou lista, vendeu bônus, entrou em greve, carregou faixa, pichou parede, propôs na assembléia, gritou, berrou, aplaudiu e vaiou. E tudo continua na mesma. Ou pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também o desânimo-raiva. Cuidado! Muitos estão com esse. Vontade de virar a mesa, botar tudo de pernas para o ar, chutar o pau da barraca, ver o circo pegar fogo. E raiva de não conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há ainda o desânimo-desesperança, desânimo-impaciência, desânimo-inutilidade, desânimo-do-quanto-pior-melhor, desânimo-estou-em-outra, desânimo-burrice, desânimo-que-vantagem-eu-levo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem leva vantagem com todo esse desânimo? Só os que estão por cima e querem continuar, imperando impunes sobre a geléia geral, a apatia generalizada, a descrença fatalista das multidões. Não é um desânimo natural, é artificial, sabor facismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ânimo, pois. É preciso romper a inércia, desfazer os nós, separar o joio do trigo, explicar as diferenças, insistir nos detalhes, não se conformar, indignar-se, resistir, não se resignar, lutar, avançar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Texto de Perseu Abramo, publicado originalmente pela Folha da Tarde, em 11/08/1988)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:';font-size:11;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-4365232076121342075?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/4365232076121342075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=4365232076121342075' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4365232076121342075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4365232076121342075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2010/01/mensagem-de-ano-novo-animo.html' title='Mensagem de ano novo: Ânimo'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-7248927395140744898</id><published>2009-09-09T18:57:00.013-03:00</published><updated>2009-10-01T22:43:55.282-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estadão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saul Galvão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='JT'/><title type='text'>Setembro sem Saul Galvão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SqhUpFwi6OI/AAAAAAAAADk/95ZoPSDdpCA/s1600-h/Saul_OsvaldoPavanelli.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px; display: block; height: 279px; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379642819791218914" alt="Saul em Paris, por Osvaldo Pavanelli" src="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SqhUpFwi6OI/AAAAAAAAADk/95ZoPSDdpCA/s320/Saul_OsvaldoPavanelli.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O dia 9 de setembro de 2009 é uma daquelas datas que, por sua composição cabalística (09/09/09), só voltará a acontecer daqui a mil anos. Mas para todos aqueles que conheceram de perto Saul Galvão é uma data para se lamentar. O melhor crítico de restaurantes que conhecemos nos deixou justamente nesta data peculiar, em sua cidade natal, Jaú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saul era humilde, espirituoso, às vezes sarcástico, à primeira vista mal-humorado, mas um amigo como poucos. Convivi com ele durante 10 dos 30 anos em que ele trabalhou no Estadão. Primeiro como chefe de reportagem, depois como editor, e sempre como amigo e aprendiz. Foi Saul quem me ensinou a degustar bons vinhos, levou-me a conhecer novos restaurantes e a apreciar, principalmente depois de conhecer esses lugares “sofisticados”, uma comida simples e bem-feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saul degustava com o mesmo prazer um prato elaborado por Massimo Ferrari e um carneiro na brasa da churrascaria Peruchão, que ficava próxima ao Estadão. Gostava de rabada, de picadinho à paulista, de bolinho de bacalhau. Muitas vezes solicitava a companhia de Priscilla, minha mulher, para ajudá-lo a “testar” as sobremesas dos restaurantes que criticava. Sim, ele preferia os pratos quentes à pàtisserie. Gostava de iniciar o jantar (ou o almoço) com uma cerveja de aperitivo, mesmo que logo em seguida um vinho acompanhasse a comida. Gostava de comida simples, mas detestava restaurantes por quilo. Aquele banho-maria dos buffets, para ele, comprometia a qualidade de qualquer prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito tempo, antes mesmo de se tornar um rosto conhecido no meio gastronômico, preferia entrar e sair anônimo dos restaurantes. Nessa época, algumas vezes testemunhei-o sendo “flagrado” pelo dono do restaurante, que insistia em não lhe cobrar pela refeição. Mesmo assim, para assegurar a independência de sua crítica, Saul voltava anônimo ao local e pagava uma segunda conta. Por ser assim, ele conquistou tamanha credibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Redação, ele era um bom companheiro nas manhãs tranquilas e silenciosas, quando eu era chefe de reportagem. Ele, além de crítico, garimpava diariamente as matérias do New York Times que poderiam interessar a cada uma das editorias do Estadão e do JT, manuseando folhas carbonadas saídas de um jurássico telex. O cardápio de pautas que ele preparava, com matérias candidatas a serem traduzidas e republicadas, não por acaso era chamado de “Menu dégustation”. Esse cardápio era recheado de impressões pessoais e por vezes de fina ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saul gostava de contar histórias sobre seu estágio na redação do Washington Post, nos anos 70, quando ele era um jovem repórter da editoria de Internacional do Estadão, e o jornal americano vivia seu auge, logo após o caso Watergate. Gostava de falar do São Paulo, seu time do coração desde que desembarcou em São Paulo, nos anos 60. Gostava de reclamar da vida, de reclamar do trabalho, de lamentar a perda de qualidade que o JT apresentava nos anos 90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Saul que todos conheceram, o especialista em comidas, era uma pessoa singular. Ele era muito didático sempre que alguém na mesa demonstrasse desconhecimento em relação a essa ou aquela receita que estava sendo degustada. Seu sorriso se abria tal era seu prazer em descrever, em detalhes, o modo como aquele prato era preparado. Por isso conseguia escrever com tanta naturalidade sobre comida e receitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que isso, era extremamente solidário. Foi ele quem me ajudou a escolher o vinho que seria servido em meu casamento. Prontamente aceitou o “sacrifício” de visitar algumas lojas da cidade experimentando alguns brancos que melhor se adequassem ao seu paladar exigente e, também, ao meu apertado orçamento. Tarefa difícil, mas cumprida com louvor por ele. Foi Saul, também, quem me deu de presente (de casamento) minhas primeiras taças de degustação padrão ISO, compradas na loja “A Queridinha”, no bairro do Ipiranga (outra virtude dele era fazer achados como esse na cidade de São Paulo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um respeitado crítico gastronômico, mas topava encarar uma maratona jornalística pelas choperias da cidade, avaliando criteriosamente o chope de cada uma em busca do melhor da cidade. Ao final da empreitada, ganhei dele um termômetro para medir a temperatura da bebida, utilizado durante esse trabalho "científico". Não hesitava tampouco diante da proposta de comandar um júri de famosos para uma degustação de uma bebida elaborada artesanalmente para a primeira edição dominical do JT. E olhe que a bebida em questão era resultante da “fórmula secreta” da Coca-Cola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saul viajou muito, participou de vários júris de concursos de vinhos em diversos países, mas se dependesse de sua vontade própria sempre iria a Paris, e somente a Paris. Ainda nos anos 90, comprou do colega Reali Jr. um pequeno apartamento na capital francesa, e para lá viajava religiosamente todo ano, durante suas férias, que também eram marcadas religiosamente para o mês de setembro. Paris é linda em qualquer época do ano, como diria Cole Porter, mas no outono é ainda mais bonita. Ironicamente, foi no mês de setembro que Saul se despediu desta vida, e infelizmente longe de sua querida Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos amigos fica a lembrança e a saudade de seu inconfundível jeito de escrever, imortalizado em ‘Tintos e Brancos’ e em tantos outros livros. Mesmo se dizendo ateu, Saul, que Deus cuide bem de você, onde quer que você esteja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-7248927395140744898?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/7248927395140744898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=7248927395140744898' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/7248927395140744898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/7248927395140744898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2009/09/setembro-sem-saul-galvao.html' title='Setembro sem Saul Galvão'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SqhUpFwi6OI/AAAAAAAAADk/95ZoPSDdpCA/s72-c/Saul_OsvaldoPavanelli.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-4406136047788147384</id><published>2009-03-03T18:24:00.002-03:00</published><updated>2009-03-03T18:33:18.270-03:00</updated><title type='text'>A charge da discórdia</title><content type='html'>&lt;div&gt;A imprensa americana debateu recentemente os limites que separam a liberdade de expressão da prática do racismo. A razão foi uma charge publicada no dia 18 de fevereiro pelo tablóide New York Post, inspirada por um rumoroso caso ocorrido em Connecticut: um chimpanzé domesticado que teve um surto, atacou uma amiga de sua dona e acabou sendo abatido a tiros pela polícia. A notícia, em si, ganhou o costumeiro destaque nos espaços dedicados ao sensacionalismo – nos jornais, TV, internet, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os ingredientes que deram “noticiabilidade” ao fato pode-se listar alguns: o animal tinha 15 anos, pesava 74 kg e nunca tivera tido um surto; era treinado para usar o banheiro, sabia vestir a própria roupa e até era capaz de fazer o login no computador da dona; ele havia escapado uma vez em 2003, mas na ocasião ninguém foi ferido por ele até ser encontrado; segundo as primeiras informações, sua dona teria dado a ele Xanax na manhã do ataque (o que ela nega); no passado, o chimpanzé atuou como garoto-propaganda em comerciais da Coca-Cola e da grife Old Navy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esse último argumento tenha dado o “tempero” especial para que a imprensa sensacionalista dedicasse tanta atenção ao fato. Talvez tenha sido também esta razão que tenha levado o cartunista Sean Delonas a mesclar a comoção gerada pelo assunto com o pacote econômico do presidente Obama. Foi aí que o jornal e o cartunista escorregaram. Num país que elegeu pela primeira vez em sua história um presidente negro, fazer piada envolvendo o primeiro pacote econômico do governo com um chimpanzé significa dar margem a todo o tipo de interpretações, por mais que não tenha havido qualquer outra conotação na publicação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/images/526FDS001.jpg" border="0" /&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tempos atrás, uma piada (de mau gosto, diga-se de passagem) sobre a performance de Daiane dos Santos na Olimpíada gerou semelhante revolta. Fazia referência aos tipos de bananas (ouro e prata) e à medalha olímpica (bronze). O fato de ser negra e de bananas serem o alimento predileto dos macacos gerou a interpretação racista da piada. Nesse caso brasileiro, como se trata de uma piada apócrifa, não cabe julgar (ou inferir) sobre as intenções do autor, já que se trata de um desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do jornal New York Post, não: há um editor responsável pelo diário e o próprio cartunista pode ser criminalmente responsabilizado por alguma “obra” que venha a ser considerada racista ou discriminatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os que ficaram revoltados com a publicação da charge, está o cantor e compositor John Legend. Vencedor de cinco prêmios Grammy, ele escreveu em seu site uma carta aberta ao NY Post, em que se pergunta que motivos teriam levado o jornal a publicar tal charge. “Eu imagino que vocês devem ter achado graça em sugerir que alguém que é responsável por elaborar um Plano Econômico deva ter a mesma inteligência e o juízo de um violento chimpanzé surtado, e que deveria igualmente ser abatido pela polícia para proteger os cidadãos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Legend, que foi descoberto ainda adolescente, quando cantava música gospel na igreja, já teve composições gravadas por cantoras como Alicia Keys e Janet Jackson e tocou na festa de posse de Barack Obama. O artista desafia o jornal a respeito das origens e da biografia do presidente: “Não ocorreu a vocês que essa sugestão poderia sugerir uma conexão entre o presidente Obama e o chimpanzé surtado?” Ele lembra, na carta aberta, que Obama recebeu algumas ameaças de morte desde que anunciou sua candidatura. E que, historicamente, os negros têm sido comparados aos macacos, “como forma de racismo ou de escárnio”. E pergunta: “Vocês pretendiam invocar esses temas repugnantes quando publicaram a charge?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte à publicação da charge, o jornal retratou-se perante a sociedade, seus leitores e internautas (a página com a charge foi, naquela semana, uma das mais acessadas e enviadas pelos internautas a outras pessoas). Com o título “That Cartoon” (Aquela Charge), o texto dizia que a charge pretendia “zombar de um pacote de estímulo federal que parecia escrito de maneira inepta”. Dizia ainda que foi interpretada “como um retrato de Presidente Obama, como uma expressão velada de racismo”. O texto afirma que não houve de forma alguma essa intenção e mais: “a todos que se sentiram ofendidos, pedimos desculpas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal, que foi fundado em 1801 e desde 1993 pertence ao magnata da imprensa Rupert Murdoch, diz ainda no seu editorial que o episódio foi explorado na mídia por pessoas que, no passado, tiveram “diferenças” com o Post – “e que viram nesse incidente uma oportunidade de revanche”. E completa: “A esses, não pediremos desculpas”.&lt;br /&gt;Apesar da conotação ideológica que o jornal tentou dar ao episódio, é mais prudente limitarmo-nos a entendê-lo como uma série de reações exageradas a um ato de criação de um desenhista-humorista talentoso e insuspeito em relação ao racismo.&lt;br /&gt;Vale lembrar que, em junho do ano passado, o mesmo Obama, ainda candidato, foi alvo de episódio semelhante, quando a revista New Yorker publicou na capa uma charge dele e da mulher, Michelle, vestidos como terroristas muçulmanos. A revista, fundada por Harold Hoss há exatos 84 anos produz um dos melhores exemplos de jornalismo de qualidade no mundo, também é insuspeita em relação a qualquer conotação racista. O autor da capa ilustrando Obama como terrorista é Barry Blitt, que batizou seu desenho de “A Política do Medo”.&lt;br /&gt;Certa vez, Eugênio Bucci definiu, neste Observatório, o cartunista Paulo Caruso como “um dos mais sagazes cronistas da política brasileira (...) que escreve com desenhos em lugar de frases”. A mesma definição poderia ser aplicada a Barry Britt e a Sean Delonas.&lt;br /&gt;Britt é autor de outras tantas capas da New Yorker, que mostram talento e independência ideológica ao retratar situações políticas. Em resposta às críticas feitas à sua charge, o artista disse à época que seu objetivo era mostrar que “os que chamam Obama de antipatriótico (por isso, representado como terrorista) são irracionais”. Segundo ele, a intenção foi mostrar o quanto ridícula é a cultura do medo que cercava a campanha de Obama.&lt;br /&gt;Já o cartunista Sean Delonas é responsável pela charge da página 6 do NY Post há mais de 10 anos. Desenhista e cartunista premiado, é também autor do afresco do altar da nova Igreja St. Agnes, em Nova York, reconstruída em 1997 após ter sido destruída por um incêndio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade é que o New York Post não é a New Yorker, assim como o seu jornalismo está a anos-luz atrás do praticado pela revista semanal. Fato é também que uma foto de uma celebridade espancada pelo parceiro ocupará seguramente a capa do jornal, enquanto a revista continuará optando por publicar charges e desenhos em sua capa, sem título, como o faz há mais de 80 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas daí a concluirmos que houve uma intenção de ser racista é outra história. Basta lembrar que um dos dirigentes do jornal, em seus primeiros anos de existência, ainda no século 19, quando se chamava The Evening Post, foi Oswald Garrison Villard. Seu avô William Lloyd Garrison foi um notório abolicionista. O próprio Oswald foi membro fundador da Associação Nacional para Integração dos Negros e da União Americana pelas Liberdades Civis. Claro que a Era Murdoch em nada se assemelha ao passado do Post. Mas mesmo um tablóide que vive de manchetes sensacionalistas sabe que tem uma reputação a zelar – e que atos explícitos de discriminação racial ou religiosa afugentam até mesmo os leitores ávidos por notícias sobre o Big Brother.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso, no entender do Sr. Murdoch, representa queda no faturamento. Nem que fosse por esse motivo, o New York Post não publicaria deliberadamente uma charge racista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-4406136047788147384?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/4406136047788147384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=4406136047788147384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4406136047788147384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/4406136047788147384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2009/03/charge-da-discordia.html' title='A charge da discórdia'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-8124875983033834703</id><published>2009-01-31T23:36:00.022-02:00</published><updated>2009-02-01T01:02:08.430-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lula'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ruy mesquita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vox populi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='renato delmanto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='muylaert'/><title type='text'>O barão da imprensa entrevista Lula, o sindicalista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYUFMextMWI/AAAAAAAAAC0/BwZbaTbhbSQ/s1600-h/capa+revista1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 252px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYUFMextMWI/AAAAAAAAAC0/BwZbaTbhbSQ/s320/capa+revista1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297646248649372002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;Lula tornou-se uma figura pública em 1978, quando liderou a greve do ABC paulista. Naquele ano, o jornalista Ruy Mesquita fez uma histórica entrevista com ele, que durou quatro horas. Passados 26 anos, o patriarca do Grupo Estado cedeu este material a este jornalista. É um documento histórico que disseca o pensamento do então jovem líder sindical, que viria a se tornar presidente da República&lt;/b&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;&lt;strong&gt;Por &lt;st1:personname productid="Renato Delmanto" st="on"&gt;Renato Delmanto&lt;/st1:personname&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;st1:personname productid="Renato Delmanto" st="on"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;(Matéria publicada no portal AOL, em 17 de setembro de 2004)&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;Em junho de 1978, o então diretor do Jornal da Tarde, Ruy Mesquita, fez uma histórica entrevista com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Luiz Inácio da Silva. A idéia da entrevista surgiu após Mesquita ter assistido à participação de Lula no programa ‘Vox Populi’, da TV Cultura. Mesquita comentou com Luís Carta, proprietário da Carta Editorial, que ficara impressionado com o surgimento de um líder proletário autêntico, “incontaminado política ou ideologicamente”. No dia seguinte, o amigo Luís Carta pediu a Mesquita (“meio à traição”, lembra) que entrevistasse Lula, então com 32 anos, para a revista Senhor Vogue. Apenas uma pequena parte do material foi publicada. Passados 26 anos, Ruy Mesquita, hoje o patriarca da família proprietária do Grupo Estado, entregou com exclusividade a este jornalista as 139 laudas com a transcrição das quase quatro horas de conversa com Lula.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;O material é riquíssimo, não apenas pelo fato de Lula ter se tornado presidente da República. É precioso principalmente por dissecar o pensamento do então sindicalista e por mostrar como surgiu aquele movimento operário em pleno governo militar, independentemente de partidos ou lideranças políticas estabelecidas. É um documento histórico, que retrata uma época em que as instituições, ainda traumatizadas por catorze anos de ditadura militar, tentavam reaprender a conviver com as liberdades democráticas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;O Brasil vivia os últimos meses do governo do general Geisel e estava em curso o projeto de abertura lenta e gradual. Havia apenas dois partidos políticos, a governista Arena, e o MDB, de oposição. A imprensa recomeçava a experimentar certa liberdade, três anos depois do assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões do DOI-Codi, &lt;st1:personname productid="em São Paulo. Mas" st="on"&gt;em São Paulo. Mas&lt;/st1:personname&gt; ainda havia o ranço da censura, tanto que a entrevista de Lula à TV Cultura por pouco não foi vetada pelos militares.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;A presente edição não pretende contrapor as idéias do Lula sindicalista às do Lula presidente. O propósito é resgatar aquele momento histórico, que precedeu a transformação do dirigente sindical em líder político nacional.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;No texto publicado na revista Senhor, Ruy Mesquita ambienta a entrevista: “O encontro foi na minha casa, numa dessas noites frias do começo de junho e o papo, descontraído, sem qualquer tipo de policiamento mental, regado a whisky (eu) e pinga (ele)”. A conversa foi presenciada pelos quatro filhos de Mesquita e pelos jornalistas Paulo Mendonça e Jorge da Cunha Lima, então diretores da Senhor. Mesquita diz ainda: “A conversa fluiu tão espontaneamente, tão gostosamente durante as quase quatro horas que durou, que não houve tempo para, e nem havia sentido mais, um interrogatório estilo bate-pronto”.&lt;/p&gt;  &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYT_5woFNWI/AAAAAAAAACE/19nmij5Ny4k/s1600-h/Dr+Ruy.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 130px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYT_5woFNWI/AAAAAAAAACE/19nmij5Ny4k/s200/Dr+Ruy.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297640429465187682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No ‘Vox Populi’, Lula dissera não ter ambições políticas. Na conversa com Ruy Mesquita (foto), revelou-se apartidário e um tanto avesso às velhas lideranças de esquerda. Criticava universitários (“eles serão os patrões de amanhã”) e dizia-se comprometido apenas com as causas dos trabalhadores. Criticava também certas posturas da imprensa (“eu passei a ter a coragem de responder àquilo que a imprensa me perguntava”), embora admitisse que o movimento dos metalúrgicos devia à mídia grande parte da notoriedade que conquistou.  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;Uma das principais preocupações de Mesquita na entrevista é extrair de Lula a inclinação ideológica do interlocutor. No entanto, o sindicalista se mostrava, também ali, independente. Admitiu, por exemplo, que o sindicalismo só era forte no sistema capitalista (“onde existe a ganância do poder, a ganância do ganhar bem”). E que era preferível trabalhar na iniciativa privada do que para o patrão estatal. O Lula revelado na entrevista não era, portanto, um socialista.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;O sindicalista admitia ter uma visão simplista sobre temas como política externa e macroeconomia. Indagado sobre o que faria com o salário mínimo caso um dia chegasse à Presidência, Lula responde: “Se fosse governo, a primeira coisa que faria seria a experiência de viver com 1.560 cruzeiros (equivalentes à época a 90 dólares). Eu desceria até o povão para ver, ia procurar uma casa para alugar, eu iria na feira fazer as despesas com a minha esposa e iria decretar um salário mínimo condizente com o povo brasileiro.”&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;“A minha análise é muito simplista como trabalhador”, admite. Lula tinha, como definiu Ruy Mesquita, uma “singeleza de objetivos”: defendia que o maior número possível de trabalhadores pudesse ter um nível de vida compatível com a dignidade humana. “Um trabalhador precisaria ganhar o suficiente para usar um terno bonito, para ele ter um carro, para ele ter uma televisão a cores, para ele ter, enfim, aquilo que ele produz.”&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;Esse posicionamento de Lula, na análise do barão da mídia paulista, irritava “os ideologicamente engajados, da imprensa, da política, das universidades”. Para o jornalista, até àquele momento, esses “engajados” tinham visto “baldados seus esforços para manipulá-lo em benefício de seus interesses políticos ou ideológicos, que nada têm em comum com os interesses que Lula defende”. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;Em 1978, ao finalizar a reportagem, Dr. Ruy Mesquita escreveu que se tratava do surgimento, pela primeira vez na história do sindicalismo brasileiro, de um líder em estado de pureza. “Se vai continuar assim depois que passou a ocupar as primeiras páginas dos jornais, depois que passou a ser vedete da televisão, depois, afinal, que a liberdade de imprensa permitiu que ele, quer queira quer não, passasse a exercer uma liderança ‘política’, só o futuro dirá.”&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;Não foi o que ocorreu: já no segundo semestre de 1978, Lula começou a amadurecer, juntamente com sindicalistas como Jacó Bittar e Olívio Dutra, a idéia de criação de um partido. Em fevereiro de 1980 foi fundado o PT, com a participação de lideranças da esquerda do MDB, integrantes de partidos clandestinos e intelectuais. Enfim, o PT nasceu com a participação de alguns daqueles “engajados”, e Lula sempre foi sua principal estrela política. Em 2002, foi eleito para a Presidência da República, com 52 milhões de votos.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;A seguir, confira alguns trechos dessa entrevista:&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Os estudantes são os patrões de amanhã"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Na entrevista, Lula critica a forma preconceituosa como as elites olhavam para a classe trabalhadora – particularmente na forma como os estudantes, embora empenhados em colaborar com a luta sindical, se relacionavam com o movimento. Para ele, os estudantes são os patrões do futuro. “Os únicos estudantes honestos que eu vi foram os da Fundação Getúlio Vargas”, dizia Lula. Isso porque eles o procuraram para conversar, mas admitiam não ter capacidade de agregar os trabalhadores. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Você acha que existe um preconceito contra o trabalhador?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Um dia, eu estava jogando bilhar e chegou um jornalista: “Ô, Lula, muito prazer &lt;st1:personname productid="em lhe conhecer. Eu" st="on"&gt;em lhe conhecer. Eu&lt;/st1:personname&gt; acho que até tenho de lhe dar os parabéns. Só que eu acho que você estava errado na pergunta daquele estudante (referindo-se a um encontro de Lula com estudantes, no qual o sindicalista foi criticado por vestir um terno com colete). Eu não admito que um trabalhador de salário mínimo use terno bonito”. O cara chamou a atenção de todos que estavam lá no bar. Eu falei: está a fim de brigar comigo? Porque, primeiro, eu não sou trabalhador de salário mínimo; segundo, se eu pudesse eu me vestia muito melhor do que eu me vesti naquele dia. E eu posso lhe garantir até que muitos trabalhadores, na minha profissão, ganham muito mais que você, que é jornalista. Agora, você quer ter o direito de ter um carro e eu tenho de comer num coxo? Precisa acabar com esse conceito. Quando os estudantes resolveram fazer um ato público para angariar esmolas para a classe trabalhadora, eu fiz uma nota oficial – vão dar esmola para a mãe deles. O trabalhador tem de encontrar forças para brigar, para se defender.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Quem gosta de miséria é intelectual. Já dizia o (cineasta italiano Pier Paolo) Pasolini: quando a polícia se encontra com os estudantes, o proletariado é a polícia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu tenho dó desses meninos. Eu tenho dó porque outro dia chegou um menino no sindicato e disse para mim: “Lula, a gente está comemorando a Semana das Liberdades Democráticas e eu gostaria que você fosse lá e batesse um papo com a gente”. Eu falei: “Qual o seu nome?” “Eu não posso falar”. Eu falei: “Olha, meu, você vai para p... Você vem aqui saber meu nome, meu endereço, saber onde eu fico e eu pergunto o seu nome e você tem medo de falar para mim? Que liberdade democrática é essa? Vamos abrir o jogo aí; o que você quer que eu vá fazer na faculdade?” Aí, quando foi outro dia, eu fui à Escola Paulista de Medicina, bater um papo com o pessoal, acho que num debate com o secretário geral do INPS. Eu fui convidado pelos estudantes e achei que os estudantes iam participar; no auge do papo, tinha estudante deitado lá. Aí eu falei: por isso que o Brasil não vai para frente. Os estudantes, que tinham de saber alguma coisa, dormem quando a gente está falando. Eu não admito molequice. Tem que tomar a coisa a sério. Eu sei que hoje eu sou o cara mais panfletado nos murais da USP. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Você está pegando má fama lá. Já, já você vai ser chamado agente da CIA.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eles são os patrões de amanhã. Pega, por exemplo, a greve da Scania. Os autênticos da FEI não fizeram greve, estão trabalhando lá como estagiários da FEI. Os únicos estudantes honestos que eu vi foram os estudantes da Fundação Getúlio Vargas. Eles chegaram lá e disseram: “Ô Lula, nós queríamos conversar com você e deixar bem claro o seguinte: não queremos submetê-lo a coisa constrangedora e tampouco nós temos capacidade de ajuntar com os trabalhadores. Nós temos consciência de que nós seremos os patrões de amanhã. De modo que nós queremos ser menos filantropos”. Eram dez estudantes da Fundação Getúlio Vargas.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Comecei a enfrentar a imprensa sem medo"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt; font-weight: bold;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Em pleno início de abertura política, em que o país saía da fase de censura, a greve de 1978 fez com que Lula se tornasse uma espécie de vedete de jornais e revistas. Apesar da ajuda que recebeu da imprensa para ganhar notoriedade, Lula criticava a atuação de alguns profissionais, que segundo ele retratavam de forma preconceituosa a classe trabalhadora. “A concepção (que a mídia) tem de trabalhador é que ele tem de ser miserável, ele tem que morar em barraco”, dizia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;O trabalhador lê jornal?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Veja, se nós analisarmos o trabalhador como um todo, ele não lê jornal. Eu acho que em todas as camadas sociais não são todos os que formam opinião. Eu acho que os trabalhadores que formam a opinião da classe trabalhadora lêem jornais. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Quando você falasse da imprensa eu gostaria até que você me ajudasse.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu costumo sempre lembrar a imprensa como fator muito importante; a gente lembra, por exemplo, a época &lt;st1:personname productid="em que o Estado" st="on"&gt;em que o Estado&lt;/st1:personname&gt; e o Jornal da Tarde publicavam muito aquelas receitas de arte culinária, aquele negócio todo (quando algum texto era censurado, mesmo na primeira página, os veículos publicavam receitas ou trechos dos Lusíadas para que os leitores percebessem o que havia ocorrido). E eu lembro que muitas vezes o único jornal que nós comprávamos no sindicato era o NP (Notícias Populares, do Grupo Folha), que tinha uma notinha pequenininha de um jornalista que falava de sindicato. Inegavelmente, de fim de 75 ou começo de 76 para cá, a imprensa começou a ficar mais livre, e eu acho que a imprensa descobriu o trabalhador. E daí aconteceu tudo o que aconteceu até hoje. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Você não pode negar que teve uma projeção muito maior por causa da imprensa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu acho que a imprensa é uma ajuda importante que eu tive. Mas se ela deixar de existir hoje, nós vamos continuar fazendo a mesma coisa. Eu nunca fiz a coisa em função da imprensa. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Vocês não têm um departamento de relações públicas com a intenção de divulgar regularmente o que vocês fazem, o que vocês pretendem?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu acho que seria muita sofisticação um sindicato de trabalhadores ter, por exemplo, uma assessoria de imprensa. Partindo do pressuposto de que caberia – pelo menos a mim, dirigente sindical – exercer uma influência de honestidade em cima da imprensa, não permitir que o jornalista escrevesse aquilo que pensa, mas escrevesse pura e simplesmente aquilo que eu queria dizer. Eu comecei a ter muitos contatos com jornalistas e comecei a fazer não coisas novas, mas eu comecei a enfrentar a imprensa como ela deveria ser enfrentada: sem medo, sem nenhum objetivo de me tornar uma vedete ou coisa parecida. Mas eu passei a ter a coragem de responder àquilo que a imprensa me perguntava – o que até então não acontecia no movimento sindical. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Deixa eu contar a nossa parte. Você chegou aqui em São Paulo há 20 anos. Você não sabe o que foi o Estado de S.Paulo, não sabe o que foi a nossa luta, não sabe pelo que nós passamos e você pensa que tivemos a vida tranqüila. O meu pai foi preso 17 vezes, foi exilado 8 anos, perdeu o jornal em nome dos princípios que ele defendia. Nós estivemos sem nada, o que nós temos até hoje é o Estado de S.Paulo e nada mais. (...) Eu lhe digo: se o Estado de S.Paulo amanhã falir, eu estou falido junto porque não tenho um tostão fora do Estado. Você pode estar certo de uma coisa, Sr. Lula, você pode concordar ou não com as nossas opiniões, mas você pode estar tranqüilo quanto à sinceridade delas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu acho que não cabe a mim concordar ou não concordar. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Você está num campo e nós estamos em outro, é evidente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Chega um pessoal (de uma revista semanal) no sindicato: “Pô, a gente precisava pegar um trabalhador.” Então eu peguei um ferramenteiro da Volks e falei: “Vai entrevistar o rapaz na casa dele”. Então foram lá. E chegou lá o fotógrafo: “Ah, pombas, eu não vou fotografar a sua casa, porque a sua casa tem carro, isso não é trabalhador”. A concepção (que a mídia) tem de trabalhador é que ele tem de ser miserável, ele tem que morar em barraco. É uma concepção errada que se faz do trabalhador, gente. Tem trabalhador que tem casa realmente luxuosa na capacidade do trabalhador. É o mínimo que ele quer de conforto.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“Em 64, eu era um molecão de 18 anos”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Em 1964, Lula tinha 18 anos e pouco sentiu os efeitos da ditadura militar. “Eu era um molecão e estava preocupado com aquilo que acontecia muito próximo”, diz. Para a sua geração de sindicalistas, os militares eram vistos como detentores do poder que nada faziam pela classe trabalhadora, mas não personificando o regime de exceção. Lula também não notava distinções entre os governantes civis apoiados pelo regime. “Para mim, Natel, Maluf, Paulo Egydio não muda nada, porque o sistema os escolheu, eles não têm compromisso com o povo.”&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Onde você estava em 64?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu era um recém-formado do Senai. Eu me lembro que – deixa ver se eu recordo bem – no dia &lt;st1:personname productid="em que João Goulart" st="on"&gt;em que João Goulart&lt;/st1:personname&gt; foi afastado...&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Deposto...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula&lt;/strong&gt; – Eu trabalhava numa metalúrgica, numa empresa pequenininha. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Como você sentiu aquilo?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Eu nem senti. Eu era um trabalhador comum ainda, quer dizer, bem desinformado. Era um molecão de 18 anos e eu estava muito preocupado com aquilo que acontecia muito próximo; com o que acontecia fora eu não estava me preocupando. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Não se preocupava?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Eu comecei a me preocupar depois... Em 68, que foi quando eu participei da minha primeira atividade de sindicato. Meu irmão (Frei Chico) era um cara muito ativista no sindicato, gostava muito.  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Qual o julgamento que a classe trabalhadora faz das Forças Armadas?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Eu até conversava com um diretor (do sindicato) sobre isso. É o seguinte: o trabalhador faz muito mal juízo das Forças Armadas. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Mal?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– É. Eles acham que, como (os militares) têm muita força, poderiam fazer muita coisa pelo povo e não fazem, sabe, passam a prejudicar o próprio povo. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Eles consideram as Forças Armadas como uma classe privilegiada?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Não, eles não consideram como privilegiados, eles consideram como uma classe forte que poderia fazer muita coisa, mas que não quer fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Eles têm medo?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Olha, eu não sei quem é que não tem medo. Eu, depois de muita experiência, passei a não ter medo, mas o trabalhador tem uma certa precaução... &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Ele acha que o militar funciona como uma espécie de guarda armado?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– O trabalhador hoje entende o seguinte: que toda a legislação existente, tudo o que existe é favorável ao patrão, é desfavorável a ele. Eu não diria o militar, eu diria o governo. Ele acha que o governo protege muito mais o empregador do que o trabalhador, quando deveria ser o inverso. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Você acha que faz alguma diferença para o trabalhador, que o governador de São Paulo seja o Laudo (Natel), o (Paulo) Maluf, o Olavo Setúbal? O problema é de homens ou o problema é o sistema?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula&lt;/strong&gt; – Eu acho que é o sistema, sabe? Eu fui muito perguntado sobre essa figura do Laudo Natel. Sei lá, para mim, Natel, Maluf, Paulo Egydio não muda nada, porque o sistema escolheu, eles não têm compromisso com o povo; têm compromisso com meia dúzia de pessoas ou com a pessoa que escolheu. Para mim não existe diferença se fosse o Maluf ou o Delfim, o Delfim ou Natel... (Naquele ano, Natel foi indicado por Brasília mas perdeu a eleição indireta, na Assembléia Legislativa, para Maluf.)&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita&lt;/strong&gt; – Aí eu acho que você está enganado...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Porque dentro do regime que a gente vive o importante são as pessoas, pois o regime é ruim.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Teria que mudar o sistema. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Mas para mudar o sistema teria que ocorrer que alguém que estivesse lá em cima contribuísse para mudar o sistema.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Ah, não. Eu acho que alguém, aqui embaixo, é que tem que mudar o sistema. É cômodo esperar que quem está lá em cima faça alguma coisa. Eu acho que nós, aqui, é que temos que mudar. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– As Forças Armadas chegaram à conclusão de que o sistema não pode continuar como está e estão mudando. Agora, até onde vai essa mudança, depende da coragem que cada um de nós, você no seu setor, eu no meu, forçarmos a mão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Vai até onde nós quisermos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– É lógico, evidente. Hoje em dia eles estão no chão. O governo não tem força para coisa nenhuma mais; o regime acabou, o sistema revolucionário acabou. Estão aí penteando, para ver o que eles vão fazer e ninguém sabe, nem eu, nem você, como é que vai ser. Agora, subverter a ordem, aí não! Se você forçar a mão, as Forças Armadas vão se aglutinar de novo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– O que é subverter a ordem?&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Eu vou dizer para você com toda a franqueza: o problema aqui, como &lt;st1:personname productid="em toda a América Latina" st="on"&gt;em toda a América Latina&lt;/st1:personname&gt;, é a subversão mesmo, a subversão ideológica, quer dizer o comunismo. O que caracterizou a abertura brasileira foi a sensação que eles tiveram de que o comunismo-subversão estava congelado. No momento em que surgir de novo, você não tenha dúvida de que a reação volta, de novo, violenta.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula &lt;/strong&gt;– Primeiro, vamos ver aonde o comunismo vinga. Ele só vinga num regime de exceção. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita &lt;/strong&gt;– Não, espera aí, Lula. Você é muito moço e é por isso que eu estava querendo saber o que você pensava sobre o negócio de 64. Ali foi um problema exclusivamente do comunismo. Quer dizer, o Jango Goulart, provavelmente inconscientemente, foi manobrado pelos comunistas e ele estava levando o país para aquilo. Se ele ganhasse, ia dar o golpe que ele anunciou, que ele descreveu – que era modificar inteiramente o regime político brasileiro no sentido de levar o Brasil a ser uma Cuba continental. Isso é verdade histórica, ele falou, está gravado. Agora, houve a subversão dentro das Forças Armadas, esse é que foi o erro básico dele. Eu conspirei durante dois anos, desde o dia da posse dele até a queda, eu conspirei aqui dentro desta sala. Tinha, semanalmente, 30, 40, 50 oficiais do Exército conspirando conosco e o que nós esperávamos era resistir ao golpe. Não estou arrependido, absolutamente. Não, porque tinha plena consciência de que ia acontecer isso. Naquela época, eu ia discutir com os estudantes nas universidades, eles me convidavam, e eu descrevia para eles o que ia acontecer no Brasil. Eu dizia: vocês estão enganados; o Brasil não está preparado para isso. Vocês não vão conquistar o poder; o que vai acontecer vai ser que as Forças Armadas vão conquistar o poder e vão instalar aqui uma ditadura. E se nós, Estado de S.Paulo, sobrevivermos, no dia seguinte nós vamos estar contra essa ditadura e vocês, estudantes, vão recorrer a nós para os salvar da pressão que a ditadura vai exercer sobre vocês. E foi o que aconteceu, exatamente.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;"Tenho compromisso pura e simplesmente com os trabalhadores"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;O papel do sindicalista foi um dos aspectos mais explorados por Ruy Mesquita na conversa com Lula. Por vezes, longas falas de cada um deles buscavam explicar o surgimento daquela nova liderança proletária, contra uma liderança viciada que costumava ocupar sindicatos desde a época da criação da CLT por Getúlio Vargas. &lt;/p&gt;      &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Como é que foi possível, depois de 14 anos de silêncio total, em que ninguém se lembrou de que existe o problema dos sindicatos, dos operários, se criar um tipo de movimento sindical como este que você encarna e que surgiu debaixo do pano, sem que ninguém soubesse ou tomasse conhecimento que ele estava acontecendo? Foi uma coisa espontânea ou houve uma planificação?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Eu tenho o objetivo de dizer aquilo que eu sinto. Com relação ao surgimento do movimento sindical brasileiro, em alguns sindicatos brasileiros hoje, eu acho que está meio patenteado que quando um homem não tem compromisso – eu costumo usar muito a palavra rabo preso – quando um homem tem um compromisso pura e simplesmente com sua consciência ou com aquilo que ele representa, eu acho que as coisas se tornam mais fáceis. Comigo aconteceu uma coisa muito interessante: eu era, até outro dia, um dirigente sindical igual a todos os outros. Mas em outubro de 75 eu viajei para o Japão e, quando estava no Japão, eu soube da prisão de um irmão meu (Frei Chico), que era vice-presidente do sindicato. E quando eu digo que eu era um presidente igual a todos os outros é porque eu era um presidente de sindicato com medo, era um cara que estava há seis meses apenas na presidência do sindicato e tinha medo de qualquer coisa. Eu achava que a prisão era o fim do mundo, tinha preocupação com a minha família: com meu filho, com minha esposa, com minha mãe. Eu fiquei vinte e poucos dias no Japão. Quando eu voltei, eu soube da prisão do meu irmão – ele tinha sido preso como subversivo, não sei o que lá, uma história muito complicada. Depois que meu irmão saiu, que me contou aquilo que passou na cadeia (Frei Chico foi torturado no DOI-Codi), eu resolvi tomar uma posição, porque eu acho que aquilo que aconteceu com o meu irmão poderia acontecer a qualquer cidadão brasileiro. Naquele momento, eu perdi aquele cisma que eu tinha de desagradar alguém, de ofender alguém, e comecei a dizer aquilo que tinha vontade de dizer. E, não tendo compromisso com ninguém, tendo compromisso pura e simplesmente com os trabalhadores, eu resolvi abrir a boca e dizer aquilo que qualquer trabalhador teria vontade de dizer se fosse colocada a ele, num microfone, uma pergunta de um jornalista qualquer. E eu nunca esperei que essas verdades, partindo de um trabalhador, pudessem causar assim a repercussão que causaram ou, diria até, a ascensão política do Sindicato de São Bernardo do Campo e Diadema no cenário político brasileiro. (...)&lt;br /&gt;Um dirigente sindical, hoje, sai da fábrica como operário comum, de macacão. Ele vem para o sindicato e atinge o status de presidente. Ele se dá muito bem com o presidente do TRT, com os juízes, com o governo, sei lá, com as federações e ele é levado ao cargo de vogal da Justiça do Trabalho, que hoje dá um salário de mais de 18 mil cruzeiros (cerca de US$ 1 mil). Se esse homem não estiver bem preparado politicamente, o que acontece? Ele começa a ter medo de voltar às suas origens. Ele tinha um padrão de vida de 8 mil cruzeiros (cerca de 460 dólares) e ele passou a ter um padrão de vida de 26 mil cruzeiros (US$ 1,4 mil), dificilmente ele vai querer voltar a ter um padrão de vida como o anterior. E é a partir daí que o movimento sindical se perdeu, se perdeu no comodismo que a estrutura permitiu que ele se perdesse. Então, é comum o dirigente sindical se perpetuar dentro do sindicato; praticar, talvez, os mais variados tipos de corrupção e, a partir daí, não é interessante para ele brigar com a empresa, nem brigar com o governo.  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Lula, o que você está descrevendo como um fenômeno do movimento sindical é um fenômeno de todos os setores da sociedade brasileira. Você não acha que isso é uma decorrência do sistema político? O tipo de reação que você está descrevendo, de um líder sindical, é o tipo de reação que um líder empresarial tem, que um diretor de jornal corrupto tem...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Eu concordo, mas sou obrigado a dizer o seguinte: eu acredito, acredito plenamente, que neste Brasil existem algumas centenas de homens honestos. Eu não acredito nunca que nenhum sistema político tem caráter comum. Existe um ditado – que cada um tem seu preço –, eu não acredito nisso; eu acredito que existe uma coisa chamada dignidade, que existe uma série de homens que têm essa dignidade. Eu não acredito, em instante algum, que nenhum sistema político me fará mudar de idéia; eu não acredito que nenhuma tentação, em termos de corrupção, me fará mudar de idéia. Eu não acredito que o sistema político, e nós já tivemos vários, venha a fazer com que os dirigentes sindicais mudem ou não mudem de atuação.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Mas vem a permitir que você policie melhor.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Existem dirigentes sindicais, de hoje, que já na época que, dizem, tinha no Brasil um grande civismo, que cometiam as mesmas burrices, que cometiam os mesmos atos de corrupção, que cometiam os mesmos atos de medo que cometem hoje. Porque é muito mais fácil ser instrumento de alguma coisa do que ser independente, do que querer criar inimigos, criar inimigos no bom sentido; você querer defender um ponto de vista que pouquíssima gente, nesta terra, tende a defender. (...)&lt;br /&gt;Eu não acho que a classe trabalhadora deva ser instrumento, eu acho que a classe trabalhadora tem que ter uma força viva, tem que ter uma participação, porque ela, sendo maioria, jamais poderá ser tratada como minoria. Eu acho que é a partir daí que a coisa criou, um campo que eu nunca esperava que criasse, é você reivindicar uma independência da classe trabalhadora, coisa que nunca foi reivindicado neste Brasil. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Você diria que está puxando o movimento sindical ou que está exprimindo um estado de espírito do movimento? Porque tem duas espécies de líderes: um é aquele que tem a capacidade de liderança dos outros, prevê o que vai acontecer e conduz os outros para lá; o outro é o que sente a tendência geral, sente a atmosfera e se põe na crista da onda e conduz.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Eu acho que este último eu deixaria de lado, porque iria cair com muita possibilidade. É como um vereador, por exemplo. O cara sabe que vai asfaltar uma rua, então ele está na Prefeitura, e então ele sabe que o projeto não vai demorar muito, ele corre naquela rua, faz abaixo-assinado e tal...&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Se fosse governo, tentaria viver com um salário mínimo”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYUAobWpWCI/AAAAAAAAACU/QGVG_0QqNsc/s1600-h/lula+minimo.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 189px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYUAobWpWCI/AAAAAAAAACU/QGVG_0QqNsc/s200/lula+minimo.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297641231208765474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Para o sindicalista Lula, os trabalhadores não aspiravam uma ascensão na escala social – “ele quer ter o direito de viver com dignidade; ele não quer ser dono da empresa”. Ele defendia que o Brasil desenvolvesse o mercado interno em vez de priorizar as exportações e arriscava um palpite sobre o salário mínimo, à época correspondente a 90 dólares (hoje, corresponde a US$ 82,75). “Eu, se fosse governo, a primeira coisa que faria seria a experiência de viver com 1.560 cruzeiros”.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Você disse outro dia, numa entrevista, que o trabalhador não gosta da miséria; o que ele quer é ter o próprio automóvel e ir pescar e tal. Eu tenho a impressão de que a primeira coisa que um trabalhador consciente, como você, devia visar na sua luta é você ascender na escala, deixar de ser trabalhador. Um homem como você, da sua capacidade, das suas qualidades e tudo, já deveria estar pensando &lt;st1:personname productid="em subir.  ￼Lula" st="on"&gt;em subir.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula&lt;/strong&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;strong&gt; –&lt;/strong&gt; Eu não entendo o sentido da palavra subir. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Subir quer dizer melhorar de vida.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; O curso superior. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Não, acho que não. Por que o curso superior? Nos Estados Unidos, por exemplo, houve até presidente da República que começara como operário ou até menos que operário. O Johnson, por exemplo, chegou a trabalhar como engraxate. Eu acho que esse deveria ser um dos sentidos da luta. Isso eu nunca percebi no movimento sindical brasileiro e nem em você, de proporcionar ao trabalhador uma possibilidade de subir na escala social, subir materialmente. Por que você, que tem a inteligência que Deus lhe deu, não quer chegar a mais que um torneiro?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Mas o quê seria mais que um torneiro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Eu sei lá.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Num país onde a distribuição de renda fosse em igualdade de condições – aí pouco importaria que eu fosse torneiro. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Não há aí uma contradição: se você não considera como programa de trabalhismo ou de sindicalismo uma participação cada vez maior, na gestão das empresas, você permanece sempre na sua perspectiva de empregado e pára aí, ou o trabalhador quer ir mais longe?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu acho que o trabalhador brasileiro, o que ele quer, na verdade, é pura e simplesmente o direito de viver com dignidade; ele não quer ser dono da empresa. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Ele quer a parte justa dele.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; É, ele não quer ser dono da empresa. Ele quer apenas ser retribuído por aquilo que ele produz, por aquilo que ele faz. Ele quer melhorar de vida, ele quer ter o direito de ter uma casa, ele quer ter o direito de, sei lá, poder possuir os bens que ele produz. Eu posso garantir para vocês que não existe nenhum interesse do trabalhador brasileiro, até pelo estágio em que ele vive, de ser o dono da empresa. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; O que seria, a seu ver, o justo para o salário mínimo brasileiro?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Olha, é difícil. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Se você fosse o presidente da República amanhã e tivesse o poder de decretar o salário mínimo justo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula –&lt;/strong&gt; Eu não sei. Até parece utopia falar isto, mas eu, como não “sou” de salário mínimo, não gosto de falar de salário mínimo. Eu acho que realmente só pode falar de salário mínimo quem vive dele. Eu, se fosse governo, a primeira coisa que faria seria a experiência de viver com 1.560 cruzeiros (cerca de 90 dólares). A partir daí, eu chegaria à conclusão óbvia de que 1.560 cruzeiros é uma b...; não dá para o brasileiro, não dá sequer para um homem sozinho viver tranqüilo. Eu desceria até o povão para ver. Eu ia na feira. Eu ia receber meus 1.560 cruzeiros e eu ia procurar uma casa pra alugar, eu iria na feira fazer as despesas com a minha esposa e iria decretar um salário mínimo condizente com o povo brasileiro.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“O sindicalismo só é forte nos países capitalistas”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Em 1978, Lula demonstrava uma visão assumidamente simplista das relações entre capital e trabalho – e até de gestão empresarial. “Economicamente existem três tipos de balanços que as empresas fazem: um para o governo, um para a imprensa e aquele que é verdadeiro”, acreditava. Ele admitia que, como trabalhador, é melhor ser empregado da iniciativa privada do que ser funcionário do governo. “O sindicalismo só é forte onde existe a ganância de poder, a ganância de ganhar bem, a ganância de participação. Só é forte nos países capitalistas.”&lt;/p&gt;      &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Quando você vai fazer uma reivindicação para sua empresa, você lê o balanço dela? Sabe a condição dela? Sabe se dando aquilo ela pode sobreviver ou não? Outro dia nós publicamos que a Ford teve um prejuízo de 280 milhões de cruzeiros (cerca de 16 milhões de dólares) aqui no Brasil. Qualquer empresa que tiver um prejuízo de 280 milhões está falida. Ela (a Ford) não está porque tem lá suas jogadas de transferência de lucro, de imposto. Mas uma empresa nacional que esteja endividada fica com a corda no pescoço. Até pode ser do interesse de outra concorrente dar um salário alto para liquidar aquela empresa, não pode?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Não. Eu acho que é uma análise muito simplista quando se publica um balanço &lt;st1:personname productid="em que a Ford" st="on"&gt;em  que a Ford&lt;/st1:personname&gt; teve prejuízo. Sabe quem acredita nisso? Os ministros da área econômica, porque nenhum trabalhador acredita nisso. Veja como a coisa é feita, do modo simplista de nós, trabalhadores, vermos a coisa: eu não consigo imaginar uma Ford como uma Ford só no Brasil, mas como um grupo mundial. Se ela teve, num ano, prejuízo no Brasil, ela teve no ano passado a maior lucratividade de sua história, no mundo todo. Economicamente existem três tipos de balanços que as empresas fazem: um para o governo, um para a imprensa e aquele que é verdadeiro. A empresa publica se ela teve, no ano passado, por exemplo, 800 milhões de cruzeiros de lucro e este ano só teve 300 milhões, ela coloca no balanço que teve 500 milhões de prejuízo. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Você não pode negar que o Brasil tem uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, tanto sobre empresas quanto sobre os indivíduos, que são sugados pelo governo. O governo distribui essa riqueza na forma de benefícios sociais e, evidentemente, ela se dilui num país que tem 120 milhões de habitantes, em que o governo é obrigado a dar ensino de graça para todo mundo, atender aos problemas de saúde, ter uma previdência social e por aí afora. Como corrigir essa injustiça? Evidentemente, existe uma diferença bárbara de bem-estar entre as classes ricas e as classes pobres, mas que as classes ricas são sugadas até o máximo que elas podem dar, são.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Veja, é muito difícil, para mim, entrar no campo do julgamento de classes. Eu não sei de que forma o pessoal vai enxugar. O que eu sei é que a distribuição de renda, por parte do governo, até na forma de benefícios indiretos, não é a mais perfeita. Se nós analisarmos o Brasil como um contingente de 120 milhões de brasileiros, nós chegaremos à conclusão, e aí não vai nenhum bairrismo, porque eu não sou paulista, de que existe, &lt;st1:personname productid="em termos de Brasil" st="on"&gt;em termos de Brasil&lt;/st1:personname&gt;, os benefícios de saneamento básico etc., em São Paulo e Rio de Janeiro; o resto é realmente o resto. Eu acho que a melhor distribuição de renda seria feita a partir do momento em que nós tivéssemos ou que nós nos preocupássemos em criar um mercado interno. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Nós não nos preocupamos?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Quando eu digo que um trabalhador precisaria ganhar o suficiente para ele usar um terno bonito, para ele ter um carro, para ele ter uma televisão a cores, para ele ter, enfim, aquilo que ele produz, nós teríamos realmente um Brasil mais rico, porque teríamos um Brasil internamente com poder aquisitivo razoável. No mundo inteiro, primeiro se cria o mercado interno para depois se criar o mercado externo. Aquilo que sobra no país a gente procura exportar. Aqui no Brasil a gente procura exportar aquilo que nós não temos, aquilo que nós não podemos ter. Quer dizer, hoje, por exemplo, se exportam automóveis quando a grande maioria dos brasileiros não pode conseguir automóveis; o Brasil exporta alimentos quando a grande maioria dos brasileiros é carente de alimentos. Então, não há poder de compra do povo, não há uma programação de distribuição interna da coisa, não há uma preocupação. Eu não sei se o empresário ganha pouco, se ele paga muito imposto, sabe? A diferença que eu acho que existe no Brasil é exatamente essa: de que o empresário paga bastante imposto realmente, mas o bastante imposto que ele paga não diminui o lucro dele, mas sim aumenta o preço do produto que ele fabrica; fica de mais difícil aquisição por parte da população.  &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;O papel de um governo, na minha opinião, deve ser o de juiz de um jogo de futebol; ele recebe as regras e apita a partida; os 22 jogadores jogam como podem e quem jogar melhor marca mais gols.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Exatamente. Agora, ele não pode optar por um lado ou por outro. Então veja: eu não tenho culpa, como brasileiro, de o Brasil se tornar São Paulo, Rio de Janeiro ou a parte sul. Eu acho que aqui no Brasil existem alguns absurdos, quer dizer, em terras onde, por exemplo, a agricultura poderia ser primordial, poderia ter uma participação na economia muito grande, sem implantar indústrias. Na terra onde pode ser implantada a indústria, como é o caso do Nordeste – a indústria automobilística não tem problema de sol ou de chuva, ela depende muito de você implantar um sistema de água ou coisa parecida e essa indústria produziria a mesma coisa sem precisar da temperatura, se vai chover, se vai fazer sol ou coisa parecida. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita – &lt;/strong&gt;Como empregado, você prefere trabalhar para um patrão particular ou ser empregado do governo?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Como empregado eu preferia ser empregado daquele que me pagasse mais. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Ruy Mesquita –&lt;/strong&gt; Deixa eu fazer a pergunta de uma forma mais precisa: você acha que o regime liberal-capitalista é mais interessante para o trabalhador que o regime socialista? Permite que o trabalhador atinja mais facilmente os seus fins?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula – &lt;/strong&gt;Eu diria que o sindicalismo só é forte onde existe a ganância de poder, a ganância de ganhar bem, a ganância de participação. Só é forte nos países capitalistas.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vox Populi com Lula foi ameaçado pelos militares&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 174px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYUAxbxAhxI/AAAAAAAAACk/jSBKaPDPAXo/s200/lula+vox+populi.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297641385938159378" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYUAxbxAhxI/AAAAAAAAACk/jSBKaPDPAXo/s1600-h/lula+vox+populi.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 6.75pt 12pt 9pt;"&gt;&lt;b&gt;Neste artigo, &lt;st1:personname productid="Roberto Muylaert" st="on"&gt;Roberto  Muylaert&lt;/st1:personname&gt; relembra como foi a primeira entrevista de Lula na TV, no programa 'Vox Populi' da TV Cultura, e a tentativa de um militar de proibir a exibição&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;strong&gt;Por &lt;st1:personname productid="Roberto Muylaert" st="on"&gt;Roberto  Muylaert&lt;/st1:personname&gt; *&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;São Paulo, 17 de maio de 1978, uma quarta-feira de muita expectativa. A missão era gravar o programa 'Vox Populi' com Luiz Inácio da Silva, o Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, organizador da primeira greve operária na região metropolitana do ABC paulista, de maio a julho daquele ano – último do governo Geisel registrando 166 acordos entre empresas e sindicatos, beneficiando 280 mil trabalhadores e tornando figura nacional aquele torneiro mecânico das Indústrias Villares.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Três meses antes, Mino Carta, diretor de redação da IstoÉ, usara do seu reconhecido faro jornalístico para entrevistar Lula (com Bernardo Lerer), personagem que ele descreve como “um troncudo interlocutor de olhos melancólicos e palavras firmes”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;O questionamento insistente de Mino sobre a ideologia do entrevistado era o ponto central da entrevista, que acabou não tendo grandes revelações sobre o tema. Lula afirmou não ter compromisso com ninguém, bravateando, como prova, não assinar Voz Operária, época em que o simples ato de receber o jornal do Partido Comunista dava cadeia (às vezes tortura). Preferiu falar sobre imposto sindical: “Se a gente não acabar com ele, vamos ficar amarrados ao governo.”&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Mas, sob o ponto de vista das restrições do governo (a anistia é de 1979), aparecer na imprensa escrita era uma coisa, na televisão era outra. Por isso mesmo, a mídia eletrônica nem sonhava com a possibilidade de colocar no ar um programa de entrevistas que pudesse incluir políticos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;O Vox Populi se originou de um pedido de Max Feffer, secretário de Cultura do governador Paulo Egydio Martins, que desejava criar um programa com audiência, na TV Cultura. Entusiasmei-me com o projeto e perguntei se o secretário arriscaria um programa de entrevistas com pauta variada, apesar dos riscos. Ele aceitou, e logo partimos para o processo de criação, com Carlos Queiroz Telles, que sugeriu o nome Vox Populi. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Paulo Roberto Leandro foi escolhido para coordenador do programa no estúdio. A idéia, que acabou funcionando, era a de filmar (em &lt;st1:metricconverter productid="16 milímetros" st="on"&gt;16 milímetros&lt;/st1:metricconverter&gt;) pessoas em diversos lugares da cidade, fazendo perguntas ao entrevistado escolhido de antemão. No estúdio, ele respondia de improviso às questões projetadas, e o programa, gravado, era exibido com as perguntas e respostas.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Há 25 anos, o programa estreava, com o coronel Erasmo Dias respondendo às perguntas. Ele era o temido secretário de Segurança do governo estadual, indicado pelos militares. Sua presença atemorizou de verdade o pessoal que estava no estúdio, contando com uma possível reação violenta dele às perguntas que o povo formulara. Mas tudo correu bem, e o coronel acabou sendo amável com todo mundo. Na semana seguinte, a suavidade tomou conta do estúdio. A doce Regina Duarte respondeu às perguntas, utilizando seus recursos de sedução e demonstrando intimidade com as câmeras. Encantou a todos com um sorriso meigo, na condição de “namoradinha do Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;No terceiro Vox Populi foi a vez de Lula, uma imagem que os militares acharam interessante liberar para a TV Cultura, então uma emissora educativa regional, de pouca audiência, meio leite de pato &lt;st1:personname productid="em relação às TVs" st="on"&gt;em relação às TVs&lt;/st1:personname&gt; comerciais. E com a vantagem de que, depois dessa entrevista, ninguém poderia dizer que Lula estava proibido de aparecer na televisã&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Conheci Luiz Inácio naquele mesmo dia, na ante-sala do estúdio, tomando guaraná e comendo sanduíche de queijo, fornecidos pela produção. Passei-lhe as instruções sobre como funcionaria a gravação. Ele fazia o tipo sisudo-compenetrado-indiferente, porém simpático, com seu bigode de duas pontas voltadas para baixo, no melhor estilo Pancho Villa, costeletas pronunciadas, camisa de gola olímpica azul-escuro.  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Estávamos diante da oportunidade única de manter Lula no estúdio por uma hora e vinte, fumando sem parar, respondendo às perguntas sempre sério e compenetrado, com espaçados, curtos, e raros sorrisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um pronunciamento centrado no “sufoco da classe trabalhadora, que faz greve quando sente o estômago doer”. Lula disse que voltaria à Villares no final do seu segundo mandato, para seguir trabalhando como mestre júnior, posto a que havia sido promovido, embora se considerasse apenas torneiro mecânico.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;“Não tenho pretensão política, isso faço questão de deixar bem claro. Não sou filiado a partidos políticos, e tenho certeza de que jamais participarei da vida política, porque eu não dou para política”, foi a sua declaração mais enfática, e a menos profética, uma verdadeira pérola, vista a 25 anos de distância.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Mas, a parte da jornada que seria de arrepiar ainda estava por vir. Como se tratava da primeira aparição longa na TV de um dirigente sindical atuante, resolvi ir até a emissora, para me certificar de que o programa entraria no ar normalmente, no horário previsto, 21h do domingo, 21 de maio de 1978. No saguão dos estúdios só estavam os profissionais de vídeo e o pessoal do controle-mestre, os que colocam a estação no ar. Mais ninguém.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;Vinte minutos antes do horário previsto, irrompe no estúdio da TV Cultura – após proibir aos porteiros o anúncio de sua presença –, um oficial do Exército, do corpo de pára-quedistas, que exigiu com firmeza a posse imediata da fita de vídeo, informando, ao mesmo tempo, que o programa não iria ao ar. O detalhe do regimento a que pertencia o oficial só soube depois, quando me contaram que os pára-quedistas usam as calças para dentro das botas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;O militar só não arrancou a fita das minhas mãos porque ela já estava lá em cima, na sala de exibição de VT. Pedi tempo para contatar o secretário Max Feffer, que, em seguida, falou com Paulo Egydio. O governador havia presidido, pouco tempo antes, a cerimônia de posse de Lula no sindicato, em São Bernardo do Campo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;O oficial demonstrava sinais de crescente impaciência, estalando tapas na própria coxa, quando percebeu que as nossas defesas poderiam (quem sabe?) chegar a tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;O final feliz só surgiu quando faltavam míseros 5 minutos para o início do programa: Paulo Egydio conseguiu contatos decisivos em Brasília, até que um telefonema providencial convenceu o militar a desistir da fita, liberando-o da sua zelosa iniciativa.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;No dia seguinte, a reação dos militares ao programa foi mais ou menos assim: “Parece que esse tal de Lula não é comunista mesmo!”&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 5pt 6.75pt 5pt 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* &lt;st1:personname productid="Roberto Muylaert" st="on"&gt;Roberto  Muylaert&lt;/st1:personname&gt;, &lt;/strong&gt;publisher da RMC Editora, publicou este artigo em novembro de 2003 na revista Ícaro, e era diretor da TV Cultura em 1978.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="display: none;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin-right: 6.75pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-8124875983033834703?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/8124875983033834703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=8124875983033834703' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/8124875983033834703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/8124875983033834703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2009/01/o-barao-da-imprensa-entrevista-lula-o.html' title='O barão da imprensa entrevista Lula, o sindicalista'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SYUFMextMWI/AAAAAAAAAC0/BwZbaTbhbSQ/s72-c/capa+revista1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-2176602671742163899</id><published>2008-11-18T20:35:00.003-02:00</published><updated>2008-11-18T20:37:02.725-02:00</updated><title type='text'>Aversão à tecnologia</title><content type='html'>— Internet? Sei não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai tem 80 anos e uma enorme resistência a qualquer tipo de tecnologia. Não por nenhuma limitação intelectual, mas por puro preconceito mesmo. Imagina quando um filho seu, jornalista de formação, que trabalhara na Veja, Folha e JT, decidiu ir trabalhar em um produto virtual – que no caso dele ganha um sentido misterioso, inimaginável, incompreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é do tipo que acha que computador é uma coisa do demônio. Os computadores, para o meu pai, vieram mesmo para acabar com o mundo. Na concepção dele, todo lugar que depende do computador vive sob uma nuvem de problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor exemplo é “a maquininha de extrato do banco”, que tantas vezes indica que o sistema está fora do ar. Aposentado do Banco do Brasil, do tempo em que lá era “o melhor emprego do país”, meu pai diz que na sua época o caixa conferia a assinatura e anotava num canhoto o saldo do cliente. O caixa da agência, diz ele, “nunca saía do ar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como com qualquer pessoa na terceira idade, é difícil a contra-argumentação. Não adianta lhe dizer que aqueles caixas old-fashioned não dariam conta das enormes filas que os bancos têm hoje em dia. Ou que ficou muito mais prático pagar uma conta no horário do almoço, sem sair de sua mesa de trabalho, ou no conforto do lar, a qualquer hora do dia ou da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que essa comodidade do home banking acabou fazendo de cada um de nós um “autocaixa”. Quando digitamos aqueles 47 dígitos do código de barras de uma fatura, estamos fazendo nada menos que o trabalho de um bancário. Trabalho que meu pai fazia na agência do Banco do Brasil de Botucatu, no início de carreira. A nossa preocupação, no passado, era ter certeza de que a fatura tinha a “autenticação mecânica”. Hoje, temos de nos preocupar em não errar nenhum daqueles números.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois da mesma forma que meu pai não entende que a tecnologia veio agilizar o trabalho nos bancos e de quase todos os setores (os supermercados são os melhores exemplos disso!), não aceita que o computador é útil em quase todas as atividades profissionais. Ele acha que, se viveu até hoje sem um computador em casa, por que precisaria de um agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a aversão dele à tecnologia é externada também de outras formas. Forno de microondas, secretária eletrônica, celular. A explicação é sempre a mesma: quer cozinhar, use o fogão; se alguém ligar quando não estiver em casa, que ligue mais tarde – afinal, o que poderia ser tão urgente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo quando a vida lhe prega uns sustos ele dá o braço a torcer. Ex-fumante convicto (durante cerca de quatro décadas), acabou tendo duas estadias na UTI depois dos 70. Tentei convencê-lo de que, além dos médicos e dos remédios, toda aquela parafernália tecnológica da UTI é que ajudou a salvar a vida dele. Qual o quê! Para ele, uma temporada respirando o ar puro da montanha o teria curado ainda mais prontamente. Nem a preocupação dos amigos que telefonaram durante a longa ausência convenceu-o a ter uma secretária eletrônica. “Eles me viram quando tive alta.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois imagine o que é explicar para uma pessoa assim como é o trabalho com conteúdo na internet. Digo apenas que é como editar a primeira página de um jornal, só que várias vezes por dia. “Ah... sei...”, responde ele, sem muita convicção. E é claro que o trabalho com conteúdo web vai muito além disso. Temos de saber quem é nosso público, levar em conta as preferências dele ao programar o conteúdo, entender as pesquisas... Mas nem sonho em tentar explicar isso para ele. Afinal, meu pai lamenta até hoje que eu não tenha prestado o concurso do Banco do Brasil...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-2176602671742163899?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/2176602671742163899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=2176602671742163899' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/2176602671742163899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/2176602671742163899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2008/11/averso-tecnologia.html' title='Aversão à tecnologia'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-649126701700040599</id><published>2008-10-14T22:25:00.002-03:00</published><updated>2008-10-14T22:40:38.489-03:00</updated><title type='text'>O que é ser “do ramo” no jornalismo?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVG2DkbHyI/AAAAAAAAAAs/RdM6TjAMrR4/s1600-h/typewriter200b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVG2DkbHyI/AAAAAAAAAAs/RdM6TjAMrR4/s320/typewriter200b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257186034509881122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Comecei minha carreira de jornalista num tempo em que se dizia que alguém ou era do ramo ou não era. Àquela época, pouco mais de 20 anos atrás, ainda ouvia-se o barulho das pretinhas – pelo menos na redação de Veja em 1986. As pessoas com quem convivi e trabalhei ao longo dos anos acabaram por me convencer de que eu era “do ramo”. Até aí, nada demais, pois eu fazia apenas o que era minha obrigação: apurar corretamente as matérias, escrever com correção (tentando imprimir algum estilo ao texto) e editar com critério. Criatividade, se houvesse, era lucro. Pois fiz assim durante anos. Até que um dia, no começo do ano 2000, decidi mergulhar de cabeça após ouvir o canto da sereia internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como muitos que se arriscaram nesse mar aparentemente calmo que acabou se mostrando revolto, engoli muita água, quase me afoguei, passei um breve período como náufrago numa ilha deserta, mas fui resgatado com vida. Isso me fez acreditar novamente que é possível explorar esse oceano chamado internet e encontrar tesouros escondidos. Apesar do risco de chocar-se com um iceberg ou um recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é sobre essa vida de marinheiro que quero refletir. Quero falar sobre o grande aprendizado que a internet proporciona. Não estou me referindo à “reinvenção” do jornalismo sob a ótica desta mídia online; nem tampouco às infinitas possibilidades de convergência de meios (tv, cinema, música, vídeo, dvd, mp3) ou de interatividade e conteúdo colaborativo que a plataforma web possibilita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero falar das lições que o trabalho com web possibilita, na prática, aos jornalistas. Quando me recordo do diálogo de surdos que havia entre a redação e a área comercial dos jornais e revistas em que trabalhei, dou vivas à revolução patrocinada pela internet, provando que essa relação não precisa ser tão delicada. Em alguns casos, havia um monólogo: exemplo melhor é do famoso diretor de redação de revista semanal que recebia o diretor comercial na sua sala, continuava digitando em seu computador durante a “conversa” e sequer travava contato visual com o outro. E essas visitas não duravam, nunca, mais que 5 minutos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas pontocom, jornalistas puderam aprender a ver o marketing e a publicidade como uma peça absolutamente necessária para a sobrevivência do negócio e interdependente do que se costuma chamar de “conteúdo”. Sorte de quem aprendeu a lição. Pois não apenas deixou de odiar os colegas do marketing como percebeu que, trabalhando juntos, a soma de experiências e de repertórios resulta em idéias e produtos muito mais criativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando encontro amigos que trabalham na old media, ainda ouço alguns queixumes sobre “o pessoal da publicidade” e suas incansáveis tentativas de interferir no editorial. Esse passo já foi dado na internet – ainda bem. Mas não sei dizer qual será o próximo passo na evolução do meio online.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja colocar um pé atrás, para que se defina com clareza os limites éticos dessa integração. Pois o internauta (ou leitor, ou ouvinte, ou telespectador, enfim, consumidor de mídia) pode ser tudo, menos burro. E ele percebe quando se força a barra naquilo que está publicado ou naquilo que é veiculado. A resposta de como se dará esse “filtro ético” ainda não temos. Melhor deixar a pergunta (e a reflexão) no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de duas décadas de profissão, concluí que jornalista bom tem de ser um cara “do ramo”. Mas atenção: esse “ramo” é que mudou muito. Hoje em dia, alguém do ramo tem de produzir conteúdo, mas também entender de tecnologia, de navegabilidade, de design, de comércio eletrônico, do modelo do negócio, de marketing. E não tenho dúvidas de que, para se buscar o tal filtro ético que talvez ainda nos falte, o fato de o profissional ser “do ramo” ajuda. E ajuda muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-649126701700040599?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/649126701700040599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=649126701700040599' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/649126701700040599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/649126701700040599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2008/10/o-que-ser-do-ramo-no-jornalismo.html' title='O que é ser “do ramo” no jornalismo?'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVG2DkbHyI/AAAAAAAAAAs/RdM6TjAMrR4/s72-c/typewriter200b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-5556662420153048863</id><published>2008-09-10T23:38:00.005-03:00</published><updated>2008-09-11T00:16:10.713-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='edmar pereira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='steve jobs'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bloomberg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zuenir ventura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obituário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apple'/><title type='text'>O pecado (quase) mortal da Bloomberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SMiJxUQ4J1I/AAAAAAAAAAc/pP0WsGUgB3M/s1600-h/jobs.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244593246419035986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SMiJxUQ4J1I/AAAAAAAAAAc/pP0WsGUgB3M/s320/jobs.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Virou notícia no mundo todo o obituário de Steve Jobs publicado erroneamente pela agência Bloomberg no dia 28 de agosto. O erro da agência não é novidade no meio jornalístico: não são tão raras as vezes em que uma personalidade foi "morta" antecipadamente pela imprensa. A falha é inerente à atividade humana. No caso da Bloomberg, as observações contidas no texto publicado – sobre pessoas na Apple a serem contatadas no dia da morte de Jobs e as informações factuais substituídas por espaços ocupados por XXX – aumentam ainda mais o impacto do erro cometido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é importante ressaltar aos leitores em geral – e àqueles jornalistas que ainda não passaram por uma redação – que é prática comum a produção de obituários. Não, não se trata de qualquer tipo de mau agouro por parte de jornalistas (embora seja verdade a máxima do jornalismo americano de que "good news are bad news"). A preparação de um obituário, assim que determinada personalidade apresenta sinais de graves problemas de saúde, é que permite aos veículos de comunicação – especialmente aos jornais, que têm seu dia-a-dia tão corrido – uma cobertura da carreira dessas pessoas à altura de sua importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exemplos de como a imprensa tratou recentemente as mortes do compositor Dorival Caymmi e do banqueiro Olavo Setúbal são emblemáticos. Boa parte do material publicado já estava antecipadamente preparada pelas redações. E não há nenhum mal nisso. Da mesma forma que uma redação planeja antecipadamente grandes coberturas – como uma Olimpíada, uma Copa do Mundo ou as eleições – as edições com obituários de personalidades são planejadas (e escritas) com antecedência. Trata-se, é verdade, de uma postura fria por parte do jornalista, mas compreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, quando trabalhava na área de Cultura do Jornal da Tarde, à época em que o jornal estava completando 30 anos de fundação, destaquei uma repórter para levantar as grandes matérias produzidas naquele período, para serem incluídas em uma edição especial comemorativa. A repórter voltou com uma constatação: a maioria das grandes (e boas) matérias publicadas eram obituários de grandes nomes do mundo artístico – como o compositor Cartola (1980) e o escritor João Cabral de Melo Neto (1999). O episódio mostra que a antecipação no preparo do material de arquivo (escolha de fotos e elaboração do texto) atinge seu objetivo: resulta em uma boa edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de bem-sucedida, a estratégia da preparação antecipada de material pode gerar outros dilemas para os editores. Também no JT, vivenciei uma experiência peculiar a respeito. Em 1992, o ator Grande Otelo foi internado às pressas com suspeita de problemas no coração. Destacamos, sem hesitar, o crítico Edmar Pereira para produzir o obituário do artista (Edmar foi um dos melhores críticos de cinema da história do jornalismo brasileiro). Otelo recuperou-se, e ainda teve saúde para fazer uma participação especial na novela 'Renascer', de Benedito Ruy Barbosa, no ano seguinte. Mas o destino fez com que o jornalismo perdesse o talento de Edmar Pereira em meados de 1993.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em novembro daquele ano de 1993, Grande Otelo sofreu um ataque do coração fulminante, na França, onde estava para receber uma homenagem do Festival de Nantes, e a redação viu-se diante de um dilema. Ou publicava sem assinatura o texto de Edmar Pereira, que estava brilhante como sempre (e que poderia ter a autoria identificada pelos leitores mais atentos); ou mostrava transparência para os leitores, revelando que o texto fora escrito pelo crítico também já falecido. A decisão foi difícil e ousada, mas acertada: o JT "explicou" ao leitor que a matéria sobre a carreira de Grande Otelo havia sido escrita pelo crítico Edmar Pereira um ano antes, por ocasião da internação do ator. Acabou resultando não apenas num texto memorável, como funcionou como uma "homenagem póstuma" a um de seus maiores críticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção de uma matéria antecipada, com o obituário de uma personalidade, não significa nada além de um planejamento antecipado de edições. Não significa mau agouro e tampouco mau jornalismo. O erro cometido pela Bloomberg foi grave e denota mais um problema estrutural das redações, decorrente da redução de pessoal e da chamada "juniorização".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior que esse erro são os erros de apuração que podem fazer com que uma notícia errada acabe publicada. Em 1999, chegou às redações dos jornais a notícia de que o escritor Zuenir Ventura havia morrido em um acidente de carro na Lagoa Rodrigo de Freitas. O próprio Zuenir tratou de ligar para as redações, de forma bem-humorada, desmentindo a notícia de sua morte. Explicou que o primeiro repórter queria fazer uma entrevista com ele e telefonou para um número que não mais lhe pertencia, e a mulher que atendeu ao telefone se identificou como empregada da casa do autor de '1968 – O ano que não terminou' e deu a informação errada sobre o acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como àquela época a internet engatinhava no Brasil, evitou-se uma propagação maior da notícia falsa. Mas mesmo se o próprio Zuenir não tivesse tratado de ligar para as redações desmentindo a sua morte, manda o bom jornalismo que se apure com rigor qualquer informação antes de publicá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pecado da Bloomberg foi grave, mas pior é o erro da falta de apuração da notícia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Artigo publicado originalmente no site Observatório da Imprensa)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=502IMQ006" target="_blank"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=502IMQ006&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-5556662420153048863?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/5556662420153048863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=5556662420153048863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/5556662420153048863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/5556662420153048863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2008/09/o-pecado-quase-mortal-da-bloomberg.html' title='O pecado (quase) mortal da Bloomberg'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SMiJxUQ4J1I/AAAAAAAAAAc/pP0WsGUgB3M/s72-c/jobs.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-1923109485531644514</id><published>2008-03-31T23:22:00.006-03:00</published><updated>2008-03-31T23:30:18.770-03:00</updated><title type='text'>Definição de Bossa Nova</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_1OvFZAn261c/R_GdyzXXYNI/AAAAAAAAAAU/_xqt7htPKQo/s1600-h/clyra50.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184098142187380946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_1OvFZAn261c/R_GdyzXXYNI/AAAAAAAAAAU/_xqt7htPKQo/s200/clyra50.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;Definição cunhada pelo compositor Carlos Lyra a respeito dele próprio (e por conseguinte, dos demais representantes da Bossa Nova, que viviam na Zona Sul do Rio de Janeiro) durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Eu era socialmente burguês, politicamente proletário e esteticamente aristocrata."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E essas três classes não geravam um conflito interno? - perguntou o apresentador Carlos Eduardo Lins da Silva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Não", respondeu Lyra. "Digamos que elas tinham uma convivência pacífica". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vale lembrar que Lyra (e a maioria de seus pares de então) era estudante universitário de classe média alta da Zona Sul carioca, simpatizante ou participante de movimentos culturais de esquerda, como o Teatro de Arena, e apreciador das belas artes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Melhor definição, impossível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-1923109485531644514?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/1923109485531644514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=1923109485531644514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/1923109485531644514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/1923109485531644514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2008/03/definio-de-bossa-nova.html' title='Definição de Bossa Nova'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_1OvFZAn261c/R_GdyzXXYNI/AAAAAAAAAAU/_xqt7htPKQo/s72-c/clyra50.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-6525341008197620413</id><published>2008-03-27T23:47:00.011-03:00</published><updated>2008-03-28T00:25:32.528-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='disney'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pixar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='renato delmanto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ratatouille'/><title type='text'>O crítico de 'Ratatouille'</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_1OvFZAn261c/R-xf8TXXYMI/AAAAAAAAAAM/UnHdksB2VEo/s1600-h/ratatouille005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182622760791662786" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_1OvFZAn261c/R-xf8TXXYMI/AAAAAAAAAAM/UnHdksB2VEo/s320/ratatouille005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quem assistiu ao desenho animado 'Ratatouille', da Disney/Pixar, entende perfeitamente por que os adultos o adoram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como jornalista, destaco a sutileza e a genialidade com que o sisudo crítico descreve a sensação proustiana que vivenciou no restaurante do desenho, o Gusteau's.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero aqui contar o fim do filme àqueles que não o assistiram, mas revelo o seguinte: o chefe ao qual ele se refere no texto é o rato Remy, o protagonista da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já foi editor de Gastronomia (como eu) não pode se furtar de comentar e admirar a sensibilidade de quem escreveu o texto abaixo, a crítica do Gusteau's. Divirtam-se:&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"De certo modo, o trabalho de um crítico é fácil. Arriscamos pouco, gozamos de uma posição privilegiada sobre quem entrega o seu trabalho e a si mesmo ao nosso julgamento. Vingamos nas críticas negativas, que são divertidas de escrever e de ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade amarga que temos de enfrentar é que, no quadro geral, as refeições medianas são talvez mais importantes do que o que admitimos nas nossas críticas. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mas há momentos em que um crítico realmente arrisca na descoberta e defesa das coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo costuma ser duro com novos talentos e novas criações. O que é novo precisa de apoiantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem à noite, passei por uma experiência nova, uma refeição extraordinária vinda duma fonte única e inesperada. Dizer que tanto a refeição como o seu criador alteraram a minha concepção sobre a arte da culinária é pouco. Eles abalaram todas as minhas crenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado, não escondi o meu desdém pelo famoso lema do Chef Gusteau: "Qualquer um pode cozinhar." Mas agora compreendo perfeitamente o que ele quis dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos podem ser grandes artistas, mas um grande artista pode surgir de qualquer lado. É difícil imaginar origens mais humildes do que as do gênio que agora cozinha no Gusteau's, que é, na minha opinião de crítico, nada menos do que o melhor Chefe da França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressarei ao Gusteau's em breve, desejoso de mais. Foi uma grande noite. A mais feliz da minha vida. Mas a única coisa previsível da vida é o imprevisível." &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O final do filme não contarei, claro, mas recomendo que seja visto por quem gosta de cozinhar, por quem gosta de comer e por quem gosta de frequentar restaurantes. Ah, e também por quem é (ou foi) jornalista da área de gastronomia. Para esses, o filme é mandatório. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Renato Delmanto&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-6525341008197620413?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/6525341008197620413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=6525341008197620413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/6525341008197620413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/6525341008197620413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2008/03/quem-assistiu-ao-desenho-animado.html' title='O crítico de &apos;Ratatouille&apos;'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_1OvFZAn261c/R-xf8TXXYMI/AAAAAAAAAAM/UnHdksB2VEo/s72-c/ratatouille005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-7760491936857067363</id><published>2007-12-04T20:15:00.004-02:00</published><updated>2008-10-14T22:58:00.265-03:00</updated><title type='text'>O Yahoo não fez um negócio da China</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVL7P6YVjI/AAAAAAAAABU/U9hoiYi_i1A/s1600-h/chines+yahoo+charge.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVL7P6YVjI/AAAAAAAAABU/U9hoiYi_i1A/s400/chines+yahoo+charge.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257191621280683570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVN37Vde0I/AAAAAAAAABs/7hlfHEloOqk/s1600-h/chines+yahoo+charge4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVN37Vde0I/AAAAAAAAABs/7hlfHEloOqk/s320/chines+yahoo+charge4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257193763240770370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um acordo firmado no último dia 13 de novembro entre o Yahoo e dois jornalistas chineses dissidentes reacendeu uma interessante discussão sobre os valores e o comportamento das empresas do universo pontocom. O caso refere-se a Wang Xiaoning e Shi Tao , jornalistas que foram presos em 2005 pelo governo chinês por terem distribuído, via internet, informações proibidas pelo regime local. Até aí, tratava-se de mais um ato de exceção de um governo autoritário. O problema é que parte das “provas” contra eles foram fornecidas pela filial do Yahoo em Hong Kong. Um dos jornalistas, Shi Tao, foi condenado a 10 anos de prisão. Para piorar, os dissidentes alegam ter sido torturados no cárcere. A repercussão do caso na mídia fez com que as famílias dos condenados entrassem com uma ação nos EUA contra o Yahoo, co-responsabilizando a empresa pela prisão – e tortura – dos dissidentes. O acordo anunciado recentemente (cujos valores financeiros não foram divulgados) pôs fim à ação judicial, mas nem de longe deu uma trégua ao Yahoo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o assunto atraía o interesse de entidades defensoras dos direitos humanos – e de deputados americanos –, foram aparecendo detalhes pouco edificantes da participação da empresa na história. As investigações paralelas trouxeram à tona as incongruências entre o discurso corporativo do Yahoo e a prática de sua filial em Hong Kong. Em 2006, o vice-presidente da empresa, Michael Callahan, afirmara aos deputados americanos, em audiência pública no Congresso, que o Yahoo não sabia os motivos pelos quais o governo chinês solicitara os dados dos usuários. Nos meses seguintes, descobriu-se que a empresa sabia, sim, o motivo: os dois eram suspeitos de terem difundido ilegalmente “informações secretas”, segundo as autoridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início de novembro deste ano, o mesmo vice-presidente enviou carta aos parlamentares pedindo desculpas e dizendo que a informação correta sobre o pedido do governo chinês somente chegara até ele meses após seu depoimento no Congresso. Segundo um porta-voz do Yahoo, o problema foi causado pela tradução errada do documento das autoridades chinesas recebida por um advogado da empresa na China, em 2004. O advogado só obteve a tradução correta depois da audiência de 2006, segundo o porta-voz. Tratava-se, segundo ele, de um “mal entendido”.&lt;br /&gt;“Que mal entendido, que nada”, rebateu o deputado democrata Tom Lantos. “Trata-se de um comportamento negligente indesculpável, na melhor das hipóteses, ou de uma postura deliberadamente enganosa, na pior”. Uma semana depois, o presidente do Yahoo, Jerry Yang, foi convocado a comparecer ao Congresso. Afirmou que a empresa estava disposta a colaborar com os deputados e que era “totalmente comprometida com a defesa dos direitos humanos”. O discurso não convenceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acerto judicial com as famílias alimentou ainda mais o debate. O Yahoo e outros players globais no mundo digital estão sendo questionados sobre qual deve ser a responsabilidade de uma empresa que atue em outros países em relação aos valores, princípios e política de privacidade praticadas em seu país de origem – no caso, os Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua defesa no Congresso, o Yahoo justificou-se afirmando que uma empresa que atua em outro país deve respeitar as leis locais. No caso chinês, o jornalista Shi Tao foi preso por ter repassado a colegas de outros países o alerta recebido por e-mail do Partido Comunista, determinando que nenhum jornalista deveria cobrir as eventuais manifestações do 15º aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial, em 2004. Para o governo chinês, o alerta tratava-se de “segredo de Estado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVN3lsx_pI/AAAAAAAAABk/fZ2a-E9P8HQ/s1600-h/chines+yahoo+charge3.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVN3lsx_pI/AAAAAAAAABk/fZ2a-E9P8HQ/s320/chines+yahoo+charge3.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257193757433003666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na blogsfera&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A prisão e condenação dos dois dissidentes foi amplamente noticiada. Passado o calor da história, a discussão migrou dos tradicionais sites noticiosos para a blogsfera – para desespero dos executivos do Yahoo. Pois os blogueiros começaram a questionar se, ao revelar às autoridades chinesas a identidade dos autores dos e-mails, a empresa de fato desconhecia que aqueles usuários seriam condenados com base numa lei contrária aos princípios da liberdade de expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Políticas de confidencialidade de sites explicitam que, em casos como a pedofilia, a empresa permite-se revelar os dados do usuário às autoridades, para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis. Mas, no caso chinês, a discussão é ética: para alguns blogueiros, o interesse maior do Yahoo foi garantir um espaço privilegiado no mercado de web chinês, um dos mais promissores do mundo. (Logo que entrou naquele país, o Yahoo aceitou adotar a censura prévia em seu mecanismo de busca.) Alicerçado no discurso de “respeito à legislação local”, isso significou não somente fazer vistas grossas aos abusos repressivos do governo local –– mas principalmente ser escandalosamente colaboracionista com os desmandos da polícia chinesa.&lt;br /&gt;Pior para o Yahoo. Pois os discursos de seus executivos perante os deputados americanos escancararam uma postura eticamente duvidosa, no mínimo. Ou regionalizada, digamos: o que vale para os EUA não necessariamente vale para outros países menos democráticos. Ciente dos respingos que esse debate pode causar à percepção de sua marca, a empresa apressou-se em fechar o acordo com as famílias dos jornalistas presos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, conforme o caso ganha espaço na blogsfera, mais argumentos pipocam contra a empresa. A Organização Mundial pelos Direitos Humanos acusou o Yahoo de ter se beneficiado financeiramente do fato de ter ajudado as autoridades chinesas nesse trabalho sujo. E a crítica resvalou também em outro gigante da Web. “Yahoo e Google têm ficado de joelhos perante o governo chinês e suas práticas de censura, desde que entraram no país, para garantir um espaço nobre no segundo maior mercado de internet do mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Phil Butler, um respeitado blogueiro (entenda-se como linkado no site do New York Times) argumenta que a sociedade não pode aceitar que grandes companhias só admitam seus erros quando pressionadas. Elas pedem desculpas como se isso resolvesse o problema, e compensam financeiramente a família de uma vítima que ficará 10 anos presa. Verdade é que as ações do Yahoo caíram cerca de 20% desde que o assunto voltou a ser notícia, no início de novembro. O custo financeiro de uma desvalorização dos papéis na bolsa é alto para uma empresa como o Yahoo, mas pode ser recuperado no curto ou médio prazo, dependendo dos humores do mercado de capitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o estrago causado na percepção da marca, junto ao público formador de opinião, pode ser muito mais difícil de ser revertido. Ou seja, esse não foi um negócio da China para o Yahoo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVN3hjK33I/AAAAAAAAABc/GARQbrknx9E/s1600-h/chines+yahoo+charge2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVN3hjK33I/AAAAAAAAABc/GARQbrknx9E/s320/chines+yahoo+charge2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257193756318949234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-7760491936857067363?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/7760491936857067363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=7760491936857067363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/7760491936857067363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/7760491936857067363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2007/12/o-yahoo-no-fez-um-negcio-da-china.html' title='O Yahoo não fez um negócio da China'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/SPVL7P6YVjI/AAAAAAAAABU/U9hoiYi_i1A/s72-c/chines+yahoo+charge.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-3901226928980145116</id><published>2007-09-05T19:44:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T19:49:01.359-03:00</updated><title type='text'>Pão na chapa e gestão</title><content type='html'>Gestão e processos são palavras que, a cada vez que são usadas, tornam-se um pouco mais desgastadas. Mas quando nos deparamos no dia-a-dia com boas práticas de gestão e de processos, esses conceitos ganham nova vitalidade. Há uma padaria-lanchonete na região da Av. Paulista que chama a atenção. Não pelo ambiente, exatamente igual ao de tantos outros lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem pela qualidade dos pães, doces e lanches que prepara – igualmente semelhante aos da concorrência. O que distingue a lanchonete do Chico Bacalhau é justamente o processo de trabalho. Ao entrar na lanchonete por volta das sete da manhã, naquele dia em que o rodízio paulistano nos obriga a madrugar no trabalho, chama a atenção o fato de, por trás do balcão, estarem dispostos pratos com pães de vários tipos – ciabatta, francês, coissant –, já devidamente cortados, alguns já com manteiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da primeira vez estranhei, mas da segunda não resisti à curiosidade e perguntei ao funcionário o que significava aquilo. A resposta é simples: como há fregueses que vão diariamente tomar café da manhã ali, e alguns têm pressa, eles já adiantam o lanche preferido desses clientes, minutos antes deles chegarem. Quando o cliente prefere o lanche quente, basta que entre na lanchonete para que o pão pousa sobre a chapa quente. Isso é processo. E mais: isso é fidelização do cliente, atendimento personalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso é que isso acontece a um quarteirão da Paulista, talvez a avenida mais movimentada do país e da América Latina. O sonho de todo consumidor é ser identificado e reconhecido, ter respeitadas as suas vontades e preferências, ser tratado como um, não como uma massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que isso é quase impossível em algumas indústrias de bens de consumo. Mas na área de serviços, como é o caso da lanchonete do Chico Bacalhau, isso faz toda a diferença. Ele não só preserva os antigos clientes como atrai novos, assim que descobrem esse diferencial. Os funcionários trabalham satisfeitos, demonstram felicidade e boa vontade no atendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, além do serviço, nada distingue a padaria-lanchonete do Chico Bacalhau das demais da região e da cidade de São Paulo. Na parede há um quadro com o símbolo da torcida da Portuguesa de Desportos – o Leão vestindo a camisa do time – (o apelido “bacalhau” vem de sua origem lusitana), uma televisão de 29 polegadas sobre uma geladeira de refrigerantes, que começa o dia sintonizada no Bom Dia São Paulo e depois sintoniza os canais pagos da Sky, máquina de café expresso, um caixa envidraçado que vende desde chocolates e cigarros até miniaturas de Fuscas e Ferraris, e mesas e cadeiras de aço empilhadas num canto do salão, que na happy hour ocupam parte da calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fórmula do sucesso da padaria-lanchonete incentivou Chico Bacalhau a se candidatar a deputado estadual em 2006. Chico teve 1,5 mil votos, mas precisava de cerca de 30 mil para eleger-se pelo PMDB paulista. Ele não se arrepende, pois diz ter gasto apenas R$ 4,5 mil na eleição, basicamente na produção de panfletos e camisetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico segue com seu projeto político, tentando a vereança paulistana em 2008, e depois novamente a Assembléia Legislativa em 2010. “Um dia eu vou conseguir”, diz Chico Bacalhau, que agora vai mudar para o Partido Verde. Se será bem-sucedido ou não em seus planos políticos, difícil saber. Mas ao menos com relação à satisfação de seus clientes, Chico Bacalhau já conseguiu muito mais do que a maioria de seus concorrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no site &lt;a href="http://www.empresabrasil.com.br/artigos/index.php?destinocomum=noticia_mostra&amp;amp;id_noticias=381"&gt;Empresa Brasil&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-3901226928980145116?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/3901226928980145116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=3901226928980145116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/3901226928980145116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/3901226928980145116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2007/09/po-na-chapa-e-gesto.html' title='Pão na chapa e gestão'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-510236866113440456</id><published>2007-08-04T16:16:00.000-03:00</published><updated>2007-08-04T16:30:09.788-03:00</updated><title type='text'>O direito à preservação da fonte</title><content type='html'>O partido português PSD propôs, em meados de junho, a elaboração de um novo Estatuto dos Jornalistas do país no qual a corrupção seja considerada crime que obrigue os jornalistas a revelar suas fontes. A proposta do partido amplia o projeto capitaneado pelo governo português, que prevê que "a revelação das fontes de informação (...) pode ser ordenada pelo tribunal quando tal seja necessário para a investigação (...) de casos graves de criminalidade organizada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão é, no mínimo, polêmica. Desde o "Garganta Profunda", de Watergate, o assunto gera debates acalorados. Se imaginarmos a realidade brasileira – na qual a indústria do grampo prolifera livremente e é uma das principais matérias-primas do jornalismo investigativo – a questão ganha outros contornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O off sempre ajudou jornalistas a fazer matérias que desbarataram esquemas envolvendo corruptos e corruptores. O que pode estar por trás da "grampolândia" na imprensa brasileira é a espetacularização da notícia. Que o índice de leitura vem caindo – e seguirá caindo, proporcionalmente em relação à população, nos próximos anos – é um fato. Que cada vez mais a população depende da TV – e no futuro, também da internet – para se informar é outra constatação. Disso advém a demanda por material comprobatório para ilustrar as reportagens. Nada como uma conversa gravada (mostrada na tevê com a legenda do respectivo diálogo), ou uma imagem feita por uma câmera escondida, para provar à população da era Big Brother que determinado político, empresário, ou mesmo médico, farmacêutico ou atendente de loja está fazendo algo contra a lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim do segredo de justiça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão se o jornalista deve ou não revelar sua fonte é menor em relação ao debate de como se dão as relações entre jornalistas e fontes. A espionagem e a contra-espionagem empresarial são as maiores responsáveis por produzir material de apoio (ou "provas") para as matérias. No caso, o interesse da fonte que passou a informação em off é comprometer o concorrente ou adversário político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista, que muitas vezes recebe de mão beijada o material – dossiês, fitas, gravações, documentos etc. –, justifica a publicação como sendo de interesse público. Assim, o debate sobre como a imprensa deve lidar com esse conflito de interesses (de quem lhe passou a informação, obtida muitas vezes de forma ilícita) fica para um segundo plano – ou simplesmente não acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim do sigilo de justiça em investigações, como o caso Gautama, pode ser um primeiro passo para minimizar a indústria do grampo. A partir do momento em que a magistrada Eliana Calmon determinou que não haveria mais segredo de justiça, os documentos começaram a aparecer oficialmente, as contradições dos depoentes foram reproduzidas nas matérias e a cobertura jornalística ganhou em qualidade e profundidade – embora os grampos continuassem a ser vazados, sabe-se lá por quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meios pouco éticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sugestão é um tanto simplista, mas pode ser um começo. O passado de censura vivido pela imprensa brasileira durante o período militar faz com que jornalistas, em geral, sejam contrários a qualquer interferência judicial no fazer jornalístico. Jornalistas têm toda a razão em adotar esta postura. O Judiciário nem sempre demonstra isonomia em suas decisões – ou pior, quase sempre mostra desalinho entre as decisões liminares de determinados juízes e as decisões dos tribunais superiores, que acabam cassando aquelas liminares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a discussão sobre o grampo venha ganhando mais corpo na sociedade e na própria mídia – e o foco atual é definir-se formas de evitar o vazamento generalizado que se viu nas recentes investigações da Polícia Federal –, não se pode misturar com essa discussão a questão da fonte em off.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atual Lei de Imprensa assegura ao jornalista o respeito ao sigilo quanto às fontes. Já o projeto da Nova Lei de Imprensa, aprovado há mais de 11 anos na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, não só mantém como explicita os direitos dos jornalistas de preservar suas fontes: "Nenhum autor de escrito ou notícia, ou veículo de comunicação, poderá ser coagido ou compelido a indicar o nome de seu informante ou fonte de suas informações, não podendo seu silêncio, na ação judicial a que responder, ser usado contra ele como presunção de culpa ou como agravante."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enquanto os especialistas debatem soluções tecnológicas e jurídicas para se identificar e coibir o vazamento de informações – seja por parte da Polícia Federal, seja por parte do Ministério Público, seja fruto da espionagem empresarial – caberia aos jornalistas refletir um pouco mais sobre suas relações com essas fontes. Refletir se eles estão realmente a serviço da sociedade, ou se estão, mesmo que involuntariamente, a serviço de agentes que usam de meios pouco éticos para enfrentar a concorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Delmanto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=439JDB001"&gt;Observatório da Imprensa&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-510236866113440456?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/510236866113440456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=510236866113440456' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/510236866113440456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/510236866113440456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2007/08/o-direito-preservao-da-fonte.html' title='O direito à preservação da fonte'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-5531562140953553794</id><published>2007-03-17T00:42:00.000-03:00</published><updated>2007-03-17T00:59:36.762-03:00</updated><title type='text'>Podcast, a nova era do rádio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há tempos que se diz que o rádio está com os dias contados. Basta surgir uma nova mídia, que volta à tona a sentença de morte ao rádio. Mas fato é que o meio rádio está mais vivo do que nunca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando me lembro da época em que passei a estudar no período da manhã, na 4ª ou 5ª série, me vem à cabeça o programa “O Pulo do Gato”. Mal acordava, minha mãe ligava o rádio na Bandeirantes, e eu e meus irmãos éramos obrigados a tomar café ao som de um longo “miau” seguido de um histérico grito de “bom dia!” do apresentador José Paulo de Andrade. Pois o programa não só ainda existe, como é o recordista em permanência no ar (34 anos, que serão completados em abril), na mesma rádio, com o mesmo apresentador e no mesmo horário, 6h da manhã, e - imagino - os mesmos miado e "bom dia!".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Diante das novas tecnologias, é inevitável que o fim do rádio volte a ser alardeado. Afinal de contas, não há meio mais arcaico do que ele – mesmo os jornais, que têm sua origem no século 15 com Gutemberg, adaptaram-se incrivelmente às novas tecnologias. Já o rádio continua a ser feito como há 50 ou 60 anos: basta um locutor diante de um microfone no estúdio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O advento da BandNews FM e, mais recentemente, da rádio Sul América Auto, são bons exemplos da vitalidade do rádio. Apesar de ficar com míseros 4% do bolo publicitário, o rádio usa e abusa da criatividade para sobreviver. No caso da Sul América, resgatou um modelo de seus primórdios, em que o patrocinador emprestava seu nome ao programa – como no Repórter Esso e no Mappin Movietone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas o grande sinal de que o rádio não só está vivo, como está se reinventando, é o podcasting. A convergência de mídias, que tem na internet seu melhor suporte, transformou um produto tipicamente radiofônico numa febre da geração iPod. Entrevistas, depoimentos, colunas, opiniões e matérias em podcasts, que podem ser baixados em dezenas de sites por aí, indicam que estamos diante de uma nova era do rádio. Mas desta vez, na internet. E que pode dar novo gás às freqüências AM e FM. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Renato Delmanto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-5531562140953553794?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/5531562140953553794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=5531562140953553794' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/5531562140953553794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/5531562140953553794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2007/03/podcast-nova-era-do-rdio.html' title='Podcast, a nova era do rádio'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-116740251490404707</id><published>2006-12-29T12:25:00.000-02:00</published><updated>2006-12-29T12:33:21.723-02:00</updated><title type='text'>Meios de comunicação e hegemonia meia-sola</title><content type='html'>Artigo de Maria Inês Nassif, publicado no Valor Econômico (07/12/2006)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a mídia tenha se exposto particularmente nas eleições deste ano, o papel que desempenhou neste processo eleitoral guarda muita semelhança com o exercido em 2002. Em ambas as eleições a imprensa impulsionou e acirrou um processo de radicalização já em curso. Em quatro anos, e após um mandato que, na gestão econômica, rezou quase inteiramente pela cartilha ortodoxa, mudaram os instrumentos de pressão eleitoral, mas nas duas eleições, sem dúvida, os jornais foram fundamentalmente mediadores das pressões de setores sociais sobre os candidatos e de amplificadores de conflitos latentes. Nos dois casos, todavia, revelaram alcance limitado no convencimento do eleitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, os jornais, ao amplificarem as "expectativas" dos mercados em relação ao candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, não apenas reproduziram fatos, mas os produziram. Foi um processo de retroalimentação que consistia em supervalorizar reações dos mercados em relação ao programa e às menores declarações de Lula e de petistas que pretensamente teriam influência sobre um eventual governo petista. Era um movimento em que o fato político era levado ao mercado e o mercado era introduzido no cenário político de forma contínua - e os movimentos de mercado eram usados eleitoralmente (era o "efeito Lula", ou a máxima "Serra ou o caos") e os fatos eleitorais consistiram num pretexto em torno do qual grandes movimentos especulativos foram feitos. O país quase foi ao corner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior efeito obtido pelos jornais, nessa lógica onde a amplificação do fato produz outro fato de maior intensidade, foi o de pressão direta sobre o candidato petista para adequar o seu programa de governo ao tripé neoliberal do então ministro Pedro Malan, ele próprio porta-voz dos interesses do mercado financeiro (e cujas declarações eram valorizadíssimas nos noticiários) - metas de inflação, câmbio flutuante e superávits fiscais. No último dia de junho, antes mesmo de oficializar sua candidatura, Lula divulgou a "Carta ao Povo Brasileiro", onde rezava e se comprometia com as premissas do mercado para a "boa governança". Ainda assim, o uso eleitoral do mercado - e o uso pelo mercado do fato eleitoral - se estendeu por todo o período de campanha. Se já havia dado resultados como instrumento ideológico do mercado antes mesmo da oficialização das candidaturas, a mídia, na sua função de mediadora das pressões, no processo eleitoral certamente se prestou apenas ao objetivo político-partidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas eleições, o processo de radicalização em curso era político e social. O confronto ideológico foi despido das pressões de mercado, atenuadas pelos quase quatro anos de política econômica do governo Lula. A imprensa lidou com o claro descolamento entre voto e a "opinião pública" sobre a qual, imaginava, teria influência - que, diga-se de passagem, já era marginal nas eleições de 2002 - aprofundando a sua estratégia de amplificar conflitos. Embora essa estratégia tenha obtido limitado efeito eleitoral, certamente teve a função de radicalização ideológica que ocorreu no período eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornais e elite falaram para si mesmos nas eleições&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O descolamento entre os chamados "formadores de opinião" e o voto de uma forma radical não foi percebido pela mídia, quer porque foi subdimensionado um processo social em marcha, quer porque os meios de comunicação e as elites brasileiras estavam convencidas de uma hegemonia ideológica do período anterior que era, na verdade, uma hegemonia restrita a alguns setores sociais. A hegemonia do impulso "modernizador" nos períodos Collor e Fernando Henrique Cardoso - que passava pela abertura de um país culturalmente fechado ao exterior - pode até ter se expandido para as classes mais pobres quando planos econômicos provocaram "lapsos" redistributivos de renda, mas os efeitos foram curtos - e o "Brasil moderno", desregulado, com Estado mínimo, convenha-se, tem uma atratividade restrita para a maioria da população, que tem problemas de sobrevivência imediatos a resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que esse pensamento foi hegemônico nos meios de comunicação e junto às elites entre as quais esses meios circulam - e formam opiniões - de tal forma que foi concebido como hegemônico para todas as classes sociais - era a "verdade", a "racionalidade" que havia subjugado e trazido das trevas uma imensa população analfabeta que, enfim, se rendia às evidências de que o senhor mercado tudo podia, e de que o Estado era um mal a ser minimizado. A generalização do alcance dessa "verdade" pode ser atribuída ao fato de que historicamente o pensamento hegemônico das elites foi imposto sem nenhum esforço de convencimento - ou sem nenhuma compensação - às classes de menor renda. Nessas duas últimas eleições presidenciais, no entanto, os jornais e as elites falaram para si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando há um movimento ideológico, não interessa a intenção dos atores políticos, mas a função que eles desempenham no processo. A intenção, neste caso, pode ter sido ofuscada por uma ideologia impregnada da convicção de que a "racionalidade" era a "verdade". Nos idos de 2002, um economista que escrevia assiduamente para um jornal diário expressava claramente isso: quem está com o mercado é moderno, segundo sua reflexão; o "atraso" era superado e por isso o candidato José Serra seria vitorioso ou Lula seria submetido às forças da "racionalidade". E estava superado porque o povo assim havia demonstrado em duas eleições anteriores, cujas campanhas - e governos - se pautaram por temas "racionais". Se ainda assim o povo não tivesse juízo, a "racionalidade" dos governos anteriores, que abriram o mercado financeiro, inocularam o país com o vírus da modernidade: os agentes do mercado eram, definitivamente, o freio à "irracionalidade" que impulsionaria qualquer governo na direção contrária de "voluntarismos" e "populismos". O raciocínio era o seguinte: Lula não venceria porque o eleitor havia se curvado à racionalidade; se ainda assim vencesse, o eleitor o conteria se quisesse fazer um governo "irresponsável" porque, enfim, o povo sabia quão bem fazia ao país a "racionalidade"; se ainda assim o eleitor não tivesse juízo, o mercado financeiro pressionaria o governo petista para que seguisse os axiomas da "verdade" da "boa governança".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-116740251490404707?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/116740251490404707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=116740251490404707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116740251490404707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116740251490404707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/12/meios-de-comunicao-e-hegemonia-meia.html' title='Meios de comunicação e hegemonia meia-sola'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-116678143551029478</id><published>2006-12-22T07:53:00.000-02:00</published><updated>2007-09-05T19:37:35.522-03:00</updated><title type='text'>..</title><content type='html'>Especial SP Fashion Week - 2001 (Ed. Globo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hpp.ajato.com.br/renato.delmanto/images/spfashion.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 511px; CURSOR: hand; HEIGHT: 386px; TEXT-ALIGN: center" height="338" alt="" src="http://hpp.ajato.com.br/renato.delmanto/images/spfashion.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://hpp.ajato.com.br/renato.delmanto/images/spfashion.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Design:&lt;/strong&gt; Osvaldo Furiatto Jr.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2088/1339/1600/460387/Cartao_Natal_2006.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-116678143551029478?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/116678143551029478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=116678143551029478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116678143551029478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116678143551029478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/12/boas-festas.html' title='..'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-116355948171759256</id><published>2006-11-15T00:54:00.001-02:00</published><updated>2006-11-15T01:00:22.640-02:00</updated><title type='text'>Que pena! foi tão bom!</title><content type='html'>Por Reinaldo Polito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tchau, amigo. A &lt;a href=http://delmanto.blogspot.com/2006/02/triste-fim-da-aol-no-brasil.html&gt;AOL&lt;/a&gt; está encerrando suas atividades no Brasil de eu estou de malas arrumadas para deixar este espaço que acolheu meus textos ao longo dos últimos três anos. Sempre tive imenso prazer em me comunicar com você leitor da editoria negócios &amp; empresas por meio dos meus artigos. Quase todos foram escritos de madrugada, exatamente como estou fazendo neste instante, porque é o momento em que me sinto mais produtivo como escritor. Utilizei alguns dos textos que publiquei nesta coluna para elaborar meu último livro "Superdicas para falar bem", que está há meses nas listas dos mais vendidos do país. Se não fosse por outros motivos, este fato jamais me deixaria esquecer da minha passagem por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irei me lembrar sempre com muito carinho das cartas que recebi dos leitores, a maioria me cumprimentando com palavras gentis e estimulantes, outros criticando ou mostrando seu descontentamento por eu não pensar como eles. Em todos os casos me senti gratificado porque, de uma maneira ou de outra, pude constatar que as pessoas eram tocadas com a minha mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando estava viajando não deixava de pensar nos textos que deveria escrever. Lembro-me de uma vez em que fui ministrar cursos na Argentina e aproveitei para visitar a "31ª Feria Internacional Del Libro" de Buenos Aires. Na saída me deparei com a propaganda de um livro sobre Che Guevara, que ficou o tempo todo martelando a minha cabeça. Não deu outra, assim que cheguei ao Brasil, na primeira madrugada escrevi um texto intitulado "O pum do Che", que provocou grande reação dos leitores. Em outra oportunidade escrevi sobre a comunicação do ex-Deputado Roberto Jefferson. O assunto era tão palpitante naquele momento que uma importante revista semanal me entrevistou sobre o tema, mas para espanto deles, não puderam publicar porque meu texto já estava no ar pela AOL, tirando assim o ineditismo da matéria que pretendiam fazer. Foi aqui também que chorei algumas das minhas grandes tristezas, quando, por exemplo, escrevi sobre o falecimento de um querido amigo, de quem tenho muita saudade, Gunter Murrins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da minha participação como colunista também fui entrevistado pela Revista da AOL, em matéria extensa cobrindo praticamente todos os aspectos importantes da comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca conheci pessoalmente ninguém da AOL, meus contatos foram sempre por telefone ou por e-mail. Mas, o tempo todo tive a impressão de que eram todos meus amigos. Saia um, entrava outro e o contato continuava com a mesma amizade e profissionalismo. Lembro-me (e sempre vou me lembrar de tantas coisas) de um fato que foi comemorado pela turma que cuidava dos meus artigos - logo no princípio, uma importante revista empresarial entrou em contato comigo com uma boa proposta financeira para que eu escrevesse um texto semelhante ao que eu fizera para a AOL. Quando contei o que havia ocorrido ficaram felizes e me mandaram e-mails me cumprimentando como se pertencêssemos a um time que conquistara uma grande vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou triste, muito triste com esta despedida. Tenho certeza de que por muitas madrugadas vou me sentar diante do computador com vontade de escrever mais um texto para a AOL. Se me conheço bem, sabendo que para a AOL será impossível, porque ela já terá desaparecido, aproveitarei para redigir um artigo para um outro veículo contando um pouco mais dessas experiências que vivenciei aqui ao longo desses anos. Espero que você seja um dos leitores, e, se isso acontecer, não deixe de mandar uma carta dizendo, Polito, eu li.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, temos que tocar nossa jornada, pois a partir de agora tudo será apenas recordação de uma época que, provavelmente, jamais venha a se repetir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se voltaremos a nos encontrar por um dos caminhos que a vida vai nos reservar. Em breve iniciarei como articulista do Terra - quem sabe você também venha a me prestigiar na nova casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço aos que foram responsáveis pelos meus artigos - Facundo Guerra, Andreza Emília, Renato Delmanto, Antonio Silva e, especialmente, a você Lílian Ferreira, pela gentileza e correção com que sempre me tratou nos últimos meses. Fico à disposição de todos no meu site www.polito.com.br , onde terei muito prazer em receber suas mensagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pena! Foi tão bom! Tchau, amigo. Boa sorte e muito sucesso sempre com a sua comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS. Esse artigo foi publicado no site do prof. Polito&lt;br /&gt;(http://www.polito.com.br/artigos/outros/outros.asp?txt=45)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-116355948171759256?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/116355948171759256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=116355948171759256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116355948171759256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116355948171759256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/11/que-pena-foi-to-bom_15.html' title='Que pena! foi tão bom!'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-116174454933987154</id><published>2006-10-24T23:40:00.000-03:00</published><updated>2006-10-25T01:12:01.283-03:00</updated><title type='text'>Democracia, ditadura, direita e esquerda</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não sou sociólogo, nem cientista político, por isso não vou me meter a fazer qualquer análise mais embasada sobre a campanha presidencial de 2006. Mas fato é que fica difícil para qualquer mortal entender que raio de conflito ideológico é esse entre PT e PSDB. &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2088/1339/1600/charge_censo1980_fortuna_.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 282px; CURSOR: hand; HEIGHT: 204px" height="217" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2088/1339/320/charge_censo1980_fortuna_.jpg" width="282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2088/1339/1600/charge_censo1980_fortuna_.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Digo isso porque faço parte de uma geração que nasceu e cresceu durante a ditadura, aprendeu com os pais a importância da democracia e do exercício do voto. Claro que, naquele tempo, era mais fácil de se entender isso. Esta charge, tirada do livro "Aos Trancos e Barrancos", de Darcy Ribeiro, ilustra bem a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre direita (os militares) e esquerda (a oposição civil e os recém-anistiados) era muito mais cristalina - e maniqueísta: "eles" eram do mal e nós, do bem. "Eles" eram corruptos, nós cidadãos honestos. "Eles" eram militares, nós civis. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim, ficava fácil saber de que lado deveríamos ficar, nós, pessoas de bem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que mudou depois da redemocratização do país? Hoje não existe mais o lado do mal, ao menos personificado pelos militares e pelos políticos de "direita". A eleição polarizou-se entre o partido que nasceu do movimento operário, dos radicais oriundos da clandestinidade e dos intelectuais de esquerda e o partido que nasceu da reunião de ilustres representantes da oposição civil e intelectualizada ao regime militar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;De um lado, um time que reunia no seu nascedouro do líder sindical Lula, um ícone nacional, ao ex-guerrilheiro Fernando Gabeira, passando pelo jurista Dalmo Dallari; de outro, um partido nascido da costela do MDB (a oposição consentida pelos militares), que reunia desde o governador Franco Montoro e o prefeito Mário Covas, passando pelo ex-líder estudantil José Serra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois da eleição de Fernando Henrique Cardoso - e da aliança de seu governo com algumas das forças mais reacionárias do país, personificadas por ACM - a oposição passou a ser representada pela figura de petistas combativos, sempre alerta e prontos a denunciar quaisquer atos de corrupção, abuso de poder ou negociata envolvendo a coisa pública, principalmente no que se refere às privatizações dos serviços públicos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A partir disso, a oposição petista passou a satanizar o governo FHC, a ponto de conseguir uma vitória retumbante em 2002, vitória de um partido de esquerda, representante legítimo das camadas mais populares, comandado por um ex-operário. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A nova oposição, satanizada e desprestigiada enquanto ex-governo, teve dificuldades em encontrar seu mote de crítica, diante da unanimidade que se instalou, junto à população, em relação ao governo petista, nos seus primeiros meses de Planalto. Só veio encontrá-lo quando o próprio PT, no exercício do poder, demonstrou que era tão ou mais corruptível que os governos anteriores. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso fez com que se criasse um nó na cabeça das pessoas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O partido que era guardião da ética na política institucionalizou o descambo no trato da coisa pública; os líderes de esquerda, que foram perseguidos, calados e até exilados pela ditadura, demonstraram um gosto pelo autoritarismo, uma repulsa voraz às críticas e uma tendência incontida a coibir a liberdade de imprensa; o partido que tanto denunciou as maracutaias e negociatas envolvendo a máquina estatal foi o que mais aparelhou órgãos públicos, sempre com quadros do partido, mas quase nunca com a capacitação profissional e com a lisura moral adequadas a esses cargos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na cabeça do eleitor sobrou a confusão. Os papéis foram trocados, e não ficou muito claro para o cidadão comum se a oposição de hoje (o PSDB) era mesmo tão cruel e malvada - ainda para mantermos a linha de raciocínio maniqueísta - quanto a propaganda petista tentou mostrar em 2006. E o pobre eleitor consegue, muito menos, entender o que moveu o partido no qual depositara sua esperança em 2002 ao descambo de maneira tão acintosa, e ainda bancar o santo inocente no horário eleitoral gratuito. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como disse no início, não sou cientista político, nem sociolólogo, mas vejo nessa troca ou confusão de papéis o risco da tentação de se buscar uma solução populista, já que o debate ideológico e político deu lugar à discussão do assistencialismo, da inclusão, da distribuição de renda, das políticas sociais e só. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não importa ao eleitor que a contrapartida dessas políticas sociais seja fazer vistas grossas às questões éticas, seja entender como natural os desmandos que no passado nos indignaram. A incompetência da oposição em levantar o debate aprofundado - provavelmente também por despreparo, medo de cobranças pelo período em que foi governo ou receio de não ter condições de enfrentar uma discussão de idéias de fato transformadoras - também chama a atenção. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um comentarista político, dia desses, definiu o PT e o PSDB atuais como primos, com pequenas diferenças de fato entre eles. Mas que, por diversas razões, se julgam inimigos mortais, e fazem dessa rivalidade sua razão de existir. Mal comparando, é como se fossem israelenses e árabes. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O problema é que, nessa disputa cega, os reais interesses do Brasil e do povo sejam esquecidos. A necessidade de mudanças estruturais e de fato transformadoras da sociedade acaba substituída por um ilusionismo de números e feitos pseudo relevantes. De ambas as partes. E pior, com o aval de intelectuais importantes, principalmente do lado petista, que seguem com o discurso da diferença ideológica histórica, do fato de o partido ser "de esquerda". Mas, de novo, nenhum deles consegue explicar o apoio recebido de figuras como Delfim Netto e Paulo Maluf. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para encerrar, publico outra charge tirada do livro "Aos Trancos e Barrancos", que ilustra bem o nível de debate que estamos tendo atualmente. (Em tempo: a charge é de 1980.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2088/1339/1600/charge_debate_reinaldo.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 382px; CURSOR: hand; HEIGHT: 241px; TEXT-ALIGN: center" height="221" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2088/1339/320/charge_debate_reinaldo.0.jpg" width="367" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-116174454933987154?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/116174454933987154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=116174454933987154' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116174454933987154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116174454933987154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/10/democracia-ditadura-direita-e-esquerda.html' title='Democracia, ditadura, direita e esquerda'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-116048230614009039</id><published>2006-10-10T09:05:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T09:40:27.606-03:00</updated><title type='text'>Que 'crítica' é essa?</title><content type='html'>Há um bom tempo não vou ao cinema. Por uma conjunção de fatores: preguiça, desinteresse, comodismo (a tv a cabo e o dvd dão mais conforto). Eu poderia até culpar minhas filhas pequenas, que me requisitam em casa, mas seria uma enorme injustiça com elas. Mesmo assim (e isso são ossos do ofício), pergunte-me sobre qualquer filme em cartaz que saberei responder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou melhor, no passado eu saberia. Hoje tenho pouco mais que uma vaga idéia. Sinto saudades do tempo em que comecei no jornalismo, tempo em que ler e “fechar” uma crítica de cinema era um momento de aprendizado e prazer. Tempo em que você precisava aprimorar seu conhecimento antes de perpetrar uma crítica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tive a sorte de trabalhar ou conviver em redações com críticos do naipe de um Décio de Almeida Prado ou um Sábato Magaldi. Mas lembro-me especialmente de alguns críticos que eram verdadeiros mestres na arte de escrever. Um deles era o saudoso Edmar Pereira, que escrevia com tal paixão que a gente ficava com vontade de assistir ao filme mesmo que fosse ruim. Poucos coleguinhas, hoje, são tão hábeis no trato das idéias e palavras quanto ele era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que esse tempo se foi. Hoje, quase não se consegue mais ler uma crítica e saber simplesmente se o filme vale o ingresso ou não. Como editor, reclamo da dificuldade que é dar título a essas críticas - reparem como os títulos das críticas são cada vez mais focados nos detalhes, não na essência da obra. Como leitor, reclamo da falta de sensibilidade ou preparo dos autores dos textos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que todo filme (ou peça teatral ou show) deva ser tratado como grande obra de arte. Há muitos que de fato são mero entretenimento. Mas isso não significa que o crítico deva por isso limitar-se a elencar dados. Hoje em dia, ao ler uma crítica, você fica sabendo quanto foi gasto na produção e em publicidade; quantos milhões faturados nos EUA; que efeitos especiais foram usados, etc., etc. Fica-se sabendo tudo, menos se o filme é bom ou ruim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito disso deve-se aos press releases, que já vêm com essas informações, ou à facilidade da Internet – dois ulititários que podem se tornar nefastas influências a coleguinhas menos brilhantes. Tudo bem, é importante para o leitor receber informações como essas, mas é mais importante ter a referência básica se o filme merece ou não ser visto. É isso que o leitor espera da crítica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa imprensa atual trocou a argumentação pelas estrelinhas – de uma a cinco, indicando uma obra de fraca a ótima. Será que isso basta? As estrelinhas são desprovidas de qualquer argumento. E quando o leitor não concorda com a opinião do crítico, como fica? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao saudoso Edmar Pereira, ele nunca recorreu às estrelinhas, preferia a argumentação. Lembro-me de quando escreveu que o filme ‘Robocop’ era uma das obras de ficção mais revolucionárias da década de 80. Debati com ele, antes de “descer” a matéria, que revolucionário era ‘Blade Runner’. Edmar rebateu que ‘Blade Runner’ era cult, enquanto ‘Robocop’, não: tinha feito sucesso de público, dosava bem elementos da ficção, mesmo que absurdos (cérebro do policial morto é implantado num robô), violência e crítica ao status quo (quando o robô descobre que até seus criadores são corruptos). Colocou isso no texto, acabou me convencendo e, acredito, convenceu o leitor também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero dizer aqui que a crítica (em geral e a cinematográfica em particular) tenha acabado. Há alguns lampejos de talento cada vez mais esparsos nas edições dos jornais diários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria fácil culpar os cursos de jornalismo, que não dão a formação básica para um jornalista desenvolver carreira na área cultural. Mas não é culpa das faculdades – elas têm culpa, sim, de dar diploma a coleguinhas que não dominam minimamente a língua portuguesa (mas isso é outra história). Mas as escolas não têm culpa da falta de berço cultural dos alunos (como professor, é triste ter de concordar com isso). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Culpa é dos próprios jornalistas recém-formados, que dão a impressão de nem perceber que o mundo está passando diante deles; culpa é dos editores, que jogam um garoto ou garota de 20 anos na cova dos leões e os denominam “críticos”; culpa é das empresas, que endossam a troca de gente experiente por jovens em funções-chave.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o foca for medianamente esperto, consegue enganar seus chefes e colegas – mas não por muito tempo. Chega um dia em que encontra um editor com melhor formação, que vai descobrir o engodo, vai perceber que ele não conhece o assunto tanto assim... Às vezes, tarde demais, quando já foi criado o monstro. (É claro que o editor pode mandá-lo às favas, mas o nome dele já está “feito” no mercado, e vai continuar enganando em outra freguesia...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima de tudo, falta humildade a esses jovens críticos e, principalmente, aos aspirantes a crítico – que parecem só absorver os vícios e os chavões, quase nunca a inventividade, dos ditos veteranos. Essa humildade até o mais sábio, o mais conhecedor jornalista tem. E por que o pirralho não pode ter? Falta a ele também, muitas vezes, mais que maturidade e bom senso, honestidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro editor, na Veja, Mario Sergio Conti, era uma pessoa de difícil trato – ao menos com os focas como eu (e olha que os focas daquele tempo eram melhores que os de hoje). Criticávamos seu jeito durão, seu mau humor, sua rabugice. Mas um texto dele em especial guardei na memória. A resenha (na Veja evitava-se, na época, o termo crítica) de ‘Ran’, de Kurosawa. Era um texto tão brilhante quanto o próprio longa do gênio japonês. Dali em diante, percebi por que eu era subordinado e principalmente por que deveria me subordinar ao Mario Sergio: em respeito ao seu talento e à sua capacidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a experiências como esta e a colegas como Edmar Pereira aprendi a fazer o meu trabalho, a escrever e colocar minhas idéias no papel e a editar pensando sempre no leitor. Também graças a isso sofro com textos que não dizem nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez por isso também não tenha ido muito ao cinema ultimamente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-116048230614009039?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/116048230614009039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=116048230614009039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116048230614009039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/116048230614009039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/10/que-crtica-essa.html' title='Que &apos;crítica&apos; é essa?'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-115892673327917020</id><published>2006-09-22T09:02:00.000-03:00</published><updated>2006-09-22T09:05:33.290-03:00</updated><title type='text'>O sal da terra</title><content type='html'>Diante de tanta falta de ética que vemos na política e no poder, vale uma reflexão sobre este trecho de um sermão de Padre Antônio Vieira, de 1654. Basta trocar pregadores por políticos e ouvintes por eleitores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Diz Cristo, falando aos pregadores, vós sois o sal da terra, porque quer que façam na terra, o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa dessa corrupção? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra não se deixa salgar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si, e não a Cristo; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes em vez de servir a Cristo, servem os seus apetites.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sermão de Santo Antônio, proferido em São Luís do Maranhão, em 1654, também conhecido como sermão aos peixes, publicado no Tomo VII dos Sermões do Padre Antônio Vieira).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-115892673327917020?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/115892673327917020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=115892673327917020' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/115892673327917020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/115892673327917020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/09/o-sal-da-terra.html' title='O sal da terra'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-115854719947687373</id><published>2006-09-17T23:31:00.000-03:00</published><updated>2006-11-07T01:05:27.350-02:00</updated><title type='text'>O velho pintor</title><content type='html'>Era um velho pintor japonês, que ia completar 88 anos e morava num bairro de classe média paulistano, sem qualquer glamour. Fui entrevistá-lo por conta de uma matéria especial sobre os festejos dos 80 anos de imigração japonesa no Brasil – e ele era o único sobrevivente do primeiro navio que desembarcou ja&amp;shy;po&amp;shy;ne&amp;shy;ses no início do século 20 no porto de Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa era modesta. Um sobrado; dois, no máximo três quartos. A sala tinha uma estante com televisão, três-em-um e alguns bibelôs ja&amp;shy;poneses (nem sei se aqueles bonequinhos redondos podem ser chamados de bibelôs), um sofá de couro ar&amp;shy;ti&amp;shy;ficial surrado, uma escada junto à pa&amp;shy;rede estilo anos setenta, com aque&amp;shy;les ferros coloridos que vão do piso de cada degrau ao teto. Ao lado, um corredor que levava à cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas paredes, muitos de seus quadros. O ateliê ficava no quar&amp;shy;tinho dos fundos, mas não me levou até lá, por causa da bagunça. Mos&amp;shy;trou-me os exemplares pendurados na sala e as reproduções de um li&amp;shy;vro publicado duas décadas antes por uma associação beneficente da co&amp;shy;&amp;shy;munidade japonesa. Suas telas retratavam o trabalho na lavoura, o nas&amp;shy;cer e pôr-do-sol no centro-oeste paulista, a vida nas colônias agrí&amp;shy;co&amp;shy;las, os rostos com olhos puxados cheios de tristeza e desilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele falava com um forte sotaque, apesar dos 80 anos morando no Brasil. Falou-me de poucas lembranças daquela época. As pinturas eram mais influência das histórias de seus pais e tios do que re&amp;shy;mi&amp;shy;niscências próprias. Tinha menos de oito anos quando chegou a esta ter&amp;shy;ra em que as pessoas não possuíam pele amarela, nem olhos pu&amp;shy;xa&amp;shy;dos, e não entendiam sua língua. Comiam um arroz esquisito e tinham hábitos bem diferentes dos da sua gente. Não lembrava quanto tempo custou a aprender a língua dos gaigins, mas lembrava que, junto com ela, aprendera a jogar bola e a torcer pelo Marília Atlético Clube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do sofrimento dos pais na lavoura de café, e talvez jus&amp;shy;tamente por isso, teve sua infância preservada e amava o time do MAC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas telas retratam também a vida na cidade interiorana nos anos 40 e o rosto sempre lindo da mulher amada. Não importa se ela realmente é bonita; importa como você a vê. Se for com amor, ela pa&amp;shy;recerá a mais bela do mundo no retrato, ensina o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A musa de olhos puxados aparece nas telas na flor da juventude; mulher feita na janela da casa; mãe protetora dos filhos; mulher ma&amp;shy;dura passeando por um bosque; e como uma velha repleta de sabedoria e dignidade. Os olhos dele marejavam ao ver no livro os re&amp;shy;tratos da mu&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;lher. Lá se iam quase dez anos sem ela, mas não sem sua lem&amp;shy;bran&amp;shy;ça, todos os dias, até o fim da vida, como ambos haviam prometido um ao outro. Deus quis que coubesse a ele cumprir a promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas paredes não vi nenhum retrato dela. Ele percebeu o meu re&amp;shy;pa&amp;shy;&amp;shy;ro, mas não comentou nada – e eu não perguntei, em respeito ao sen&amp;shy;&amp;shy;timento dele. O velho pintor encerrou o assunto com a frase: “Quando se ama, a vi&amp;shy;da ganha sentido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio pintor resumia sua vida como uma escada com infinitos degraus, que se sobe diariamente. Quando se é jovem, tem-se a impressão de que se pode pular de dois em dois, ou de três em três degraus, para se chegar mais rapidamente ao topo. “Ah, o topo...”, suspirou. Mas quando se está velho, aprende-se que cada degrau tem a sua importância para a escadaria e que, se você pular um sequer, o conhecimento daquele pode vir a fazer falta quando se estiver lá em cima – e então pode-se levar um enorme tombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, sua escada sobe em paralelo a várias outras, por on&amp;shy;de passam outras pessoas, mais novas ou mais velhas. E essas sempre podem lhe ensinar alguma coisa ou aprender algo com você. “Eu tenho um novo amigo de 18 anos que vem três vezes por semana me ensinar a mexer no computador”, disse-me. O velho pintor não sabia se teria ou não tempo de usar esse conhecimento, mas julgou que precisava aprender e estava aprendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto fazia as anotações para a matéria, fiquei olhando-o com profunda admiração. Ele contou que vol&amp;shy;tou uma única vez ao Japão, já com quarenta anos, e teve a sen&amp;shy;sa&amp;shy;ção de que sua verdadeira pátria ficava do lado de cá do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu continuei a admirá-lo. Eu que nunca tive o dom do desenho, que não emigrei com minha família para um país estranho, que não so&amp;shy;fri o preconceito por ter uma pele e os olhos diferentes dos moradres des&amp;shy;se país. Eu que apenas tinha como ofício coletar e relatar aos ou&amp;shy;tros informações, estava diante de uma esplêndida lição de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano mais tarde, li uma notinha de jornal dizendo que o último dos imigrantes pioneiros japoneses havia morrido. Lem&amp;shy;brei-me de sua casa, de seu jeito de falar, de seus quadros, de sua mu&amp;shy;sa. Em vez de chorar por ele, co&amp;shy;me&amp;shy;&amp;shy;cei a prestar mais atenção a cada degrau da minha escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Delmanto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-115854719947687373?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/115854719947687373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=115854719947687373' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/115854719947687373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/115854719947687373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/09/o-velho-pintor.html' title='O velho pintor'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-114732235386595957</id><published>2006-05-11T01:26:00.000-03:00</published><updated>2006-05-11T02:00:52.776-03:00</updated><title type='text'>Tempo de Quaresma para a mídia</title><content type='html'>Para os cristãos, a Quaresma são os 40 dias de reflexão - e penitência - que separam o Carnaval da Páscoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o Carnaval sempre foi um prato cheio para os veículos de comunicação. O espetáculo das escolas de samba, as mulheres seminuas, a beleza das alegorias, a alegria dos trios elétricos - o Carnaval sempre gerou farto material para televisões, rádios, jornais e revistas. E mais recentemente para a internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o boom das pontocom, tinham-se dezenas de opções de cobertura on-line do Carnaval, com notícias minuto-a-minuto. Havia um verdadeiro exército de jornalistas e fotógrafos espalhados pelas principais cidades brasileiras passando informações sobre a folia para diversos sites. Podia-se até assistir na web aos desfiles, apesar de a qualidade da imagem ser ruim (naquela fase pré-banda larga) e de a TV estar transmitindo o mesmo evento para uma tela bem maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas afinal, quem lia tanta notícia? Será que é essa exaustiva cobertura que os consumidores de mídia queriam? Tanto dinheiro e recursos foram gastos sem que antes fosse perguntado ao público se ele queria receber tudo aquilo que lhe foi oferecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da mídia on-line, o que se via era uma verdadeira corrida maluca em busca da última notícia, do último minuto. Pois o estouro da bolha fez com que o mercado de internet amadurecesse, fez com que apenas as empresas com um modelo de negócio consistente - e com equipes muito mais reduzidas - sobrevivessem e que houvesse uma tremenda otimização de recursos. Eles passaram a ser aplicados com parcimônia e apenas em projetos com possibilidade (ou alguma garantia) de retorno. As empresas mudaram, mudou principalmente a forma de avaliar os investimentos a serem feitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mídia tradicional, a postura também mudou. Afora o exagero espetaculoso proporcionado pela Rede Globo nos Sambódromos paulista e carioca, o Carnaval foi diferente na mídia este ano. Isto deve-se ao momento em que atravessam as empresas do setor: convivendo com dívidas, com reestrturações, com a necessidade de melhor desempenho operacional e ganho de escala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo de Páscoa de 2006 foi divulgada a venda de 30% da Editora Abril a um grupo sul-africano de mídia. Nas semanas anteriores ao anúncio do negócio, especulava-se que a editora brasileira abriria seu capital - que é hoje o caminho mais eficaz para a captação de recursos por qualquer empresa. Mas o acordo com a editora africana saiu antes. É um sinal de que as empresas de mídia necessitam de (muito) dinheiro, e de que esse dinheiro é bem-vindo seja lá de onde vier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa necessidade financeira não pode nem deve sobrepor-se ao talento, à busca de uma linguagem própria, a uma expertise nacional. Consta que os novos sócios não terão assento na diretoria executiva da Abril - e assim espera-se, pois do contrário haveria o risco de ser adotado um modelo internacionalizado e pré-concebido de cobertura e de se fazer revistas. Pois se o brasileiro conseguiu inventar o Carnaval, tem capacidade de ser criativo e achar uma maneira original de cobrir este espetáculo. Infelizmente, a mídia brasileira não tem conseguido provar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mídia on-line, veículo interativo por natureza, o jornalismo ainda patina em busca de uma personalidade própria. É hoje uma espécie de duto de informações fragmentadas, desprovidas de contextualização, que muitas vezes simplesmente adianta o conteúdo que se lerá nos jornais do dia seguinte. Está longe de ser uma evolução das outras mídias, que acrescente ao relato dos fatos a opinião de seu consumidor, que utilize inteligentemente seu aspecto interativo. Será que os internautas não estariam exigindo mais participação e mais qualidade em vez de tanta quantidade de informação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse comodismo (ou indefinição) da mídia on-line permitiu que os próprios internautas ocupassem o espaço que os veículos noticiosos deveriam estar oferecendo. Criaram os blogs, onde expressam livremente as idéias e os pontos de vista, ou comentam opiniões de outrem. O blogs não só ocupam aos poucos o vácuo deixado pelos “veículos” on-line como avaliam a cobertura que eles fazem dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os blogs são como fanzines virtuais criados por usuários suficientemente críticos e que se sentiam insatisfeitos com o que viam e liam. Enquanto eles pipocavam na rede, as empresas de internet se desdobravam numa disputa inócua por maior volume de informação, ou pela maior rapidez na sua divulgação, fosse no dia-a-dia da cobertura jornalística ou em eventos como o Carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ser ouvidos pelas empresas, os consumidores de mídia criaram seus próprios meios de expor as idéias, de dar sua interpretação dos fatos e de (por que não?) avaliar o trabalho da mídia. Agora falta à mídia fazer uma auto-avaliação à luz dessa realidade. Por enquanto, as empresas de mídia aparentam estar enfrentando bem a quaresma financeira, seja reduzindo custos, seja fechando acordos que viabilizem sua sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda precisam sintonizar-se com seus telespectadores, ouvintes, leitores e internautas. Antes que eles desistam de buscar o conteúdo desejado e resolvam eles próprios produzir e distribuir esse conteúdo. Pois diferentemente da Quaresma financeira, a Quaresma do público é bem mais difícil de ser enfrentada. E o abandono por parte dos consumidores é quase impossível de ser revertido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-114732235386595957?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/114732235386595957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=114732235386595957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/114732235386595957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/114732235386595957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/05/tempo-de-quaresma-para-mdia.html' title='Tempo de Quaresma para a mídia'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-114619039270214175</id><published>2006-04-27T23:09:00.000-03:00</published><updated>2006-04-28T00:11:49.276-03:00</updated><title type='text'>Sobre o Orkut</title><content type='html'>Recebi este texto por e-mail, não sei quem o escreveu, mas traz uma reflexão muito pertinente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Orkut apareceu como uma forma de reaver amigos, saber notícias de quem estava distante e mandar recados e, hoje, está sendo utilizado com o propósito para que, creio, é o seu maior trunfo... obtenção de informações sobre uma classe privilegiada da população brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que será que só no Brasil teve a repercussão que teve? Outras culturas hesitam em participar sua vida e dados de intimidade de forma tão irresponsável e leviana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso você já recebeu um telefonema que informava que seus filhos estavam sendo seqüestrados?&lt;br /&gt;Sua mãe idosa já foi seguida por uma quadrilha de malandros? Já te abordaram num barzinho dizendo que te conheciam faz tempo? Já foi pra festas armadas para reencontrar os amigos de 30 anos atrás e não viu ninguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é... Tá tudo lá. No Orkut.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cinco minutos de navegação eu sei que você tem dois filhos, tem um namorado, estuda no colégio tal, freqüenta cinemas... E o melhor... com uma foto na mão, identifico seu rosto em meio a multidões, na porta do seu trabalho, no meio da rua... Afinal, já sei onde você está... É só ler os seus recadinhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço um pedido... Quem quiser se expor assim,o faça de forma consciente e depois não lamente nem se desespere caso seja vítima de uma armação assim. Poupe seus filhos, poupe sua vida íntima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bandido só te ligou prá extorquir dinheiro porque você deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto dos meninos estava lá. Teu local de trabalho tava lá. A foto no hotel 5 estrelas na praia tava lá... A foto da moto que está na garagem estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, somos um povo muito inocente e deslumbrado. Por enquanto, temos ouvido falar de ameaças a crianças e idosos. Até que um dia a ameaça será fato real. Tarde demais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me entendeu, ótimo. Reveja sua participação no Orkut ou ao menos suprima as fotos e imagens de seus filhos menores e parentes que não merecem passar por situações de risco que você os coloca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se acha que não tenho razão, deve se achar invulnerável. Pessoas muito próximas a mim e queridas já passaram por dramas gratuitos, sem perceber que foram vítimas da própria imprudência... A falta de malícia para a vida nos induz a correr riscos desnecessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só de Orkut vive a maioria dos internautas... Temos uma infinidade de portas abertas e que por um descuido colocamos uma informação que pode nos prejudicar. Não conhecemos a pessoa ou as pessoas que estão do outro lado da rede. O papo pode ser muito bom, legal ... Mas disponibilizar informações a nosso respeito ... Pode se tornar perigoso... ou desagradável ..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto meus caros, um pouco de bom censo ao colocar informações na Internet."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, hoje os jornais estampam um executivo do Google depondo no Congresso americano a respeito do Orkut.&lt;br /&gt;A propósito: existe um site muito interessante para denúncias de abuso, inclusive de Comunidades do Orkut.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.denunciar.org.br/"&gt;http://www.denunciar.org.br/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-114619039270214175?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/114619039270214175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=114619039270214175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/114619039270214175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/114619039270214175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/04/sobre-o-orkut.html' title='Sobre o Orkut'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-114322989796824148</id><published>2006-03-24T16:21:00.000-03:00</published><updated>2006-03-24T16:52:21.876-03:00</updated><title type='text'>A TV decide o que é notícia</title><content type='html'>Seja por pressão da sociedade, onde estão seus consumidores, seja por exigência dos investidores, ou devido a uma tomada de consciência “institucional”, os grupos empresariais têm adotado cada vez mais boas práticas de responsabilidade corporativa. Isso inclui desde o respeito ao meio ambiente e o apoio a projetos sociais até programas de estímulo ao voluntariado e à disseminação, entre seus funcionários e fornecedores, de princípios éticos. Ligada diretamente a isso está a transparência nos seus negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso é uma tendência aparentemente irreversível no mundo corporativo, o mundo da mídia parece ainda viver na idade da pedra. O aprendizado tirado de momentos de triste memória para jornalistas e veículos parece não ter dado em nada. Refiro-me, por exemplo, a episódios como o Caso Pró-Consult (1982) e o movimento das Diretas-Já (1984), em que a imprensa – melhor dizendo a televisão, ou precisamente a TV Globo – tentou mostrar à população, por meio de seu poder de persuasão, uma situação distinta da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a líder de audiência e de faturamento na mídia nacional voltou a dar mostras de que não mudou muito, mais de 20 anos depois. Ao noticiar, no Jornal Nacional de 31 de janeiro, que a Academia de Hollywood anunciara os candidatos ao Oscar, a reportagem limitou-se a falar do filme do diretor Fernando Meirelles, “O Jardineiro Fiel” (falado em inglês), que concorreria a quatro estatuetas, e da polêmica envolvendo as indicações de “O Segredo de Brokeback Mountain”. Faltou alguma coisa? Sim, faltou dizer que o filme “Dois Filhos de Francisco” não havia sido escolhido entre os cinco candidatos ao Oscar de filme estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual seria a razão de tal omissão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Um critério “jornalístico”, já que a não-indicação se trata de uma “não-notícia”? Difícil crer nisso, posto que se noticiou com muito entusiasmo a escolha pela comissão de notáveis brasileiros do filme sobre a vida dos cantores sertanejos Zezé di Camargo e Luciano como pré-candidato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Seria talvez o fato de a Globo ter retomado os direitos de transmissão da festa do Oscar e portanto não gostaria de dar nenhuma má notícia antes da entrega do prêmio, para não diminuir a “audiência”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Ou seria uma estratégia mercadológica de um veículo que pertence ao grupo de mídia que também controla a empresa co-produtora do filme “Dois Filhos de Francisco”? Ora, ora, ora. Falando na linguagem do mundo corporativo, caso a razão seja essa terceira, isso bem que poderia ser considerado um caso típico de conflito de interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fato é que não adianta tentar esconder a verdade da população. Já não adiantava tentar fazer isso no início dos anos 80, quando as empresas detinham controle total sobre os “meios” de comunicação, não havia TV a cabo, internet, celulares. Muito mais hoje em dia, quando a mesma tecnologia que tanto favoreceu os meios de comunicação – a TV particularmente – permite que a informação seja socializada, por meio de blogs que fazem com que qualquer internauta se sinta um “jornalista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 80, no episódio Pró-Consult, a TV tentou convencer os eleitores fluminenses de que Leonel Brizola estava perdendo a eleição para governador. Já o início do movimento das Diretas-Já foi mostrado como um simples show-comício em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a TV se acha com poder de veicular não apenas o que julga importante, mas o que lhe é conveniente, onde ficam o direito à informação e os preceitos da democracia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, o histórico é exatamente esse. Quantas vezes o JN de sábado deixou de noticiar a realização da prova final da Fórmula Indy, com possibilidade de vitória de um piloto brasileiro? Por quê? Porque os direitos de transmissão eram de outra emissora, e a líder jamais noticiaria o evento com antecedência, para não dar audiência de mão beijada para a concorrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sejamos puristas, defendendo que as emissoras de TV comerciais se comportem como entidades filantrópicas. Mas fato é que, enquanto a informação for tratada do ponto de vista dos interesses comerciais, o telespectador sempre será tolhido em seu direito a informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de se lamentar, é verdade, que a postura de alguns meios de comunicação pouco tenha mudado nessas duas décadas. Mas pelo menos hoje estamos melhor servidos que naquele início dos anos 80. Pois hoje nós, consumidores de mídia, temos o contraponto das notícias "oficiais" nos meios alternativos, nos veículos independentes, na internet e nos blogs. Viva a diversidade da informação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-114322989796824148?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/114322989796824148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=114322989796824148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/114322989796824148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/114322989796824148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/03/tv-decide-o-que-notcia.html' title='A TV decide o que é notícia'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-113943227790684514</id><published>2006-02-08T18:31:00.000-02:00</published><updated>2006-11-07T00:58:52.836-02:00</updated><title type='text'>Triste fim da AOL no Brasil</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2088/1339/1600/aol.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2088/1339/320/aol.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desculpem meu tom melancólico, mas é que demorei uns dias a acessar o portal aol.com.br depois de ter lido uma matéria no Meio &amp; Mensagem, dizendo que o portal enfim abandonava o mercado brasileiro e os seus assinantes seriam convidados a migrar para o Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia choca quem se lembra da forma como a AOL entrou no Brasil - e choca ainda mais quem trabalhou lá (eu passei lá 3 anos). Mas ao acessar o portal hoje, em busca de minhas matérias, com o intuito de guardá-las em meu arquivo, chocou-me o aviso colocado na home do portal, avisando que a data final de operação é 17 de março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem acreditou no jornalismo online, e ainda acredita, é um triste fim, uma sensação horrível ver aquele nosso trabalho ir pelo ralo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que resta é a esperança de que, no futuro, os executivos de empresas de mídia sejam mais ousados e tenham maior visão de futuro - e entendam o jornalismo na Web como um produto jornalístico, enxerguem uma empresa que produza conteúdo para a internet como uma empresa de mídia, não como uma empresa qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, isso não passa de um desabafo, escrito ainda sob o choque da data da morte anunciada da Aol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia espero ter tempo para escrever mais sobre o sonho americano de conquistar o mundo, via internet. O problema é que, onde eles chegaram, como aqui no Brasil, esqueceram que cada país tinha sua cultura, seus hábitos e preferências, que não necessariamente são iguais aos deles, americanos. Se rolar, avisarei meus leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(leiam o artigo de despedida de um dos colunistas da AOL, o professor Adilson de Oliveira, no blog &lt;a href="http://pordentrodaciencia.blogspot.com/2006/03/uma-ltima-crnica.html" target="_blank"&gt;http://pordentrodaciencia.blogspot.com&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Delmanto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-113943227790684514?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/113943227790684514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=113943227790684514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/113943227790684514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/113943227790684514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2006/02/triste-fim-da-aol-no-brasil.html' title='Triste fim da AOL no Brasil'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-113434732635789035</id><published>2005-12-11T22:25:00.000-02:00</published><updated>2005-12-11T22:46:09.650-02:00</updated><title type='text'>A escola católica e a vergonha de ser católica</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Por Renato Delmanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nesta época do ano somos bombardeados por anúncios e propagandas das mais diversas escolas, em busca de novos alunos. O público-alvo dessa publicidade, especificamente nas escolas do ensino fundamental e médio, é quem tem filho em idade escolar. São os pais, preocupados com o futuro e a formação dos filhos, que mais se interessam pelas propostas apresentadas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Este ano um outdoor chamou a atenção: reunia alguns colégios católicos, apresentando essa característica como um diferencial na formação dos jovens. Mas infelizmente esta postura parece ser exceção. Pois alguns outros colégios católicos têm uma certa “vergonha” em assumir-se como tal. O catolicismo, cujos preceitos deveriam permear todas as relações entre alunos, professores e direção da escola, parece estar sendo substituído por conceitos de solidariedade e cidadania – que não são necessariamente católicos. Algumas escolas preferem uma atitude ecumênica, a uma assumidamente cristã-católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As razões para isso são várias: a concorrência cada vez maior de colégios laicos; a procura por alunos de outras crenças; o aumento na evasão de alunos, agravada pela crise que aflige a classe média e a leva a optar por escolas mais baratas ou pela rede pública. Diante de uma população cada vez mais tentada, principalmente pelos meios de comunicação, a afastar-se de Deus, as escolas católicas vêem seu diferencial religioso transformar-se de bônus em ônus. Cria-se, assim, um ciclo vicioso: cada vez mais agnósticos, os pais buscam para os filhos uma escola idem. Ao atender a essa demanda, a escola católica deixa de cumprir a missão catequética de formar a nova geração de católicos – e justamente crianças que não têm essa formação em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a justificativa de não perder clientes, num mercado competitivo, a escola católica abre mão de sua doutrina. Até mesmo as aulas de ensino religioso optam por passar às crianças valores de solidariedade, não necessariamente cristãos-católicos. O resultado disso já é notado nas estatísticas: o número de católicos vem caindo, segundo o Censo do IBGE. Mas esse dado é apenas a ponta de um iceberg que esconde outros efeitos colaterias dessa pseudoformação católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, assistindo à celebração da primeira Eucaristia de alunos da 5ª série de um colégio desses, fiquei chocado ao saber que o filho de um amigo demonstrara aos pais, dias antes, ter dúvidas básicas sobre o Sacramento da Eucaristia – apesar do clima de “festa” naquele dia, com vários familiares e fotógrafos presentes. A dúvida do aluno é sintomática: que vivência religiosa pode-se esperar de um jovem que, ao final de meses de catequese, pergunta-se por que deve comungar? A própria comunidade do colégio responde: durante o ano de preparação, poucos são os alunos (e os respectivos pais) que comparecem à missa dominical – e quase nenhum a segue freqüentando após a primeira Comunhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós, católicos, temos uma certa obrigação evangelizadora, e a porta de entrada para muitos na religião deveria ser justamente a primeira Eucaristia. Sem investir nisso, não é o colégio católico que deixa de atrair novos fiéis para sua comunidade; é a Igreja que perde a oportunidade de formar novos seguidores, com conhecimento da religião e convicção sobre a sua fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No longo prazo, o número de católicos pode até vir a ser menor que o de seguidores de outras seitas. Mas cabe a nós lutar para que os futuros católicos o sejam de fato, não bissextos ou de ocasião. E cabe a nós, pais, cobrar uma tomada de posição das escolas católicas, para que assumam sua vocação e sua missão. Para o bem de nossos filhos e da Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Jornalista e professor da Faculdade Cásper Líbero (&lt;a href="mailto:renatodelmanto@terra.com.br"&gt;renatodelmanto@terra.com.br&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-113434732635789035?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/113434732635789035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=113434732635789035' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/113434732635789035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/113434732635789035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2005/12/escola-catlica-e-vergonha-de-ser.html' title='A escola católica e a vergonha de ser católica'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14701094.post-112197443802215261</id><published>2005-07-22T02:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T19:40:45.173-03:00</updated><title type='text'>Breve Histórico</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Renato Delmanto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Formação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bacharel em Comunicação Social pela PUC-SP.&lt;br /&gt;Especialização Faap MBA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Idioma &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Inglês (falado e escrito).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Experiência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;2007 - atual&lt;br /&gt;Grupo Votorantim - Gerente Corporativo de Relações com a Mídia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005 - atual&lt;br /&gt;Faculdade Cásper Líbero - Professor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2006 - 2007&lt;br /&gt;Máquina da Notícia - Gerente de Atendimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2005 - 2006&lt;br /&gt;Grupo CPFL Energia - Gerente de Jornalismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2002 - 2005&lt;br /&gt;AOL Brasil - Gerente-Assistente de Conteúdo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2001 – 2002&lt;br /&gt;Ibope Inteligência - Gerente de Análise&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2000 - 2001&lt;br /&gt;Editora Globo - Gestor da Área Online (&lt;a href="http://delmanto.blogspot.com/2006/12/boas-festas.html" target="_blank"&gt;Exemplo de site&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1990 – 2000&lt;br /&gt;Jornal da Tarde - Chefe de Reportagem – Editor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1988 – 1989&lt;br /&gt;TV Cultura - Pauteiro do Programa Metrópolis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1986 – 1987&lt;br /&gt;Folha de S.Paulo – Redator – Editoria de Política&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1986&lt;br /&gt;Revista Veja – Repórter – Editoria de Cultura&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14701094-112197443802215261?l=delmanto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://delmanto.blogspot.com/feeds/112197443802215261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14701094&amp;postID=112197443802215261' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/112197443802215261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14701094/posts/default/112197443802215261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://delmanto.blogspot.com/2005/07/breve-histrico.html' title='Breve Histórico'/><author><name>Delmanto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09442170303996186784</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1OvFZAn261c/TKX71shMnSI/AAAAAAAAAFQ/C4x5TPpjAVo/S220/foto_rd_2010_small.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
